domingo, 19 de janeiro de 2020

A primeira partida do Santos FC contra um time estrangeiro

Foto: arquivo Santos FC

O time do Santos de 1917: o primeiro do clube a enfrentar uma equipe estrangeira

O dia 19 de janeiro de 1917 é um marco para a história do Santos FC. Neste dia, na Vila Belmiro, o Peixe, pela primeira vez em sua história, enfrentava uma equipe estrangeira, o Dublin FC, do Uruguai. Seria a primeira de muitas na jornada do clube, que se tornaria o clube brasileiro mais conhecido fora, principalmente com seu time da década de 60.

O futebol, naqueles tempos, era muito mais desenvolvido nos vizinhos Uruguai e Argentina do que no Brasil. Então, para um time brasileiro encarar uma equipe charrua era uma atração e tanto. Não era a primeira vez que um "escrete" estrangeiro jogava na terra de José Bonifácio de Andrada e Silva. Em  21 de setembro de 1908, um combinado argentino, que estava excursionando por aqui e fazendo jogos, encarou um selecionado da cidade e goleou por 6 a 1, no campo da Ana Costa. Ms aquele jogo seria especial.

Fundado em 1906, o Dublin nem era um dos grandes do futebol uruguaio. O time venceu a segunda divisão do seu país em 1915 e se alternava com boas colocações na elite, como as quartas colocações em 1908, 1911 e terminaria novamente nessa posição em 1918, e rebaixamentos. Mas, para o então nível do futebol brasileiro, era um grande encontro.

O Santos, ainda inexperiente, tinha voltado ao Campeonato Paulista em 1916 – quando foi o quinto colocado em sete participantes – depois de abandonar a competição em 1913 e ausentar-se nas edições de 1914 e 1915. De qualquer forma, o jornal Correio Paulistano, da capital, previa um jogo “movimentado e brilhante” na Vila Belmiro.

A verdade é que os uruguaios tinham surrado todo mundo no Rio de Janeiro e vinham de uma golear por 5 a 1 a Seleção Paulista. Em sete jogos no Brasil só tinham perdido para o Paulistano, e por apertados 2 a 1. No Rio, venceram duas vezes a Seleção Carioca, empataram com a Seleção Brasileira e golearam o Botafogo por 5 a 1 e o América por 4 a 1. Mas o Correio Paulistano acreditava, ou torcia, para uma boa performance santista:
"É grande o interesse com que se espera esse jogo. Sabe-se que o team do club santista é bem organizado, dispõe de optimos elementos e, sobretudo, de muito training, em virtude das condições de seu ground extenso e não gramado. A disputa vai ser, portanto, movimentada e brilhante. O seu resultado poderá talvez tornar mais clara a posição de São Paulo em face dos nossos visitantes."

Bem que o Santos tentou vingar o futebol bandeirante. No primeiro tempo, com campo seco, o Peixe chegou a fazer 2 a 0, com Haroldo Pires Domingues e Ary Patusca. Mas o Dublin empatou ainda na primeira etapa, e na segunda, embaixo da chuva que tornou o campo escorregadio, fez mais quatro gols, fechando o placar com uma goleada de 6 a 2.

Como o navio dos uruguaios atrasou, o Santos pediu uma revanche, para o domingo, e dois dias depois voltaram a se enfrentar, com nova vitória do Dublin, dessa vez por 3 a 1. Retornaram os uruguaios para sua terra de barriga cheia e ego inflado. Em Santos foram tratados como reis.
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