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Livro detalha transformação financeira do Flamengo

Foto: divulgação

Livro será lançado em 29 de abril

No mundo do futebol, há muitas histórias para serem contadas, mas poucas focam nos bastidores da administração dos clubes. O Flamengo é um dos casos mais emblemáticos e cujo processo de transformação econômica agora é contado no livro “Paixão e Sucesso - A Gestão que Transformou um Clube” (Ed. Lux). A obra, com 214 páginas, traz em detalhes como ele colocou a casa em ordem, revolveu sua dívida e ganhou fôlego para mostrar seu brilho nos gramados.

O livro será lançado no próximo dia 29 de abril, às 18h30, na Livraria da Travessa, no Shopping Leblon, Rio de Janeiro. Com prefácio escrito pelo ex-presidente do clube, Eduardo Bandeira de Mello (2013-2018), contracapa do escritor e imortal Ruy Castro, e orelhas pelo ex-diretor do Banco Central, Afonso Bevilaqua, ele ainda conta com 16 autores, que assinam os 13 capítulos da obra, dividida em 4 blocos temáticos, e onde são revelados detalhes inéditos do processo de transformação do clube. Um deles é o fato de o Flamengo ter que recuperar a gestão do próprio estacionamento na Gávea, após constatar que empresas e moradores vizinhos estacionavam os carros pagando um valor quase simbólico ao clube (R$100 por mês) em uma das áreas mais caras da capital fluminense.

Segundo os organizadores da obra, o sócio emérito do Flamengo, Pedro Iootty, e os economistas Fabio Giambiagi e Rodrigo Madeira, a ideia de organizar um livro que falasse sobre a transformação que estava ocorrendo no clube surgiu em 2016, com o objetivo de mostrar a experiência em detalhes, e que elas possam servir de inspiração àqueles interessados na boa gestão do futebol. “Queríamos documentar o legado de um período único do clube e contribuir para o debate de forma técnica e baseado em fatos e dados. Este não é um livro político, não queremos este peso, e sim, mostrar como o Flamengo saiu de uma situação complicada para reocupar um lugar de destaque no futebol brasileiro e sul-americano, baseado em um modelo de negócio que tem a torcida como bem maior”, destacam.

Mudança de patamar dentro e fora do campo - Além dos organizadores, “Suesso e Paixão” traz em seus capítulos depoimentos de nomes importantes da vida rubro-negra, como o ator e publicitário Antonio Tabet, os advogados Bernardo Accioly e Flavio Willeman, e o economista Alexandre Póvoa. O livro ainda traz uma análise de dois grandes nomes ligados à área de finanças e gestão no esporte: o jornalista Rodrigo Capelo e o economista Cesar Grafietti.

Em algumas partes do livro, é possível acompanhar, com detalhes técnicos e histórias ainda pouco contadas, como a antiga direção aposentou a figura do diretor amador e não remunerado, cargo comum em muitos clubes brasileiros, para passar a contratar executivos selecionados do mercado, segundo as melhores técnicas de recrutamento.

Além da gestão financeira, outros aspectos igualmente relevantes são abordados no livro, como o planejamento, fundamental para definir estratégias e objetivos e dar suporte às ações de outras áreas. Pelo lado jurídico, destaca-se a celebração de acordos capazes de reduzir as dívidas. Nesse ponto, entra em cena a questão da governança, para evitar que novos passivos sejam criados, além da própria profissionalização da gestão. Outro pilar importante da transformação e pouco conhecido foram as reformas do estatuto. É como uma obra de infraestrutura, pouca gente vê, mas sem ela não é possível ter sustentação. Há ainda histórias dos novos rumos dentro do setor de comunicação e marketing, que ajudaram a mudar o patamar do clube ao longo da década de 2010 em diante.

Confira outras histórias curiosas - Em 2013, após o título da Copa do Brasil, o elenco procurou a direção do clube surpresa: o prêmio pelo título havia sido pago na data combinada e não era algo comum. O clube tinha um problema com um vazamento da piscina que consumia um valor alto da folha de pagamento. O problema foi solucionado.


O clube conseguiu negociar o Morro da Viúva, em 2018, após ver um patrimônio do Flamengo ser abandonado e invadido. O Flamengo já chegou a trocar valor de patrocínio por materiais de construção para ajudar nas obras de construção do novo Centro de Treinamento.

