quinta-feira, 26 de novembro de 2015

A inacreditável Batalha dos Aflitos completa 10 anos

Comemoração dos gremistas

Um clube campeão mundial, bi da Libertadores e com vários títulos nacionais tem como uma de suas partidas mais importantes de sua história uma decisão de Brasileirão Série B. É incrível isto, não? Mas, realmente não foi uma partida comum. Hoje, 26 de novembro, completa 10 anos do dia em que o Grêmio venceu o Náutico por 1 a 0 e conquistou a segunda divisão do Brasil. O título é diminuto, perto das outras conquistas, porém o Tricolor Gaúcho derrotou o Timbu com quatro jogadores expulsos e o goleiro Gallatto defendeu dois pênaltis.

O Grêmio teve um ano de 2004 para esquecer. A equipe foi rebaixada na Série A com algumas rodadas de antecedência e entrou no ano seguinte com vários problemas. O clube passava por dificuldades financeiras e o time montado para o Gauchão estava longe do ideal.

Depois de um estadual fraco, o Grêmio começou a montar o time para a Série B. A primeira atitude foi buscar no Caxias o técnico Mano Menezes, que havia sido semifinalista da Copa do Brasil de 2005 pelo 15 de Campo Bom. O elenco foi sendo montado com jogadores do interior gaúcho, alguns jogadores cascudos que passaram pelos grandes do futebol brasileiro, dois sulamericanos (o atacante paraguaio Lipatin e o lateral Escalona) e três jóias a serem lapidadas da casa: o goleiro Gallato, o volante Lucas Leiva e o meia atacante Anderson, este com apenas 17 anos.

O início do Tricolor na Série B não foi muito animador. A equipe sofria com a falta de entrosamento e os jogadores ainda chegavam ao clube durante a competição. Aos poucos, o Grêmio foi melhorando e conseguiu classificar para a segunda fase em quarto lugar.

Na segunda fase, o Grêmio melhorou um pouco mais e, enfrentando Santa Cruz, Santo André e Avaí, passou em segundo, chegando ao quadrangular final da Série B junto com o time da Cobra Coral, Náutico e Portuguesa. Das quatro equipes, duas estariam na Série A de 2006.

A confusão depois do pênalti marcado

As quatro equipes chegaram à última rodada com chances de acesso. O Grêmio tinha 9 pontos, contra 7 do Santa Cruz, 6 do Náutico e 5 da Lusa, que era a única equipe que não poderia chegar ao título. Quis o destino, devido às colocações das equipes nas fases anteriores, que os jogos decisivos, marcados um sábado, 26 de novembro de 2005, fossem em Recife: Santa Cruz e Portuguesa se enfrentariam no Mundão do Arruda. Já o Grêmio encararia o Náutico nos Aflitos.

O Náutico tomou algumas atitudes para deixar o seu estádio ainda mais desconfortável para os gaúchos. O vestiário dos visitantes foi pintado no mesmo dia da partida, deixando um cheiro forte.Os jogadores foram impedidos de fazer aquecimento no campo, seu vestiário estava com cadeado e a chave havia 'sumido'. Tudo em retaliação a falta de água ocorrida no vestiário visitante no jogo de ida, no Olímpico.

A bola começou a rolar nos dois estádios de Recife e o drama começou. No Arruda, a Portuguesa saía na frente, o que colocava a equipe paulista de volta à Série A. Mas logo o Santa Cruz empatou. Nos Aflitos, o Grêmio, que jogava pelo empate para conseguir o acesso, se trancava, enquanto o Náutico pressionava os visitantes em busca da vitória.

Aos 32 minutos, pênalti para o Náutico. O experiente lateral Bruno Carvalho foi para a cobrança e acertou a trave. Era o primeiro indício de que aquele era o dia do Grêmio. As duas partidas foram para o intervalo. Grêmio e Santa Cruz estavam indo para Série A, sendo que o último conquistava o título, já que tinha virado o placar para cima da Portuguesa.

O segundo tempo no Arruda, o Santa Cruz controlou o resultado. Já nos Aflitos, aconteceria um dos 45 minutos mais emocionantes da história do futebol mundial. Logo no início, o chileno Escalona, que já cartão amarelo, fez uma falta brusca e foi expulso pelo árbitro Djalma Beltrami.

Anderson sofrendo a falta cometida por Batata

O jogo rolava e o Náutico pressionava de todas as formas. Um golzinho e o Timbu estaria na Série A. Logo aconteceria o lance que marcou a partida. Em um chute sem pretensões, que seria facilmente defendido por Gallato, a bola bate na mão de Nunes e o árbitro não teve dúvidas: pênalti para a equipe da casa e os torcedores que lotavam o Aflitos explodiam de felicidade.

