sexta-feira, 8 de junho de 2018

1986: a verdadeira grande geração da Seleção Belga

Por Lucas Paes 

A grande geração belga dos anos 80 teve o seu ápice na Copa de 86: quarto lugar

Inegavelmente, contando hoje com nomes como Hazard, De Bruyne, Lukaku, entre outros, os Red Devils ainda se deram ao luxo de deixar Naiggolan de fora da lista do time de 2018. Porém, a grande campanha dos belgas em mundiais foi em 1986, quando o time comandado tecnicamente pelo “Príncipe” Enzo Scifo, pelo voluntarioso Ceulemans, pelo extremamente talentoso Gerets e contando com o paredão Pfaff, melhor goleiro daquele torneio, foi até as semifinais no México. 

Não era a primeira vez que aquele time se destacava. Depois de um longo inverno no futebol, após o título olímpico de 1920, em casa, os belgas começaram a dar sinais de que algo ia ocorrer com as ótimas campanhas de clubes de seus países em competições europeias. O Anderlecht, mais tradicional time do país, foi bicampeão da Recopa Européia e da Supercopa da UEFA. Com Guy This comandando a equipe, os Diabos Vermelhos fizeram grande campanha nas eliminatórias da Eurocopa de 1980, o time chegou a final, mas acabou derrotado pelos alemães. Era só o começo. 

Os belgas foram a Copa de 1982 também, onde acabaram caindo na fase final, após desbancarem a Argentina na primeira fase. Em 1984, foram de novo a Euro, mas pararam na primeira fase. Nas eliminatórias para a Copa do Mundo, os belgas dependeram da repescagem, onde enfrentaram a Holanda, que já tinha parte do histórico time de 1988. Após vencerem em casa por 1 a 0, os comandados de This perdiam por 2 a 0 em Roterdã até Grun marcar no finalzinho o gol da vaga.

A vitória por 4 a 3 sobre a União Soviética foi um dos melhores jogos da Copa

No México, com Scifo, Gerets, Ceulemans e com Pfaff em estado de graça, a estreia da Bélgica esteve longe do ideal. Diante dos donos da casa, no sol do meio dia daquele dia 2 de Junho, em um abarrotado Estádio Azteca, Quirarte e Sanchez botaram os donos da casa em vantagem e o gol de Vanderbergh foi insuficiente para os flamengos, que acabaram derrotados. O fantasma da decepção de 1984 assombrava os Diabos Vermelhos. Uma curiosidade é que os belgas haviam se preparado e viajado com 20 mil litros de água e muitos quilos de queijo holandês, para evitar o Mal de Montezuma que costuma afetar turistas que vão ao México. 

Necessitando da vitória, Scifo e cia entraram em campo seis dias depois em Toluca precisando da vitória diante do Iraque. Com gols do Principe e de Claesen, de pênalti, eles logo abriram 2 a 0. Aos 14 minutos do segundo tempo, Radhi até diminuiu para os iraquianos, mas a reação parou por aí e a Bélgica conquistou sua primeira vitória naquele mundial. 

Na última partida da fase de grupos, três dias depois, outra vez em Toluca, os Diabos Vermelhos enfrentaram outra das sensações daquele torneio, o surpreendente Paraguai. Num bom jogo, Vercauteren colocou os diabos a frente aos 30’. Logo no início do segundo tempo, Roberto Cabañas deixou tudo igual. Veyt, aos 14’ da etapa final, fez o segundo da Bélgica, mas Cabañas marcou outra vez aos 31 e deu números finais ao jogo. O resultado classificou ambas as equipes, o Paraguai na segunda colocação e a Bélgica como um dos melhores terceiros colocados. O México avançou em primeiro e o Iraque acabou eliminado.

Enzo Scifo era um dos grandes nomes da equipe

Nas oitavas, de cara, veio a União Soviética, um dos favoritos na época. O Jalisco, em Guadalajara, acabou testemunha de um dos maiores jogos da história da Copa do Mundo naquele 15 de junho. Belanov botou os soviéticos a frente e a URSS só não ampliou porque Pfaff estava inspirado. Scifo empatou no começo da etapa final, mas Belanov voltou a marcar e deixar o Exército Vermelho na frente. Ceulemans fez o gol que decretou a prorrogação. Demol e Claesen deram boa vantagem para os belgas no tempo extra e o terceiro de Belanov no jogo, de pênalti, não foi suficiente para mudar a história da classificação. 

Nas quartas, no dia 22 de junho, em Puebla, a Bélgica teve a Espanha como adversária. Contra uma Fúria que tinha como base o sensacional Real Madrid da Quinta Del Butre, Ceulemans botou os Diabos Vermelhos na frente, aos 35 minutos de jogo. Pfaff, mais uma vez, fazia atuação magistral. Quando parecia que a vaga era da Bélgica, Señor empatou, aos 40’ do segundo tempo. Sem ninguém marcar na prorrogação, a definição ficou para os pênaltis. A defesa de Pfaff no pênalti de Eloy garantiu a vaga nas semis, já que a decisão terminou com placar de 5 a 4 para os flamengos. 

Nas semifinais, que ocorreram três dias depois, o adversário foi só a Argentina, de um tal de Maradona. Diante de um atônito Azteca, a Bélgica foi valente, mas Don Diego, vulgo deus para alguns, teve atuação digna de tal titulo e com dois golaços botou a Albiceleste na final. Guerreira, a Seleção Belga caiu de pé, diante de um time que tinha um dos maiores jogadores da história do futebol no auge de seus dias.

A Argentina de Maradona eliminou a Bélgica na semi

Três dias depois, a decisão do terceiro lugar, em Puebla, testemunhou outro jogaço envolvendo os belgas. A França de Papin e Platini viu Ceulemans botar a Bélgica na frente. Ferreri e Papin viraram para os Bleus, mas Claesen deixou tudo igual e levou a decisão para a prorrogação. Nela, com um time mais inteiro, Genghini e Amoros fizeram os gols da vitória francesa, nada que apagasse a incrível campanha da Bélgica. 

Depois daquela Copa, a Bélgica fez campanhas razoáveis nos mundiais seguintes, tendo inclusive classificando-se em sequência para as edições entre 1990 e 2002 e sempre indo ao mata-mata, exceto em 1998. Em 2002, por exemplo, complicaram a vida do Brasil de Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo, sendo um dos adversários mais complicados dos Canarinhos na estrada do Penta. Depois de não classificarem em 2006 e 2010, a “Nova Geração Belga” fez boa campanha aqui no Brasil e ficou em sexto lugar, mas sem fazer grandes exibições. 

Se Hazard, De Bruyne e cia ilimitada. Se inspirarem em Scifo e seus companheiros de 1986, podemos ter surpresas vindo da Seleção Belga em 2018. Tecnicamente, o time atual é provavelmente, de fato, o melhor da história dos Diabos Vermelhos. Até onde isso levará a Bélgica na Rússia só saberemos daqui há algumas semanas.
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