Linda história entre Salah e Liverpool está perto do fim

Mohammed Salah deixará o Liverpool ao fim da temporada europeia como um dos maiores nomes da história do clube de Merseyside

Por Lucas Paes
Foto: Getty Images

Mohammed Salah deixará Anfield como um dos maiores da história do LFC
Salah celebra um de seus tantos gols pelo Liverpool

Uma das histórias mais bonitas do futebol mundial está chegando a sua apoteose. A histórica trajetória do egípcio Mohammed Salah no Liverpool terá oficialmente seu fim ao final da temporada 2025/2026 do futebol europeu. Resta a nós, que assistimos, agradecer por ter visto algo tão histórico em nosso tempo.

Salah foi, para este que vos escreve, um dos jogadores que mais encantou no futebol. Através de seus gols, dribles e assistências, o "Rei Egípcio" foi uma das engrenagens mais importantes da transformação que o Liverpool viveu com Klopp. Sua despedida é tão dolorosa e tem que ser tão honrosa quanto a do alemão. 

Da desconfiança a idolatria

O camisa 11 egípcio não chegou a Merseyside como uma unanimidade nem para Jurgen, que queria Brandt. Os parâmetros da FSG colocaram o ponta egípcio, apelidado inclusive em sua chegada por um colega de "Keno Egípcio", porém, como a melhor opção para o passo a mais dos Reds.

E como estavam certos os dados e planilhas dos "nerds". Salah precisou de pouquíssimo tempo para transformar a desconfiança em idolatria e em sua primeira temporada atingiu números históricos, infelizmente sendo tirado da final da Liga dos Campeões por Sérgio Ramos. Não era um "one season wonder".

O estabelecimento da idolatria do Faraó, que virou o "Rei Egípcio" se deu já na sua segunda temporada. Se tornou referência, ídolo, foi crucial na conquista da Liga dos Campeões. Crescia contra o big six, demorou mas também virou carrasco do rival Manchester United. Virava a cada jogo um dos maiores.

Formou, junto a Mané e Firmino um dos trios de ataque mais celebrados do futebol mundial entre o final da década de 2010 e o início da década de 2020. Fez com que um time esquecido se tornasse novamente um gigante do tamanho que o Liverpool de fato tem. Salah foi o símbolo em campo da ideia de "doubters to believers" de Klopp.

A conquista da Premier League de 2019/2020 elevou de vez o egípcio e outros daquele time ao olimpo vermelho. Salah sempre foi um dos jogadores mais celebrados pela torcida e respondeu jogando muita bola mesmo em momentos difíceis. Carregou o time no difícil biênio 2020/2021, por exemplo.

Recordes e o estabelecimento como um dos maiores 

O camisa 11 viu todos os colegas do trio histórico deixarem o clube. Viu Mané ir ao Bayern, Firmino encerrar seu lindo casamento com os Reds rumo ao mundo árabe, ficou e viu até Jurgen Klopp se despedir. Foi um dos últimos símbolos da maravilhosa era do carismático alemão em Anfield Road.

Já com outros colegas, em 2024/2025, foi em campo o principal responsável pela conquista da Premier League e portanto do 20º título inglês do recém-chegado Arne Slot. Viveu uma das maiores temporadas da vida, renovou por mais dois anos. Se tornou indiscutivelmente um dos cinco maiores jogadores da gigantesca história do Liverpool.

Tragédia de Jota, temporada abaixo e a difícil decisão do fim

Antes do início da temporada, antes mesmo de muito do mercado dos Reds se estabelecer, o clube foi severamente impactado pela trágica e dolorosa morte de Diogo Jota, que caiu como uma bomba no elenco vermelho. Salah foi um dos mais atingidos pela perda do Português. 

Novas chegadas do histórico mercado do Liverpool, que trouxe nomes como Wirtz, Isak e Ekitike chegaram num clube ferido pela perda de um dos seus mais queridos jogadores. Arne Slot pareceu, pelo menos fora de campo, perder o rumo. Em meio a isso, Salah também não foi mais o mesmo. 

A temporada atual é a mais "fraca" do egípcio nos Reds. Os gols tem sido raros e o camisa 11 inclusive teve problemas públicos com o treinador Arne Slot, que tem seu trabalho questionado devido ao mau desempenho do time. Os percalços dessa trágica temporada minaram o clima para a permanência do ídolo. 

Numa decisão triste, dolorosa, porém sabia de ambos os lados, Salah e Liverpool decidiram encerrar sua grandeiosa história neste dia 24 de março, uma terça-feira que ficará tão dolorosamente marcada para o torcedor do Liverpool como o dia que Klopp anunciou sua saída. 

Chegará ao fim uma das trajetórias mais incríveis do futebol, a epopeia do Rei Egípcio, que conseguiu se tornar monarca numa cidade republicana que rejeita a monarquia, que conseguiu muito além do campo de jogo, mudar a percepção de um povo sobre os muçulmanos, que conseguiu ser gigante.


Resta o agradecimento, dentro e fora das quatro linhas

Se pudesse, adoraria poder agradecer pessoalmente a Salah pelos momentos e pelas alegrias que me trouxe como um "torcedor" a distância dos Reds, por todas as vezes em que ele me encantou com seu futebol. 

Devo também agradecer por, fora de campo, Salah ter sido responsável direto pela mudança da minha visão sobre toda a comunidade muçulmana, assim como tantos lá em Liverpool e mundo a fora que procuraram conhecer mais dessa gente graças ao craque egípcio. Uma lição de tolerância e respeito que nunca foi muito ensinada na mídia ocidental.

Salah deixa Anfield como um dos maiores da história e nada que aconteça nos próximos meses mudará isso. Espero que este elenco que pouco tem honrado a história dos Reds tenha pelo menos a hombridade de dar uma despedida digna ao, doa a quem doer, maior jogador do clube no Século XXI.
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