segunda-feira, 16 de abril de 2018

O Marrocos na Copa do Mundo de 1986

Por Victor de Andrade

Seleção do Marrocos de 1986: o primeiro africano a passar de fase em uma Copa do Mundo

Voltando a estar em uma Copa do Mundo na edição deste ano, que será realizada na Rússia, a Seleção do Marrocos tinha disputado pela última vez em 1998, quando o Mundial foi na França. Reconhecida como uma das grandes forças da história do seu continente, os Leões do Atlas têm uma grande marca: em 1986, no México, a equipe chegou às oitavas de final, tornando-se os primeiros africanos a conseguirem o feito.

A África sempre foi um continente com talentos que precisavam ser lapidados para o futebol, tendo como exemplos Just Fontaine (marroquino de nascimento, mas que defendeu a França em 1958) e Eusébio (que nasceu em Moçambique, mas virou ídolo da Seleção Portuguesa e do Benfica). Porém, suas seleções demoraram para conquistar resultados expressivos.

A primeira vitória de um africano em Copas do Mundo foi apenas em 1978, quando a Tunísia venceu o México por 3 a 1. Em 1982, o crescimento foi maior ainda: por muito pouco, um africano não avançou de fase. Camarões empatou os seus três jogos e só perdeu a vaga na segunda fase para a Itália, que seria a campeã, no número de gols marcados. A Argélia venceu a Alemanha na estreia e o Chile, mas acabou não avançado, mesmo empatado em pontos com os germânicos e a Áustria, por causa do saldo de gols.

Marrocos segurou a Inglaterra: 0 a 0

Quem quebrou a escrita foi o Marrocos. Para chegar à segunda Copa do Mundo de sua história (tinham ido em 1970), os Leões do Atlas passaram por uma Eliminatória Africana totalmente disputada no sistema mata-mata. Eliminaram primeiro Serra Leoa (vitórias por 1 a 0 e 4 a 0), Malawi (triunfo por 2 a 0 e empate em 0 a 0), Egito (avançou com os mesmos placares dos confrontos da fase anterior) e Líbia, onde venceu o primeiro jogo por 3 a 0 e mesmo a derrota por 1 a 0 na volta garantiu a equipe no Mundial que estava marcado para a Colômbia, que desistiu, e foi remarcado para o México.

No sorteio, o Marrocos, dirigido pelo brasileiro José Faria, que era radicado no país africano e que depois passou a usar o nome mulçumano José Medi Benfaria, caiu em uma chave equilibrada, o Grupo F, mas estavam longe de ser favoritos. Enfrentariam a Polônia, terceira colocada em 1982, a Inglaterra, campeã em 1966 e com uma boa geração, com nomes como John Barner e Gary Lineker, e Portugal, que também estava em sua segunda Copa e apostava suas fichas em Paulo Futre.

A estreia dos marroquinos, que tinha como grande nome Mohamed Tomoumi, que ganhou o prêmio de melhor jogador africano em 1985, foi contra a Polônia, no dia 2 de junho de 1986, no Estádio Universitário, em Monterrey. Apesar do favoritismo dos poloneses, os Leões do Atlas foram valentes, equilibraram a partida e seguraram o 0 a 0. O segundo confronto, quatro dias depois, também em Monterrey, mas no Estádio Tecnológico, era contra a Inglaterra. O Marrocos sofreu mais neste dia, mas o placar final foi o mesmo: 0 a 0.

Vitória contra Portugal colocou o Marrocos nas oitavas

Com dois pontos, apesar de ainda sem vencer, o Marrocos ainda tinha chances, teria que triunfar em cima de Portugal, que havia batido a Inglaterra e perdido para a Polônia. Pois os Leões do Atlas surpreenderam: Abderrazak Khairi, aos 19' e aos 26', colocou os africanos à frente. Na segunda etapa, os portugueses foram para cima, tentando reverter o marcador e deixou espaços livres. Merry Krimau, aos 17', se aproveitou e fez o terceiro. Diamantino, aos 35', ainda diminuiu, mas a festa era do Marrocos.

Para melhorar ainda mais a situação dos Leões do Atlas, a Inglaterra venceu a Polônia pelo placar de 3 a 0 no jogo da rodada. Então, o Marrocos, com quatro pontos, contra três de Inglaterra e Polônia e apenas dois de Portugal (e sempre vale lembrar que três pontos por vitória passou a valer na Copa de 1994), não só tinha se classificado como terminou a primeira fase como líder do Grupo F.

O primeiro lugar na chave não ajudou muito no confronto nas oitavas de final. Os marroquinos encarariam a Alemanha, que foi a segunda colocada do Grupo G, onde empataram com o Uruguai, venceram a Escócia e perderam para a Dinamarca, mas uma seleção de tradição, que naquele momento já tinha conquistado duas Copas e havia sido vice na edição anterior.

Sonho interrompido contra a Alemanha

Apesar do grande retrospecto alemão, os marroquinos entraram confiantes na partida, já que estavam invictos na competição, ao contrário dos germânicos. Foi um jogo equilibrado, onde a seleção do norte da África até teve algumas chances. Quando a partida se encaminhava para a prorrogação, Lotthar Matthäus, aos 42 minutos do segundo tempo, marcou o gol que eliminou o Marrocos da competição.

É claro que o fato do time ter segurado seleções do calibre de Polônia e Inglaterra e ainda ter chegado perto de uma prorrogação contra a Alemanha e acabou sendo eliminada com um gol no fim fez com que os jogadores ficarem tristes. Mas a marca tinha sido feita: foram os primeiros africanos que conseguiram passar de fase em uma Copa do Mundo! O feito quase se repetiu em 1998, mas uma inesperada derrota do Brasil para a Noruega tirou o sonho marroquino de avançar novamente.
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