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Frente do CT da Barra Funda
A Polícia Civil investiga possíveis irregularidades financeiras envolvendo o São Paulo Futebol Clube e seu presidente, Julio Casares. As apurações abrangem dois eixos principais: depósitos em dinheiro nas contas pessoais do dirigente e uma série de saques realizados diretamente nas contas do clube ao longo dos últimos anos.
Segundo relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), obtidos pelo UOL, Julio Casares recebeu cerca de R$ 1,5 milhão em depósitos feitos em espécie entre janeiro de 2023 e maio de 2025. O montante representa a principal fonte de renda do presidente são-paulino no período analisado. A defesa de Casares afirma que os valores têm origem “lícita e legítima”.
As movimentações chamaram a atenção das autoridades por ocorrerem de forma fracionada. Em alguns dias, foram registradas até 12 operações consecutivas, com valores que, somados, chegavam a R$ 49 mil — abaixo do limite de R$ 50 mil que aciona comunicação automática ao Coaf. O órgão classifica esse tipo de prática como “smurfing”, técnica utilizada para dificultar o rastreamento de operações financeiras.
De acordo com os registros bancários, Casares informou à instituição financeira que os depósitos se referiam a bonificações por títulos conquistados pelo São Paulo. Em 2023, no entanto, o banco emitiu um alerta ao Coaf por considerar as movimentações fora do padrão esperado para o perfil do dirigente.
A investigação também aponta que a conta pessoal do presidente teria sido utilizada para o pagamento de despesas de sua ex-esposa, Mara Casares. Ela ocupou cargos de diretora feminina, cultural e de eventos do clube, além de conselheira, mas se afastou das funções após vir à tona, em reportagem do ge, um esquema de exploração clandestina de um camarote no estádio do Morumbis, que envolvia seu nome e o de Douglas Schwartzmann.
Além das movimentações ligadas ao presidente, a Polícia Civil analisa uma segunda frente envolvendo saques em dinheiro realizados diretamente nas contas do São Paulo. Entre janeiro de 2021 e novembro de 2025, foram identificados 35 saques que somam aproximadamente R$ 11 milhões.
O relatório do Coaf não detalha o destino dos valores retirados das contas jurídicas do clube. A linha do tempo da investigação mostra que, em 2021, foram sacados R$ 1,5 milhão em sete operações. Em 2022, ocorreram seis saques que totalizaram R$ 1,2 milhão. Já em 2023, outros seis saques chegaram a R$ 1,4 milhão.
O ano de 2024 concentra o maior volume: 11 retiradas que somaram R$ 5,2 milhões. Em 2025, até novembro, foram mais cinco saques, totalizando R$ 1,7 milhão.
As duas primeiras retiradas, ainda em 2021, foram feitas por um funcionário do clube. A partir de então, o São Paulo passou a utilizar uma empresa de transporte de valores para realizar as operações. Para os investigadores, o uso recorrente de saques em dinheiro pode ter como objetivo dificultar a identificação dos responsáveis e do destino final dos recursos.

O caso segue sob apuração, e até o momento não há conclusão formal nem denúncia apresentada. Em nota, os advogados de Julio Casares fizeram a seguinte declaração:
"Os advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, que representam a defesa particular de Júlio Casares, afirmam que todas as movimentações financeiras de Júlio, contidas nos relatórios do COAF, possuem origem licita e legitima, com lastro compatível com a evolução de sua capacidade financeira.Esclareça-se que antes de assumir a presidência do São Paulo Futebol Clube, nosso constituído desempenhou e exerceu funções de alta direção na iniciativa privada, com boa remuneração.Ademais, a origem e o lastro de tais movimentações serão detalhadas e esclarecidas no curso das investigações - com a apresentação de provas, declarações e informações fiscais - justamente para rebater qualquer ilação que se fizer e, ainda mais porque não tiveram acesso à integralidade do inquérito policial".



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