A marcação gerou revolta e muita confusão. Os jogadores do Grêmio cercaram e derrubaram o árbitro Djalma Beltrami. Nunes e Patrício foram expulsos por agredir o juiz. A Polícia Militar precisou entrar em campo para evitar briga generalizada. Mas a confusão seguiu.

O meia Marcel fazia um buraco na marca da cal. Já o zagueiro Domingos, na tumulto, deu tapão na bola, que estava na mão do árbitro. O que aconteceu? O defensor, que estava no Grêmio emprestado pelo Santos também foi expulso. Os jogadores do Tricolor ameaçaram abandonar o campo, mas os diretores gremistas não deixaram.

Foi um dos pênaltis mais longos da história do futebol brasileiro. Só para terem uma ideia, o jogo entre Santa Cruz e Portuguesa foi encerrado e os jogadores do Santinha davam a volta olímpica, já que o empate no Náutico e Grêmio dava o título da Série B para a Cobra Coral.

E a situação do Grêmio era terrível. Com apenas sete atletas em campo e um pênalti a ser cobrado contra. Nem os mais fanáticos dos gremistas acreditavam que o time sairia com o acesso do Aflitos. Ainda mais com o título.

Foram 25 minutos de confusão e apenas menos de 10 para o fim da partida. O atacante do Náutico Kuki, ídolo da torcida, sentiu a pressão e entregou a bola ao defensor Ademar. Ele correu, bateu e apareceu, novamente, a estrela do goleiro Gallato, que defendeu a cobrança. A torcida do Grêmio comemorava. Porém, eram apenas sete jogadores tricolores contra 11 do Timbu. Ia ser difícil segurar o time da casa.

Outra estrela de um prata da casa brilhou em seguida. O garoto Anderson, de apenas 17 anos, entrou no decorrer da partida e entrou para a história imortal tricolor. Ele é lançado, parte para o contra-ataque e é derrubado pelo zagueiro Batata, que é expulso. Marcelo Costa cobra a falta rapidamente para o próprio Anderson, que invadiu a área do Timbu, passou por dois defensores e tocou na saída do goleiro Rodolpho.

INACREDITÁVEL, dizia o narrador da Rádio Gaúcha!!! Depois de ter dois pênaltis contra e estar com apenas sete jogadores em campo, o Grêmio fazia 1 a 0 com gol de um garoto de 17 anos. Nem os maiores roteiristas do cinema mundial escreveria um filme tão fascinante.

Grupo unido no vestiário após a partida

O gol abalou os jogadores do Náutico, que nada fez no resto do jogo. Já o Grêmio ficou com todos os jogadores na defesa e torcendo para a partida terminar o mais rápido possível. Lucas Leiva, que tinha entrado no intervalo, controlava o jogo como um veterano, ao lado do capitão Sandro Goiano. Quando Djalma Beltrami apitou o final do jogo, os atletas do Grêmio correram subiram o alambrado do Aflitos na parte onde estava os torcedores do Tricolor. A festa era enorme.

A conquista virou até  um documentário (com um roteiro pronto SENSACIONAL, diga-se). É claro que o título da Série B de 2005 está longe de ser o título mais importante da história do Grêmio, mas a garra e o espírito do Imortal neste dia ficou marcado para sempre na história não só do clube, mas do futebol brasileiro.

FICHA TÉCNICA

Náutico 0 x 1 Grêmio

Local: Estádio dos Aflitos (Recife)
Data: 26 de novembro de 2005
Árbitro: Djalma Beltrami

Gol: Anderson, aos 63 minutos do segundo tempo.

Cartões amarelos: Bruno Carvalho, Tozo, Paulo Matos e Miltinho (Náutico), Pereira e Lipatin (Grêmio).

Cartões vermelhos: Batata (Náutico); Escalona, Nunes, Patrício e Domingos (Grêmio).

Náutico - Rodolpho; Bruno Carvalho (Miltinho), Tuca, Batata e Ademar; Tozo (Betinho), Cleisson, David (Romulado) e Danilo; Paulo Matos e Kuki - Técnico: Roberto Cavalo.

Grêmio - Galatto; Patrício, Pereira, Domingos e Escalona; Nunes, Sandro, Marcelo e Marcel (Ânderson); Lipatin (Marcelo Oliveira) e Ricardinho (Lucas) - Técnico: Mano Menezes.
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