O título do Palmeiras em cima do Corinthians no Paulista de 1974

Foto: arquivo Palmeiras

Em pé: Jair Gonçalves, Leão, Luiz Pereira, Alfredo, Dudu e Zeca
Agachados: Edu, Leivinha, Ronaldo, Ademir da Guia e Nei

Entre 1954 e 1977 a torcida corintiana sofreu muito, pois foram os anos de fila do Timão. Porém, o momento mais doloroso da fiel foi em 22 de dezembro de 1974, quando os aficionados pelo Alvinegro lotaram o Morumbi na final do Campeonato Paulista daquele ano, contra o Palmeiras. Apesar do apoio da torcida, o título acabou ficando com o Verdão, mantendo o rival na fila.

Para o Campeonato Paulista de 1974 a Federação manteve a fórmula de disputa do ano, porém o número de participantes mudava de 12 para 14 equipes. Campeão do primeiro turno, o Corinthians se garantiu na grande decisão do campeonato e o pouco mais de dois meses de espera gerou enorme ansiedade. No final, os alvinegros se frustraram e sobrou para Rivelino.

Campeão do paulista do IV Centenário em 1954, o Corinthians desde então não levantou taça importante. O jejum de títulos alvinegro já durava 20 anos e, neste período dominado pelo Santos, com aparições esporádicas de Palmeiras e São Paulo, o time do Parque São Jorge raramente esteve próximo de findar a agonia de seu torcedor.


Naquele 1974 a situação, porém, era diferente. Com quatro vitórias nos últimos cinco jogos do primeiro turno, o Corinthians do técnico Silvio Pirilo foi o vencedor desta primeira parte da competição e, com isso, conforme o regulamento estava garantido na final. O último jogo diante do São Paulo foi em outubro e, tendo todo o segundo turno ainda por acontecer, as finais do campeonato seriam apenas em dezembro. A ansiedade tomou conta dos corintianos e, inclusive, de parte da imprensa.
Caso vencesse também o segundo turno, o Corinthians seria o campeão paulista de 1974. Mas o time do Parque São Jorge fez campanha irregular e ficou apenas com a oitava melhor campanha. Na última rodada do segundo turno o Palmeiras enfrentaria o rival alvinegro precisando vencer para ficar com o título desta segunda parte da competição e fazer a decisão do campeonato. O 4 a 1 do Palmeiras sobre o Corinthians colocou os dois rivais frente à frente na decisão.

Mesmo após essa forte demonstração de superioridade do time palmeirense, a expectativa pelo título corintiano era imensa. Tinha de ser naquele ano. Ainda mais quando no primeiro jogo da decisão as equipes se equipararam e ficaram no empate por 1 a 1. Em 18 de dezembro Edu abriu o placar para o Palmeiras aos 54 segundos de jogo, enquanto Lance empatou três minutos depois.


Quatro dias depois, domingo, 22 de dezembro, o Palmeiras enfrentaria Buttice, Zé Maria, Brito, Ademir, Vladimir, Tião, Rivelino, Vaguinho, Lance, Zé Roberto, Ivan, Adãozinho, Pita e mais de 100 mil corintianos que lotaram o Morumbi. A atmosfera era toda montada para assistir ao fim do jejum de títulos que, desta vez, não escaparia, acreditava o torcedor alvinegro e grande parte da imprensa e dos amantes do futebol, comovidos com tamanha espera e esperança pelo fim de um longo e árduo período sem festa.

Aos 34 minutos do segundo tempo o volante improvisado na lateral direita Jair Gonçalves cruzou para Leivinha que de cabeça escorou para Ronaldo chutar forte. Era o gol palmeirense que definia não apenas mais um título alviverde, mas a continuidade da agonia alvinegra. Além do gol, Luís Pereira afagando Rivelino após mais uma tentativa frustrada de o craque corintiano vencer a defesa rival, ficou para história, marcando aquele jogo como a despedida do Reizinho do Parque, em clima ruim com a torcida que o consagrou como um dos melhores jogadores de todos os tempos.
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