quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

O Paysandu de 2002 que aterrorizou o Brasil e voou rumo à Libertadores

Por Lucas Paes

Jogadores comemorando o título de campeão dos campeões de 2002: caminho para a Libertadores

A Copa dos Campeões foi uma competição criada com o intuito de definir o quarto time brasileiro classificado para a Copa Libertadores da América. A competição teve três edições: em 2000 o Palmeiras levou a taça, em 2001 foi a vez do Flamengo. Mas é o campeão de 2002 que é o assunto deste texto: o Paysandu de Vandick, Jobson e cia, onde também jogava o atual preparador de goleiros da Briosa, Robson Agondi, comandado por Givanildo de Oliveira, campeão em cima do Cruzeiro, naquela que foi a maior edição da competição até então.

Os paraenses entraram como campeões da Copa Norte de 2002. Além do Papão, estavam na competição o Flamengo, o Fluminense e o Vasco do Rio de Janeiro; São Paulo, Corinthians, Palmeiras e São Caetano de São Paulo; Cruzeiro, Atlético Mineiro, Grêmio e Atlético Paranaense vindos da Sul-Minas; Goiás vindo da Copa Centro-Oeste e Bahia, Vitória e Náutico da Copa do Nordeste.

Os jogos ocorreram nos estádios do Castelão (CE), Mangueirão (PA), Albertão (PI) e Machadão (RN). O Paysandu ficou no grupo A, ao lado de Corinthians, Fluminense e Náutico e as equipes jogaram apenas no Mangueirão. Jogando em casa, o Paysandu não estreou tão bem, empatando em 1 a 1 com o Corinthians. Na segunda rodada o time outra vez deixou a desejar e não saiu do zero com o Fluminense. Foi só no terceiro jogo que o Papão finalmente venceu, em um bom jogo contra o Náutico, por 3 a 2, classificando-se na primeira posição da chave.

Sandro Goiano e Fábio Júnior disputam jogada na final

Nas quartas de final, um duelo complicado contra o Bahia. O Bicolor paraense marcou primeiro com Jajá, levou o empate em pênalti convertido por Robson, o Robgol, mas, aos 45' da etapa final, em um pênalti mal marcado ,talvez compensando outro claríssimo não dado a favor dos paraenses, Jobson fez o gol da classificação do time da Curuzu para a próxima fase da competição.

Na semifinal, um duelo contra o gigante Palmeiras, que na época ainda não degringolava rumo ao descenso a série B, que viria um pouco mais tarde naquele distante 2002. O primeiro gol da partida saiu dos pés de Nenê, o mesmo que hoje veste a 10 do Vasco. Quem viu o Palestra sair em vantagem para o intervalo não imagina a avalanche que desmoronaria em cima do Alviverde. Logo no começo da segunda etapa, Vandick deixou tudo igual, depois, Trinidade virou após cobrança de falta para a área. Mesmo tentando pressionar de alguma forma, o Palmeiras levou o golpe de misericórida com Albertinho, que marcou o gol da classificação.

Partida contra o Palmeiras

Na final, o adversário seria outro gigante brasileiro, o Cruzeiro: no jogo de ida, num Mangueirão abarrotado, o Cruzeiro sai na frente com Fábio Júnior. O empate Bicolor veio com Sandro Goiano, no rebote da cobrança de falta de Vélber, que explodiu na trave. Joãozinho, porém, acertou belíssimo chute para deixar o Cruzeiro na frente. Depois, Albertinho ainda desperdiçou um pênalti para o Bicolor. Aparentemente, o sonho do Papão acabaria ali.

O segundo duelo da decisão foi um dos melhores jogos de futebol da década passada: jogando num Castelão, que não estava lotado, as equipes proporcionaram um espetáculo de encher olhos: Fábio Junior colocou o Cruzeiro à frente logo aos 9 minutos. Só que, logo depois, Vandick empatou. A virada paraense veio com Vandick, de novo, após um frangaço de Jefferson, aos 21’. Aos 39’, Cris empatou para a Raposa, que nem teve tempo de comemorar, pois no lance seguinte, de novo Vandick deixou o Papão à frente.

Na segunda etapa, Fábio Júnior empatou o jogo, após rebote de Marcão, aos 6’. O Bicolor da Curuzu, porém, voltaria a ter vantagem cinco minutinhos depois, com Jobson marcando de cabeça. A partir daí, ninguém mexeu mais no placar e a decisão foi para a marca da cal, onde heróis são condecorados e vilões execrados e condenados à eternas dolorosas recordações.

As penalidades que deram o título ao Paysandu

O Cruzeiro começou cobrando com Ricardinho, que mandou no travessão. Jobson foi o primeiro batedor paraense e apenas deslocou Jefferson para fazer 1 a 0. Na segunda batida do Cruzeiro, outra bola no travessão, dessa vez de Vander. Velber, por sua vez, chutou no cantinho, e mesmo acertando o lado que a bola foi, Jefferson não conseguiu defender: 2 a 0 Paysandu. A situação começava a complicar para o time estrelado, e Jussiê entregou a chance do título aos paraenses, após ter sua cobrança defendida por Marcão.

Tudo ficou para os pés de Luiz Fernando, encarregado da possível última pá de cal no caixão cruzeirense e de bater o pênalti mais importante da história do Paysandu. O chute foi rasteiro, no canto e tocou na lateral da rede, que como se fosse uma ignição, explodiu a comemoração da torcida do Paysandu, espalhada desde o Castelão até qualquer confim deste planeta onde alguém fardasse sua camisa naquele dia 4 de Agosto de 2002: o Paysandu era campeão da Copa dos Campeões e estava classificado para a Libertadores de 2003.

Destaques da Equipe

Em 2002, o Paysandu conquistou o Paraense, Copa Norte e Copa dos Campeões

Marcão - Goleiro que passou a jogar a partir do segundo jogo, Marcão foi essencial e fez diversas defesas importantes na competição. 

Sandro Goiano - Antes de chegar à uma final de Libertadores com o Grêmio, Sandro Goiano foi o cão de guarda do meio de campo do Papão da Curuzu entre 2000 e 2004, jogando tanto a Copa dos Campeões quanto a Libertadores no ano seguinte. De quebra, ainda marcava seus golzinhos, como o gol de empate no primeiro jogo da decisão da Copa dos Campeões. 

Jobson - Sem ter grande passagem por nenhum outro clube, no Papão Jobson foi essencial na campanha do título da Copa dos Campeões de 2002, marcando gols importantes e participando da maioria das jogadas.

Vélber - Um dos melhores jogadores daquela equipe, Vélber comandava o meio de campo bicolor na campanha da Copa dos Campeões. Além da passagem pelo Paysandu, fez parte do grupo campeão Paulista e da Libertadores do São Paulo em 2005.

Vandick - Aos 36 anos, Vandick foi vice artilheiro da Copa dos Campeões de 2002, marcando 5 gols. No Papão, antecedeu Robgol, artilheiro absoluto da equipe em 2003. Considerado um dos grandes ídolos da história do Papão da Curuzu, Vandick se aposentou em 2003.
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Um comentário:

  1. O jogo contra o Palmeiras foi espetacular, a Final contra o Cruzeiro foi ÉPICA, fez minha irmã cruzeirense, que já dava o título como certo, chorar copiosamente, e eu rindo de tudo! haha

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