Má fase de Juventus e Milan chega ao auge com os dois fora da Liga dos Campeões

A situação da Juventus já era difícil antes do final da competição, mas o Milan ficará fora da Liga dos Campeões por inoperância própria

Foto: divulgação / Juventus FC

Jogadores de Milan e Juventus disputam a bola
Clássico entre os dois terminou em zero pelo italiano

Juventus e Milan são considerados por muitos os dois maiores times da Itália, mas vivem uma fase complicadíssima dentro do futebol nacional. Os Bianconeri seguem a seis anos sem se encontrar e o Milan não é o mesmo desde 2007. Desta vez, ambos ficarão de fora da Liga dos Campeões.

Para começar o quão raro é esse fato, desde a mudança de formato na temporada 1992/1993 e principalmente depois da entrada dos não campeões na competição, pelo menos um dos dois sempre esteve na Champions. 

A partir da temporada 1997/1998 então, com o aumento de vagas, muitas vezes os dois times jogaram a Liga dos Campeões, que por vezes teve os três gigantes italianos. Na metade da década de 2010, em meio a crise bizonha de Milan e Inter, a Juve era figura carimbada, como campeã italiana todo ano.

A temporada 2025/2026 marcará algo que não acontecia com times italianos desde a temporada 1990/1991, quando a Sampdoria foi a representante italiana na competição: não ter nem Juventus e nem Milan na maior competição de clubes do continente.

Crise da Juventus é recente, mas parece interminável

A Juventus dominou o futebol italiano de uma maneira inapelável e inquestionável durante praticamente 10 anos. O fim da Inter do triplete somado ao eclodir da crise do Milan colocou os bianconeri numa posição de domínio nunca antes vista na Série A. Foram nove títulos seguidos entre 2012 e 2020. 

Desde então, a Juve despencou, viu a Inter destronar sua hegemonia na temporada 2020/2021 e nunca mais conseguiu efetivamente disputar o título na Série A. Foram algumas quartas colocações desde então e a temível temporada 2022/2023 que terminou com os bianconeri no sétimo lugar.

A equipe passou por um problema extra-campo gigantesco no início da década de 2020, que derrubou o presidente Agnelli e todos os dirigentes, incluindo Nedved. A péssima temporada 2022/2023 tem a ver com uma punição relacionada a esse caso, conhecido como Plusvalenze.  

Em resumo, a Juventus inflou artificialmente valores ganhos em transferências para ter maiores lucros em seus resultados financeiros entre 2018 e 2021, o que obviamente é ilegal e fere inclusive regulamentos da UEFA. Os bianconeri pegaram até uma punição leve com perda de pontos e exclusão da Europa League. 

Desde então, porém, a Juve nunca mais se recuperou e viu a distância financeira para Inter e, curiosamente, Napoli, aumentar. Hoje, mesmo com alguns nomes interessantes no elenco, como Bremer, é dificil para os bianconeri voltar ao topo na Itália. O clube ainda se recupera.

Milan segue há mais de uma década num limbo interminável

A crise milanista, por sua vez, é muito maior e mais longa. Os Rossoneri já começavam a viver efeitos de alguns problemas quando ganharam seu último título europeu, em 2007. Lá, Berlusconi já perdia sua influência política e seu poder no Diavolo, junto a Galliani. 

O magnata italiano foi responsável por, efetivamente, salvar o Milan de falir nos anos 1980. Fragilizados após o Totonero, os milanistas haviam sido rebaixados em campo na temporada 1981/1982 e viviam uma situação financeira calamitosa antes da metade da década de 1980.

A chegada de Berlusconi colocou o Milan no topo por mais de uma década, fez do Rossonero o melhor time do mundo por algum tempo, mas sua saída destruiu completamente o gigante italiano. A equipe ainda  teve anos bons no final da década de 2010, foi campeão italiano em 2011 e entrou num limbo.

A década de 2010 foi terrível para os dois clubes de Milão, mas enquanto a Inter começou a dar sinais de saída desse problema já pelos idos de 2019, o Milan cambaleou bastante. Voltou aos poucos a se classificar bem, mas sem brigar por muita coisa.

A verdade é que fora um brilhareco na temporada 2021/2022, muito mais devido a falhas da rival Inter na defesa do título e a campanha extraordinária da temporada 2022/2023 na Liga dos Campeões, o Rossonero pode até não ir necessariamente mal, mas está longe de conseguir brigar com a Inter. 

O fracasso dessa temorada resume o que tem sido o Milan, já que o rubro-negro chegou até a sonhar com o título, bateu a Inter nos dois derbys da competição e foi só. Desde 2011, o Milan conquistou apenas uma Série A e duas Supercopas da Itália. Muito aquém de sua grandeza.

O outro lado é uma possível dinastia interista ou um triunvirato

Quem está rindo a toa com o fim dessa temporada é a torcida da Internazionale, campeã italiana, da Copa Itália e que praticamente conquista um título ao ver seus rivais tão enfraquecidos. A Beneamata está numa posição em que, se fizer as coisas certas, pode viver um domínio longo na Itália.


Os Nerazzuri têm melhorado sua condição financeira e começam a almejar competir de vez com o topo da cadeia alimentar europeia e acertos fora do campo podem os colocar em posição de dinastia nacional. É dificil imaginar que Juve e Milan possam alcançar a Inter tão cedo no patamar administrativo.

Porém, vale lembrar que a Inter por si só se complicou em duas defesas de título italiano que não vieram por muita culpa nerazzurri: justamente o título do Milan em 2022 e a conquista recente do Napoli em 2024/2025. 

É preciso, porém, lembrar que além da Inter, o Napoli tem trabalhado de maneira competente na administração e pode "dividir" esse domínio, que pode até virar um triunvirato com a Roma ou, sim, acredite, com o Como. Juventus e Milan, hoje, parecem muito mais em posição de correr atrás apenas.
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