sábado, 16 de setembro de 2017

O Gandulla argentino do Vasco que deu o nome aos gandulas


O futebol é pródigo de alguns fatos curiosos, que acabam sendo até adotados pela sociedade. Alguns ditados populares, como "pisando na bola" vem dos campos e arquibancadas, por exemplo. Vamos contar neste texto a história do jogador argentino que quando atuou no Brasil, mais precisamente no Vasco, acabou dando nome aos pegadores de bola nas partidas de futebol: Bernardo Gandulla.

Nascido em Buenos Aires, no dia 1º de março de 1916, o atacante começou no futebol em 1934, pelo Ferro Carril Oeste. O futebol argentino, naquela época, já era profissional e, junto com o uruguaio, o mais avançado do continente. Seus gols chamaram a atenção em toda a América do Sul e até Europa e Gandulla foi contratado pelo Vasco em 1939, quando o Brasil já havia profissionalizado o esporte e também, na época, vários clubes daqui contratavam atletas do país vizinho.

Porém, Gandulla, como jogador, não teve uma boa passagem pelo Vasco da Gama. Em virtude de uma série de complicações das legislações esportivas da época, o atacante não conseguiu ter uma sequência de jogos no Gigante da Colina.

Mesmo assim, o argentino entrou para história e fez aumentar a lista de papéis pioneiros desempenhados pelo futebol vascaíno em sua centenária trajetória. Como muitas vezes não estava jogando, Gandulla se destacou por correr atrás da bola toda vez que esta deixava as quatro linhas que delimitam o gramado. Fazia isso não apenas para seus companheiros cruz-maltinos, mas também para os times adversários, ganhando a simpatia de todos.

Na passagem pelo Boca, melhor fase da carreira

Gandulla voltou para a Argentina em 1940. Porém, primeiramente pelos campos do Rio de Janeiro e depois por todo o Brasil, quando alguém buscava a bola quando ela saía nas partidas, muita gente falava "ele está fazendo igual ao Gandulla". Foi a partir disso que o pegador de bolas no futebol brasileiro virou "gandula".

Um fato interessante é que a palavra "gandula" só existe no português brasileiro. Na Argentina, por exemplo, quem busca as bolas é chamado de “recogepelotas”, o que dá no mesmo que “apanha-bolas”, como até hoje são chamados os gandulas em Portugal.

Após sua passagem pelo Vasco, Gandulla voltou a atuar no futebol argentino. Em 1940, estreou pelo Boca Juniors, onde ficou até 1943, fazendo 57 jogos e 26 gols com a camisa Xeneize. Nesta época, mais precisamente em 15 de agosto de 1940, fez seu único jogo pela seleção, quando a Albiceleste derrotou o Uruguai, em Buenos Aires, por 5 a 0, pela Copa Mignaburu. Depois, o jogador passou novamente pelo Ferro Carril Oeste e encerrou a carreira em 1948, pelo Atlanta.

É verdade que em campo, o argentino não chegou perto de marcar seu nome na história do Gigante da Colina, como fizeram Ademir, Vavá, Roberto Dinamite, Edmundo e tantos outros. Mas a contribuição de Gandulla para o futebol brasileiro foi inestimável. Afinal, seu sobrenome designa os encarregados de buscar a bola fora dos campos até hoje. Pródigo em derrubar paradigmas e preconceitos, o Vasco tem em Gandulla mais um dos personagens que fizeram o clube entrar para a história do futebol brasileiro.
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