O clube perdeu o meio-campista Gerson, que era da base do Flamengo, por falta de ajuda de custo. Ele foi para o Fluminense e hoje voltou a ser jogador rubro-negro e em um clube com outra realidade financeira e estrutural.

Serviço

Lançamento do livro Paixão e Sucesso – A gestão que transformou um clube (Ed. Lux)
Onde: Livraria da Travessa – Shopping Leblon, Rio de Janeiro – A partir das 18h30.
Valor da obra: R$69,00 (cópia física) e R$54,90 (e-book). O livro já se encontra à venda tanto na Amazon quanto no site da Editora Lux.

A Profissionalização da Gestão no Futebol do Brasil

Por Fernando Drummond*


A Lei 14.193 de 2021, conhecida como a Lei das Sociedades Anônimas de Futebol (“Lei da SAF”), teve como origem o PL nº 5.516, de 2019. Desde a promulgação da lei, mais de 20 clubes de futebol no Brasil aderiram ao novo modelo societário, como Cruzeiro, Botafogo, Vasco da Gama e Bahia.

Constituindo-se como um tipo específico de sociedade, a SAF traz instrumentos de mercado que permitem o financiamento e a capitalização dos clubes de futebol, além de trazerem mais transparência e governança corporativa. A SAF apresenta, ainda, atrativos aos clubes, como a maior possibilidade de investimentos e regime tributário diferenciado.

Uma das razões para que o futebol não seja explorado como deveria no Brasil é a má gestão dos times em razão do modelo associativo, adotado pela grande maioria das entidades desportivas brasileiras. Dentre os problemas concernentes a este modelo estão a dificuldade de tomada de decisão gerencial, em decorrência da quantidade de associados; a dificuldade de responsabilização dos dirigentes, com diversos casos de corrupção; e a má gestão do futebol, que tem resultado em dívidas milionárias de diversos clubes.

A preferência dos clubes pelo modelo associativo é explicada pelas, dentre outros motivos pelas isenções tributárias. Contudo, as associações possuem limitações para captação de recursos e apresentam grande instabilidade na gestão.

A SAF surge, assim, como um modelo que tem como objetivo profissionalizar a gestão dos clubes de futebol no Brasil e fortalecer o mercado no ramo, apresentando especificidades suficientemente interessantes para que o modelo associativo seja repensado pelos clubes.

Percebe-se que a Lei da SAF tem demonstrado bons resultados e que seus pontos controvertidos estão sendo discutidos a partir de sua aplicação prática nos últimos anos. Assim, o legislador foi bem-sucedido ao criar um modelo societário exclusivo para o futebol, apoiando-se no exemplo de países europeus, abordando o problema do endividamento dos clubes e a dificuldade da arrecadação de investimentos.


Desse modo, o cenário mostra-se favorável para investidores estrangeiros e nacionais, de forma a beneficiar não só os clubes de futebol, mas toda a população pelo aproveitamento do potencial deste nicho na economia do país.

* Fernando Drummond é Vice-presidente, COO e Sócio do Marcelo Tostes Advogados, Mestre em Direito Empresarial e Especialista em Mediação e Resolução de Conflitos pela NYU


Patrocínio máster do São Caetano assume gestão do clube

Com informações da Agência Futebol Interior
Foto: divulgação São Caetano Futebol

Azulão já é patrocinado pela empresa

A diretoria do São Caetano assinou um contrato com a empresa LGM Serviços de Escritório & Entretenimentos Ltda, que já é a patrocinadora máster do futebol profissional, para administrar o clube. A empresa começa a nova gestão no dia 1 de setembro deste ano.

A LGM Serviços de Escritório & Entretenimentos Ltda era o patrocinador máster do futebol profissional clube à alguns meses e a partir de setembro a empresa tomará conta das atividades e compromissos esportivos do Azulão.

Em nota publicado em suas redes sociais, a diretoria informou sobre o acordo entre as duas partes e que a parte administrativa e esportiva do clube agora pertence a empresa. "O São Caetano Futebol vem por meio desta informar que a gestão administrativa e esportiva do time a partir do dia 01 de setembro de 2022 passa a ser de responsabilidade da empresa LGM Serviços de Escritório & Entretenimentos Ltda", diz a nota.


