A história do Atlético Mineiro campeão da Libertadores 2013

Foto: Wikimedia / Public Domain

Um dos clubes mais tradicionais do Brasil, o Atlético Mineiro é reconhecido por sua linda história e também pela força de sua torcida. Campeão brasileiro de 1971 e da primeira Copa Conmebol, o Galo teve grandes times nas últimas décadas e também craques como o ídolo Reinaldo, mas mesmo assim o clube bateu na trave em inúmeras oportunidades na busca de uma grande conquista. Até que, em 2013, o pesadelo de anos foi embora e torcedor atleticano pôde lavar a alma com o título da tão sonhada Copa Libertadores da América.

Como jogava o Galo campeão da Copa Libertadores de 2013 

Treinado por Cuca, o Galo de 2013 era a base do time vice-campeão brasileiro de 2012. O elenco tinha jogadores de muito peso, como o goleiro Victor, os zagueiros Réver e Leonardo Silva, o lateral-direito Marcos Rocha, os atacantes Bernard, Diego Tardelli e Jô, além da estrela principal: o craque Ronaldinho Gaúcho. 

Naquela temporada, a fortaleza da equipe era a Arena Independência, campo de jogo em que o Galo era praticamente imbatível e que gerou a famoso canto ecoado pelos torcedores durante as partidas: “Caiu no Horto, tá morto!”

Arena Independência em dia de jogo do Galo (foto: Wikimedia/CC BY-SA 3.0)

Cuca utilizava muito bem a velocidade do time pelas pontas, com Ronaldinho distribuindo o jogo para os velozes Bernard e Tardelli encontrarem o centroavante Jô no meio da área. Outra característica marcante do galo campeão da Libertadores era a sua marcação sob pressão — muitas vezes individual e pouco setorizada. 

Além disso, o time tinha uma jogada aérea muito forte com as “torres gêmeas” — como era conhecida a dupla de zagueiros formada por Leonardo Silva e Réver. Seja em escanteios, ou em faltas que eram cobradas na área do adversário por Ronaldinho, a bola aérea era uma forte carta na manga de Cuca. 

O lateral-esquerdo Richarlyson e os volantes Pierre e Leandro Donizete também tinham participação importante no time e davam equilíbrio ao sistema defensivo. Pierre e Donizete protegiam muito bem a área defensiva, mas pecavam um pouco na saída de bola e, muitas vezes, o galo era obrigado a jogar com a bola esticada, com lançamentos partindo da defesa para encontrar o centroavante Jô — jogada que funcionava muito bem. 

Como alternativa aos volantes titulares, o Galo contava o experiente volante Josué, que não tinha o mesmo poder de marcação dos titulares Pierre e Donizete, mas entregava ao time uma melhor saída de bola, na transição da defesa para o ataque.

Jogos marcantes na campanha até a grande final 

Equipe entrosada e muito bem treinada por Cuca, o Atlético Mineiro não sofreu na fase de grupos. Em seu grupo, o Galo teve a companhia de São Paulo, Arsenal de Sarandí (Argentina) e The Strongest (Bolívia). 

Nas seis partidas disputadas na primeira fase da competição, a equipe de Belo Horizonte ganhou 15 dos 18 pontos disputados, o suficiente para terminar a disputa de grupos com a melhor campanha geral da competição — o que dava direito ao Galo de decidir todos os jogos do mata-mata em casa. 

Nas oitavas de final, o time encarou o tricampeão São Paulo, mesmo adversário da fase de grupos. Contra o Tricolor Paulista, o Galo não passou por dificuldades e venceu as duas partidas, com a direito a goleada por 4 a 1 no jogo da volta. 

Na fase seguinte, quartas de final, o time de Cuca sofreu muito para passar do Tijuana, do México. No primeiro jogo, o Galo até conseguiu um bom resultado como visitante, ao empatar por 2 a 2. Porém, a partida da volta, no Independência, foi mais difícil do a equipe alvinegra esperava. 

Nos minutos finais de jogo, a partida estava empatada por 1 a 1 e o Galo se classificava naquele momento pelo gol a mais marcado fora de casa (critério de desempate), porém o zagueiro Leonardo Silva fez um pênalti aos 47 minutos do segundo tempo. Ou seja, se a equipe mexicana convertesse a cobrança, era fim de linha para o Atlético Mineiro na competição. 

