Que o resgate venha para ficar - Uma ode ao futebol e ao esporte de outrora

Por Lucas Paes
Foto: Juca Varella / FolhaPress

O penta foi reprisado no último domingo em rede nacional

O Coronavírus causou uma pausa no futebol e no esporte mundial, exceto pelos poucos países cobertos na nossa recente série "Onde a bola ainda rola" e por pouquíssimas competições. No Brasil, com todos os campeonatos paralisados, ficou a lacuna de jogos e competições ao vivo nos canais esportivos e, no caso da Rege Globo, a lacuna do horário do domingo, as 16 horas. Enquanto isso, cresce a audiência nos canais de esporte das reprises de jogos antigos. Aproveitando-se desse "hype", por falta de um melhor termo, ocasionado pelo momento, agora temos grandes vitórias da Seleção Brasileira sendo reprisadas no horário em que teríamos os jogos das 16 horas e VTs de diversos jogos antigos nos canais de esporte.

No domingo passado, dia 12 de abril, foi batido um recorde de audiência quando a Rede Globo transmitiu em rede nacional o VT do pentacampeonato do Brasil, na histórica vitória por 2 a 0 sobre a Alemanha, que representou a redenção de Ronaldo Fenômeno, em 2002. Na TV fechada, tanto a Sportv, que tem compactos e a interessantíssima faixa especial, também tem tido boas audiências. Nem só na Globosat temos eventos antigos, já que na Fox Sports tivemos finais de Libertadores reprisadas, na ESPN jogos de diversas temporadas da Premier League, entre outros. Temos também, é claro, reprises de outros esportes, como corridas de Senna na Formula 1. O momento é de recordação e faz com que se questione: Por que não manter essa ode ao ontem?

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Talvez seja utópico pedir que a televisão aberta passe reprises de jogos históricos da Seleção Brasileira, porém, em tempos onde a televisão perde audiência para a internet, talvez seja uma alternativa interessante. A nostalgia é um dos sentimentos mais fortes que o ser humano pode sentir e saudade é amiga da lembrança que pode nos levar a querer reviver momentos antigos. As vezes, uma final histórica, como a do pentacampeonato, pode gerar índices de audiência maiores do que um "besteirol americano". Uma sequência no domingo de um VT e um jogo ao vivo poderia gerar bons resultados e prender a audiência que a televisão vem perdendo dia após dia. 

Na TV fechada, onde os índices de audiência são menores e portanto um pouco menos determinantes, já é possível imaginar que algumas repetições sejam mantidas. Um caso bem provável é o da Faixa Especial do Sportv: o programa, criado em meio ao contexto do coronavírus, tem gerado repercussão grande nas redes sociais e já é possível imaginar que ele permaneça na grade do canal. Além da oportunidade de pessoas mais velhas relembrarem dias marcantes em suas vidas, é também uma oportunidade dos mais novos verem porque se fala tanto de coisas que talvez eles não tenham visto.

Não se trata exatamente de uma novidade se reprisar jogos do passado. Quando os direitos de transmissão eram dela, a ESPN Brasil sempre ficava na semana da final da Liga dos Campeões passando finais anteriores e relembrando histórias da competição. A Sportv, tão adepta em alguns momentos da nostalgia, também aproveita alguns momentos para fazer especiais com reprises antigas. É preciso, porém, pensar que talvez não seja necessário uma causa para relembrar o passado. Não é preciso esperar a morte de algum jogador antigo para reprisar jogos de times que ele fez parte, esperar a proximidade de uma final ou de uma competição para reprisar momentos históricos, enfim, não é preciso um contexto, as vezes, relembrar é muito bom.


Além disso, a história, tão vilipendiada em tempos recentes, é importante em todos os campos da vida e não é diferente no esporte e no futebol. Sem necessariamente pensar nisso, a televisão tem dado uma aula sobre a história do esporte. O exemplo mais claro é o que vem ocorrendo essa semana, com a reprise dos jogos do terceiro título mundial do Brasil em 1970, onde é possível ver o quão enorme de fato era aquela seleção. É claro, também, que reprisar o penta faz com que os mais novos entendam porque, e nesse caso eu me coloco no meio, sentimos tanta saudade da Seleção Brasileira de 2002. É uma oportunidade ótima para todos os envolvidos: nós, a audiência, para relembrar, reviver, ou mesmo ver e aprender, a quem transmite, a oportunidade de narrar e comentar dias que nem sempre os profissionais envolvidos poderiam ter vivido.

Foi necessário uma paralisação tão triste do esporte para entendermos como, as vezes, é tão importante e tão legal olhar para nosso passado e nossa história. Talvez seja interessante que a programação possa reservar um espaço para relembrarmos, revivermos e aprendemos sobre quanta bola foi jogada antes de nós, sobre quantos golaços foram marcados, quantas histórias maravilhosas foram escritas no tapete verde, que derramaram lágrimas e causaram felicidades, sorrisos e abraços. No meio do caos, uma ode ao futebol antigo, a heróis que merecem seu lugar no panteão, heróis as vezes tão apagados pelos incríveis feitos atuais, mas é preciso respeitar quem chegou onde eles chegaram. Que a Faixa Especial, os VTs de Libertadores, as reprises da Seleção venham para ficar, mesmo quando a "tempestade" passar.
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