"A empresa se firmou no clube com o patrocínio master nos últimos meses e após contrato assinado com a atual diretoria assume a gestão do São Caetano Futebol, dando sequencia as suas atividades e compromissos esportivos", o complemento.

Ítalo Rodrigues analisa experiência no CSA visando crescimento dentro do futebol

Foto: arquivo pessoal

Ítalo Rodrigues deixou o CSA recentemente

Inserido desde cedo no mundo do futebol, Ítalo Rodrigues passou por diferentes cargos nos clubes em que atuou ao longo da carreira. Na última experiência no meio, trabalhou como executivo no CSA até o início de junho passado.

No entanto, essa não foi a única vivência dentro de uma agremiação e, apesar de jovem (36 anos) para ocupar funções tão importantes, também teve passagens em cargos diretivos nas equipes do Náutico e Paysandu. Atuações que apenas engrandecem o seu desenvolvimento dentro da área, como o próprio explica.

"Ter a oportunidade de trabalhar em diferentes clubes é muito importante, diria que seria fundamental pelo engrandecimento tanto de carreira, como de pessoa. Você vivencia diferentes culturas, tanto que trabalhar no Norte é bem diferente de trabalhar no Nordeste", disse antes de completar sobre os cenários encontrados pelos times em que passou.

"O futebol é futebol em todos os locais, as torcidas são apaixonadas e as cobranças sempre são feitas, porém, a cultura e o ambiente de cada um variam bastante. Então você lida com pessoas, realidades e estruturas diferentes. Sem dúvida alguma isso nos ajuda e nos desenvolve muito mais como profissional", contou.

Ítalo Rodrigues surgiu para o cenário do esporte mais popular no Brasil pelo Náutico, clube pelo qual passou por diferentes funções e ajudou a encerrar uma fila, enquanto esteve no cargo de executivo de futebol, de 13 anos sem conquistas do estadual. Após essa experiência pelo Timbu, onde também venceu o título da Série C do Brasileiro, atuou nas gestões do Paysandu e mais recentemente do CSA.


Já sobre esse último trabalho realizado no time alagoano, que participa atualmente da Série B do Brasileiro, Rodrigues ressalta como a passagem pelo Azulão foi benéfica para a sua carreira. "Trabalhar no CSA foi uma experiência maravilhosa, pois é um clube que possui passivo muito bem administrado e praticamente inexistente, diferente da maioria das outras equipes. Apesar de ser um time centenário, ele sofreu por muitos anos com a falta de calendário e, por isso, precisou de uma readequação por ter crescido de uma forma muito rápida saindo da Série D para a Série A. Sem dúvida, hoje no Nordeste, é um dos clubes que está se consolidando entre os maiores", concluiu.

Chama o VAR pra revisar a gestão dos clubes!

Por Estevão Seccatto Rocha*
Foto: reprodução


O lockdown resultou em queda de 20% das receitas dos 20 maiores clubes brasileiros o ano passado e o endividamento aumentou em cerca de R$1,6 bilhão, atingindo máximo histórico de R$10,3 bilhões. A situação financeira frágil não vem de hoje. Quando comparamos os clubes nacionais com outras ligas, notamos déficit gigantesco em questões de governança e gestão. Enquanto na Europa a maioria dos clubes são clube-empresa, com diversos times listados em bolsa (alguns em seus países e outros na NYSE), 92% dos times brasileiros ainda são associações sem fins lucrativos. Ainda, contam com gestão pouco profissionalizada, focadas em disputas políticas, perpetuação do poder dos dirigentes, tomada de decisão influenciada pela pressão da torcida, falta de planejamento de longo prazo e, consequentemente, elevado passivo, impagável, com o fisco, funcionários (entre eles os jogadores), fornecedores e instituições financeiras, passivo este constituído ao longo de décadas de ineficiência.

A gestão de um clube deveria ser pautada pela criação de valor sustentável. Investimentos com TIR maior que custo de capital (seja em jogadores, estádios, equipe técnica), focando no aumento de receita (patrocínios, venda de produtos licenciados, direitos sobre jogadores, transações de atletas, direitos de transmissão, sócios-torcedores e bilheteria) e redução de custos (salários condizentes com performance e estrutura de custos condizente com receitas). O que observamos são erros e mais erros de alocação de recursos. Falhas grosseiras, e cuja única punibilidade seja talvez o desgosto momentâneo da torcida, até que o próximo campeonato seja vencido. O mindset do dirigente tradicional é ganhar títulos no curto prazo, e contrair dívidas no longo prazo. Torcida feliz, problema empurrado para a frente e garantia de mais alguns anos no comando do clube. Caso o título não venha, derruba-se o técnico e paga-se a multa contratual milionária ao profissional, a fim de dar uma “pronta-resposta” à torcida. Lamentável.

