sábado, 11 de julho de 2015

Um ano da Copa - Quando os piratas invadiram o Brasil


* por Paulo Batista

Para começar vou até setembro de 2013. Eu e a Isabel, minha esposa, fomos até Hamburgo ver o FC St Pauli jogar com o Frankfurt pela, segunda Bundesliga, no lendário Millerntor. Procurei contato com algum torcedor de lá. Falei com a Luciana, que cuida do Blog St Pauli Brasil e ela me apresentou o David.

David morou no Brasil por quase dois anos fazendo trabalho social, uma opção inteligente para os alemães que podem escolher esse tipo de trabalho ao invés do serviço militar. Normalmente, vão trabalhar em outros países, por meio de entidades vinculadas à Alemanha.

Todos os 'jogadores' reunidos

Em Hamburgo encontramos o David na entrada da curva norte do Millerntor, ele faz parte da Nord Support, uma das varias torcidas do FC St Pauli. O jogo começou num horário diferente pra nós, uma da tarde, o St Pauli ganhou por 2-1 e saimos para andar pelas ruas do bairro cult de Hamburgo. Mais tarde fomos pra casa do David fazer um macarrão e tomar mais umas cervejas. Começou ali a nossa Copa do Mundo de 2014.

David nos contou de um projeto que tinha: juntar um grupo de torcedores do St Pauli para uma viagem ao Brasil na época da Copa. A ideia era visitar lugares praticando turismo sustentável. Usar hospedagem e alimentação em pousadas e restaurantes locais, incentivar a atividade econômica das comunidades, jogar partidas de futebol com os brasileiros e se possível ver algum jogo da Alemanha. Iriam passar por Natal, Recife, Salvador e Rio. Então eu disse que iria encontrá-los pra jogar com eles no Rio.

Na Copa, vieram os Piratas. Visitaram a Praia de Pipa em Natal, Olinda, Recife, onde viram Alemanha e EUA, e Salvador, onde jogaram futebol nas comunidades.

Jogada de escanteio no bate-bola

Chegaram ao Rio no dia 2 de julho. Fomos pra lá, eu, a Isabel e a Júlia, nossa filha (que também foi pra jogar). No dia 3, subimos o morro Dona Marta pra uma pelada internacional com o pessoal do projeto Zico Social. O jogo aconteceu na quadra que fica no último patamar do morro, pertinho do Cristo. Ganhou o time da Alemanha, que contou comigo e com a Júlia de reforços brazucas. Depois teve churrasco, cerveja e caipirinha, é claro.

No dia seguinte, sexta, dia 4, jogaram Alemanha e França no Rio. Os ingressos estavam caros demais pra conseguir na hora com que tinha pra vender. Os alemães foram com a gente pra praia de Copacabana, no telão que ficava pra fora da Fifa Fan Fest. Alí na festa genérica se alugava cadeira de praia e tinha cerveja de latão. No telão a Alemanha passou pela França e depois o Brasil superou a Colômbia.

Crianças do projeto com as bandeiras do St. Pauli

O grupo voltou pra Alemanha no dia seguinte, o David ficou mais uns dias. Veio com a gente pra casa em São Paulo. Aqui aconteceu também um “mundial de futebol de rua”, do movimento internacional “futbol callejero”, com jogos no Largo da Batata e na Avenida Ipiranga. Fomos encontrar uma molecada do “Kiezhelden”,  projeto do St Pauli com a comunidade de Hamburgo.

Depois o David voltou pro Rio pra embarcar pra Alemanha. Antes de partir pra Hamburgo foi a Copacabana enrolado numa bandeira do Brasil e outra da Alemanha pra ver a semifinal da Copa no telão.


* Paulo Batista (com a camisa da Lusa), 48 anos, é cartunista e editor, mora em São Paulo e torce para a Portuguesa. Paulo publicou o "Boteco da Lusa - o livro que veio do blog" pela PB Editorial, em parceria com Michelle Abilio. Seus blogs são: Boteco da Lusa e Blog do Paulo Batista.
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