Foto: arquivo

Fachada da entrada do clube
Neste dia 15 de novembro, o Jabaquara Atlético Clube celebra mais um ano de vida: 111. Fundado em 1914, em Santos, o tradicional Leão da Caneleira viveu fases de protagonismo no futebol paulista, atravessou décadas de dificuldades e hoje tenta reencontrar seu caminho após avançar com segurança na primeira fase do Paulista da Segunda Divisão. Mas, além do futebol, o Jabuca deixou para a cidade uma expressão marcante do vocabulário santista: “Vou botar o Jabuca em campo!”
A frase, ainda que menos ouvida nos dias atuais, marcou gerações na Baixada Santista. Seu significado? Indicar que alguém vai brigar pelos próprios direitos, enfrentar problemas de cabeça erguida — e, claro, com pouca paciência. A gíria nasceu da mistura entre a identidade do clube e episódios marcantes de sua história.
Raízes espanholas e espírito de luta - O Jabaquara surgiu como Hespanha Foot Ball Club, fundado por imigrantes espanhóis que carregavam a fama de serem aguerridos, temperamentais e pouco tolerantes a injustiças. Essa imagem rapidamente se associou ao clube. Quando se dizia que alguém ia “botar o Jabuca em campo”, a ideia era exatamente essa: entrar na disputa com raça, sem recuar.
A “Jabaquarada” que parou o Paulistão - O episódio que consolidou ainda mais a expressão aconteceu em 1951, numa disputa de rebaixamento contra o XV de Jaú. Derrotado por 5 a 0 fora de casa e vencedor por 2 a 0 em Santos, o Jabuca forçou o terceiro jogo, no Moisés Lucarelli. Quando o XV abriu o placar, jogadores do Jabaquara — já desconfiados da arbitragem — iniciaram um tumulto que resultou em três expulsões e na saída da equipe de campo.
A batalha, então, migrou para o campo jurídico. A alegação de que o regulamento do rebaixamento não havia sido registrado no CND (Conselho Nacional de Desportos) prevaleceu. O imbróglio paralisou o Campeonato Paulista por oito meses e originou outra expressão que entrou para o folclore do futebol paulista: “Jabaquarada”, sinônimo de virada de mesa.

Tradição de resistência - A postura combativa do clube não era novidade. Décadas antes, o Jabaquara, ao lado de Santos e Portuguesa Santista, já enfrentara a FPF contra um regulamento que restringia o Paulistão apenas a clubes da capital, ainda nos anos 1940. Ali também se moldou a identidade resistente que ecoaria no vocabulário popular.
Entre os anos 1950 e 1970, “botar o Jabuca em campo” virou rotina nas conversas da cidade. Com o passar do tempo, porém, caiu em desuso — assim como o clube, que voltou a ser rebaixado anos depois e passou a conviver com dificuldades dentro e fora das quatro linhas.
O presente e o desejo de um novo futuro - Hoje, o Jabaquara tenta reconstruir sua trajetória. Firme no Paulista A4 nas últimas temporadas, quem sabe, todos torcem para que o Leão da Caneleira pode voltar a ser protagonista. E quem sabe, no embalo de uma nova fase, a Baixada não volte a ouvir a velha expressão que atravessou gerações: “Vou botar o Jabuca em campo!”



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