Violência no futebol também é um problema na Europa

Por Lucas Paes
Foto: Reprodução

Ônibus do Lyon foi apedrejado em Marseille

Uma das falas mais comuns, ou melhor, uma das comparações mais comuns usadas por veículos brasileiros ao falar sobre os inúmeros problemas que enfrentamos de violência entre torcidas é citar "como as coisas são diferentes na Europa". A verdade para quem conhece o cenário do futebol do velho mundo é que a situação por lá é tão tensa quanto na América Latina, apesar do número bem mais baixos de mortes envolvendo o esporte. Na tarde deste domingo, a violência voltou a ser notícia no velho mundo com o ônibus do Lyon sendo apedrejado e cancelando o clássico entre eles e o Marseille.

No que se refere a assunto de violência entre torcedores ou de torcedores, entre os países mais desenvolvidos a França é provavelmente o que mais sofre com a situação junto da Itália. Na mesma medida em que várias torcidas francesas dão shows nas arquibancadas, os episódios de violência ocorrem com uma frequência alarmante no país. Hoje rico, o PSG já foi "dono" de uma torcida temida por toda a europa. Lyon, Marseille e até mesmo times como Lille e Nantes não ficam para trás e possuem Ultras com vários episódios de violência em suas histórias.

O apedrejamento ao ônibus do Lyon, que cancelou o clássico contra o Olympique de Marseille neste domingo é apenas mais um na grande conta de problemas que a França enfrenta com seus torcedores. O duelo acabou adiado após o treinador Fábio Grosso, que já foi inclusive um tremendo lateral esquerdo, ser atingido por uma das pedras que atingiu o ônibus e se ferir. Recentemente, a mesma torcida do Marseille paralisou um jogo de Liga Europa ao arremessar sinalizadores no campo. 

Engana-se, porém, quem pensa que a França é o único entre os países desenvolvidos que enfrenta problemas com a violência entre suas torcidas. A Itália também sofre muito na mão de seus ultras e é outro local onde são relativamente comuns os episódios envolvendo brigas entre torcidas, mesmo entre os clubes mais conhecidos. O clássico entre Juventus e Internazionale, por exemplo, dificilmente acontece sem problemas entre Curva Nord e Drughi. Se você colocar na conta o Derby da capital entre Roma e Lazio, a conta explode.

Além destes, outros dos países mais conhecidos ainda passam por problemas, casos como a Alemanha, onde há uma melhor contenção da violência entre torcedores, porém as vezes ela ainda ocorre; Espanha, que mesmo banindo alguns grupos ainda tem seus problemas, Holanda, onde Ajax e Feyenoord jogam com torcida única devido ao histórico violento do confronto e, é claro, Reino Unido, que contém melhor os problemas na soma de punição e ingressos caros, mas ainda sofre com brigas pequenas relativamente comuns entre os resquícios dos Hooligans. Além de paraísos como Suíça, Finlândia, Suécia e até a Noruega e a Dinamarca.


Se passarmos para o lado mais "underground" da Europa aí a situação é quase equivalente aos piores clássicos sul-americanos. É até desnecessário tecer comentários sobre o incendiário (às vezes literalmente) duelo entre Estrela Vermelha e Partizan. O leste europeu é tomado por confrontos pesados entre torcedores, desde a Polônia e a Grécia e seu clássicos de torcida única, que nem são tão leste assim, até Bósnia, Bulgária e diversos outros integrantes da antiga Iugoslávia, sem esquecer, é claro, da Rússia. 

Em resumo, o triste episódio deste domingo com o ônibus do Lyon mostra o quão grande e "globalizado" o problema da violência no futebol ainda é, por mais que há quem diga que este é um problema exclusivo sul-americano. A discussão sobre as brigas no esporte bretão não pode ser separada do que é a sociedade como um todo. Tanto quanto nós sul-americanos, os europeus também tem as brigas de torcida para chamarem de suas. 
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