No entanto, o goleiro Victor chamou a responsabilidade para si e defendeu a cobrança do atacante Duvier Riascos, colocando o Galo na semifinal da Libertadores. A defesa do goleiro atleticano com o pé esquerdo imortalizou o nome de Victor na história do Atlético Mineiro, que até hoje é chamado pelos torcedores de “São Victor do Horto”.

Defesa de Victor que levou o Galo para a semifinal (foto: Reprodução/ ocuriosodofutebol.com.br)

O duelo da semifinal foi contra os argentinos do Newell's Old Boys e, para variar, com muita emoção para os torcedores do Atlético Mineiro. No jogo da ida, o Galo foi dominado na Argentina e perdeu a partida por 2 a 0. Com isso, a equipe de Cuca precisava de reverter o placar desfavorável em casa — e a torcida não decepcionou do Galo não decepcionou. 

O Independência virou uma enorme panela de pressão em cima dos argentinos, que pouco conseguiram jogar contra a forte pressão do time atleticano. Muito melhor que o adversário, o Galo conseguiu vencer a partida por 2 a 0 com um gol salvador de Guilherme, no final da partida. 



Com placar final igual no agregado, o jogo foi para os pênaltis e novamente a estrela de Victor brilhou. Desta vez para colocar o Atlético Mineiro em sua primeira final de Copa Libertadores da América, contra os paraguaios do Olímpia.

Decisão contra o Olímpia: final com jeito e cara de Galo 

Por mais que a equipe de 2013 era composta por muitos atletas experientes, a pressão da conquista Libertadores era muito grande em cima dos jogadores alvinegros, já que o Galo não vencia um título muito importante desde a conquista do Campeonato Brasileiro de 1971. 

No primeiro jogo da decisão, o Atlético Mineiro se mostrou muito nervoso e ansioso ao mesmo tempo. Com isso, a equipe foi denominada pelo Olímpia, que venceu a partida em seus domínios pelo placar de 2 a 0. 

Sendo assim, o mesmo filme da semifinal se repetia, porém com um detalhe importante: por questões de regulamento, o palco da decisão foi o Mineirão e não o Independência. Isso porque o regulamento para a final exigia um estádio com capacidade de no mínimo 40 mil lugares e o Independência suporta no máximo 25 mil pagantes. 

Como não poderia ser diferente, rapidamente a torcida do Galo esgotou todos os 56 mil ingressos colocados à venda e lotou o Mineirão para ajudar o time em mais uma missão difícil. Segundo sites de aposta esportiva online como Betway, por exemplo, o Atlético Mineiro entrou para o jogo decisivo daquela Libertadores com 72% de chances de ganhar o confronto em casa. Porém, não bastava apenas ganhar a partida por um placar simples, já que o Galo havia perdido o jogo da ida por uma diferença de dois gols para os paraguaios. 

Depois de passar o primeiro tempo em branco, o Atlético Mineiro voltou com grande ímpeto para a segunda etapa e logo de cara abriu o placar com Jô, artilheiro da Libertadores naquela temporada. 

Apesar do gol cedo na etapa final e a forte pressão do Galo em cima dos paraguaios, o segundo gol, que seria o suficiente para manter a equipe viva na final, não saía e a tensão no Mineirão só aumentava por parte dos torcedores. Até que, os 41 minutos do segundo tempo, Leonardo Silva aproveitou um cruzamento certeiro de Bernard para marcar um belo gol de cabeça e assim colocar o Galo de volta no páreo. 


Como o regulamento da final previa prorrogação em caso de empate na soma geral dos placares, Galo e o Olímpia jogaram por mais 30 minutos – mas não conseguiram marcar nenhum gol. Portanto, era o Atlético Mineiro novamente em outra decisão por pênaltis naquela histórica campanha. 

Apesar do esperado nervosismo dos atleticanos, a confiança dos torcedores em cima de Victor era muito grande, visto que o goleiro é um grande pegador de pênaltis e estava na melhor fase de sua carreira. 


Sendo assim, com o Galo sem errar sequer uma cobrança e Victor novamente inspirado para defender os pênaltis, o Atlético Mineiro venceu a disputa por 4 a 3 e sagrou-se como campeão da Copa Libertadores da América pela primeira vez em sua história.
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