Recentemente tivemos com o Figueirense (R$165 milhões de dívidas) o primeiro caso de recuperação judicial (RJ) de um clube de futebol no país, processo liderado pela Alvarez & Marsal. A questão foi inicialmente controversa uma vez que, pela lei o 11.101/05, a entidade precisaria ter o status de clube-empresa por pelo menos 2 anos antes de utilizar-se deste artifício, mas segundo o advogado responsável pela RJ, Luiz Roberto Ayoub, “uma associação pode ser revestida deste nome, mas ser uma empresa se forem atividades que geram riqueza”, argumento que foi aceito pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina, o que abre precedente, mas ainda não cria jurisprudência sobre o tema, que pode ser analisado sob outra ótica por outros tribunais. Porém, sabemos de RJs são medidas paliativas.

Outros clubes vêm buscando auxílio de empresas especializadas para reestruturarem sua gestão. É o caso do Vasco, que conta com a KPMG. A gestão passou a focar no corte de custos (redução de 35% da folha, salvando R$40 milhões por ano), mudança para sede isenta de locação, suspensão de certas práticas esportivas não lucrativas, revisão de contratos, renegociação dos passivos (que somam R$720 milhões), especialmente os trabalhistas, aumento da arrecadação com o programa de sócios-torcedores, criação de conselhos, melhorando a governança, entre outras diversas ações.

Uma inovação trazida ao mercado são os “Fan Tokens” já utilizados na Europa. São ativos digitais, cujos investidores terão uma parcela dos direitos que os times possuem pelos jogadores formados em sua base. O primeiro clube brasileiro a aderir foi o Atlético Mineiro. Isso não apenas traz recursos ao clube (no caso do Vasco cerca de R$10 milhões), como alinha os interesses da torcida, que passa a ser “sócia” do jogador. Outro clube que já aderiu ao “Fan Tokens” foi o Cruzeiro.

Um caso emblemático de reestruturação bem sucedida foi o Flamengo, que em 2012 acumulava R$800 milhões de dívidas (R$1,3 bilhão ajustado pelo IPCA acumulado de dezembro 2012 até junho 2021). Para ser justo com a as comparações temporais, vou apresentar todos os dados financeiros desta matéria com valores ajustados pelo IPCA até junho de 2021.

Eduardo Bandeira de Mello (35 anos de BNDES) foi eleito presidente do clube e iniciou a reformulação para um elenco que coubesse no caixa, renegociou o passivo e recuperou a credibilidade do time que, em 2 anos, reverteu prejuízo de R$32 milhões para lucro de R$210 milhões.

A gestão também foi feliz em retomar patrocínios e engajar os torcedores. A redução do endividamento permitiu reforço do elenco e categorias de base. Atualmente o clube está vencendo campeonatos e apresenta o maior faturamento do Brasil (R$702 milhões em 2020 vs. R$1,0 bilhão em 2019). Em 2012 ocupava a 6ª posição com R$342 milhões. Mesmo com a queda de receita em R$310 milhões, de 2019 para 2020, o clube apresentou prejuízo de R$112 milhões, demonstrando habilidade em conter custos e, agora, está na 7ª posição no ranking e endividamento (R$716 milhões).

Outro caso que vale a pena comentar é a rivalidade Palmeiras vs. Corinthians na questão dos estádios, que demonstra quão importante é a estrutura de investimentos para a sustentabilidade de um negócio.

O modelo adotado pelo Palmeiras foi a construção (R$900 milhões), 100% arcada pela construtora WTorre. A WTorre, por sua vez, financiou 100% do valor com o Banco do Brasil, não conseguiu honrar com o pagamento das parcelas e foi forçada a uma renegociação com o banco. Atualmente a dívida inadimplida supera R$1,0 bilhão, mas nada tem a ver com o Palmeiras, uma vez que as garantias dadas pela WTorre ao Banco do Brasil foram apenas direitos de locações futuras da Arena, de shows e eventos.

