Há 30 anos, Omam-Biyik fazia os Leões Indomáveis rugirem alto contra os argentinos

Por Lucas Paes
Foto: Fifa.com

Omam-Biyik sobe mais que todos para marcar

O Estádio Giuseppe Meazza, muito mais conhecido como San Siro pela maioria das pessoas, já foi testemunha de diversos gols históricos do futebol. Começando por praticamente todas as histórias envolvendo os rivais Inter e Milan, passando por contos da Seleção Italiana de futebol e também diversas lendas da Copa do Mundo de 1990. Num 8 de junho como hoje, naquela copa, os Leões Indomáveis rugiam alto contra a atual campeã Argentina com uma vitória histórica.

Os albicelestes estreavam naquele mundial com o imenso favoritismo de serem os atuais campeões do torneio e terem o melhor jogador da época dentro de seus quadros. Maradona vivia estado de graça e tinha bons nomes ao seu lado, como Batista, Burruchaga e o matador Cannigia. Com isso esperava-se que os camaroneses, que jogavam o mundial apenas pela primeira vez se provassem uma presa fácil para o ótimo time argentino.

Mas o futebol, como lindo esporte que é, como reflexo de um mundo bonito que sonhamos, dificilmente aceita a lógica. Implacáveis as entidades sagradas deste esporte costumam ser quando avizinham-se favoritismos para um dos conjuntos. Naquele dia, o tapete verde de San Siro viu desfilar muita raça e dedicação dos Leões Indomáveis, que domaram os argentinos com maestria e seguraram o placar igual na primeira etapa.

Na segunda etapa, um dos nobres guerreiros vindos da mãe-África acabou mostrando vontade em excesso. Andre Kana-Biyik fez uma falta feia e acabou expulso, deixando os camaroneses com um a menos. Porém, ariscos, os leões apenas se fingiam de mortos para dar seu golpe final em sua presa. O relógio marcava 22 minutos da segunda etapa quando Lorenzo fez falta em Makanaky pela faixa esquerda do campo. Ndip jogou para a confusão sem muita força, mas Makanaky, no caminho da história, jogou a redonda para os céus. Sabe-se lá qual entidade colocou a gorduchinha na trajetória de um dos camaroneses, Omam-Biyik voou, pareceu parar no ar como um imponente e belo beija-flor e fez com que sua cabeça desviasse a bola para as redes, diante de um atônito Sensini, que viu Pumpido se atrapalhar e a galera explodir com o gol camaronês.

Os argentinos tentaram reagir, mas pareciam predestinados a serem apenas o antagonista da história. Massing ainda foi expulso no finalzinho, deixando seu time com apenas nove em campo, mas de nada adiantou para mudar os rumos de um duelo que entraria para a história. Camarões dava um passo enorme para se classificar para o mata-mata. A Argentina saia do San Siro derrotada e preocupada em meio a festa do sofrido, porém guerreiro povo africano.


Os Leões Indomáveis ainda venceriam a Romênia naquela primeira fase da Copa, encerrando o estágio dos grupos com uma goleada sofrida para os Soviéticos que de nada serviu para mudar os rumos da competição. Nas oitavas de final, a Seleção Camaronesa ainda venceria a Colômbia antes de sucumbir para os ingleses nas quartas, vendendo a derrota de forma muito cara. Um dos destaques daquela Copa do Mundo foi o já experiente Roger Milla, que aos 38 anos assombrou o mundo com seus gols. A "Excelência", apelido que ganhou após 1990, ainda faria história em 1994, sendo até hoje o jogador mais velho a marcar um gol num mundial.

Já os Argentinos, que avançariam aos trancos e barrancos para o mata-mata, ganharam força após eliminar os históricos rivais brasileiros nas oitavas. Nas quartas e nas semis, passariam por duas decisões por pênaltis, protagonizadas por Goycochea antes de perderem a final para a Alemanha, ironicamente com um gol de Brehme. 

Os camaroneses são até hoje uma das maiores referências de futebol no continente africano. Desde 1990, eles não participaram apenas das copas de 2006 e 2018, jogando todas as outras edições. Apesar de ser presença constante, nunca mais conseguiram repetir o desempenho de 1990. Apesar disso, conseguiram uma histórica medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Sidney, em 2000, até hoje a maior conquista do país no esporte bretão.
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