Neste modelo, todo investimento foi feito pela construtora, em troca do direito de explorar o estádio por 30 anos, exceto em dias de jogos do Palmeiras, que fica com 100% das receitas de bilheteria. Esse modelo é vencedor, uma vez que não causa obrigações financeiras ao clube que terá, após esse período, seu estádio sem qualquer restrição de uso. Esse alívio financeiro permitiu ao Palmeiras investimentos em jogadores e consequentemente entrar numa espiral positiva de saúde financeira, investimentos e títulos. Atualmente, o time é o terceiro do país em receita (R$642 milhões vs. R$ 394 milhões em 2012) e, apesar do prejuízo de R$157 milhões em 2020, sua dívida está na casa dos R$595 milhões, ocupando a 10ª posição no ranking de endividamento.

Já o modelo adotado pelo Corinthians foi o da construção, pela Odebrecht, 100% financiada pela Caixa Econômica Federal, mas com passivo assumido pelo clube, cujo valor atual monta R$598 milhões e cujos juros já causaram déficit de caixa de R$240 milhões (que poderiam ter sido investidos em jogadores, por exemplo). As receitas de bilheterias ficam depositadas uma conta escrow, utilizada para amortizar a dívida, o que complica ainda mais a situação do time. Recentemente o presidente do clube, Duílio Monteiro Alves, anunciou que, com o perfilamento da dívida e a venda de naming rights para a NeoQuímica, a dívida cairia para R$270 milhões, com prazo de pagamento de 20 anos e retenção de “apenas” 50% das receitas de bilheteria, o que poderia dar algum folego ao time, que, com prejuízo de R$130 milhões em 2020, acumula a terceira maior dívida entre os clubes brasileiros.

Em 2020 o Corinthians teve receita de R$498 milhões (contra R$574 milhões em 2012, ano que foi #1 no ranking de faturamento), um decréscimo de 13% no período, enquanto sua dívida passou de R$275 milhões para R$1,0 bilhão, um aumento de 3,5x. O Flamengo, no mesmo período, aumentou sua receita em 2,1x e reduziu seu passivo em 45%. Já o Palmeiras aumentou sua receita em 1,6x, e seu passivo aumentou 25%.

O Corinthians é o típico caso da empresa líder que, por má gestão, perde seu posto. Não fossem os fiéis torcedores (diferente dos clientes que abandonam a marca que oferece pouco valor agregado), o desfecho do clube seria pior. Como todo bom corinthiano, eu sofro, mas tenho esperança de que a gestão atual, suportada pela empresa especializada que contratou (KPMG), passará a dar bons resultados, priorizando a transformação estrutural aos títulos.

Centenas de times de todas as divisões de todos os campeonatos municipais e estaduais enfrentam a mesma situação, em maior ou menor criticidade, de acordo com suas micro realidades. A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) tem buscado impor mais regras aos clubes, como o “Fair Play Financeiro”, exigindo responsabilidade nos gastos (mantendo endividamento e déficit dentro de limites de acordo com a receita) com algumas penalidades. Com a pandemia, a implantação ficou para 2022.

Existe ainda um projeto de lei visando incentivar clubes tornarem-se empresas, aprovado no Senado em junho 2021 (PL 5.516/2019), para ser votado na Câmara, com constituição de Sociedades Anônimas do Futebol (SAF), estabelecendo padrões de governança, transparência, financiamentos tributários especiais, emissão de títulos e debêntures, regulação pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), com possibilidade de fundos de investimento na gestão, administração com dedicação exclusiva, conselho de administração, entre outros. Vamos observar se passa e como passa essa lei.


Outra discussão motivada por representantes dos 40 clubes da série A e B, é a criação de uma Liga de Clubes que pretende assumir a organização do Campeonato Brasileiro e da Série B, como acontece nas principais ligas europeias. A CBF continuaria administrando a seleção brasileira e outras competições nacionais. A solução seria a centralização de direitos comerciais, transmissões, patrocínios (placas e naming rights), que conseguiria impulsionar as receitas dos clubes. Os recursos para financiar a Liga e reduzir o endividamento dos clubes viria de fundos de investimentos que tornar-se-iam sócios dos clubes.

Essas ações que estão surgindo me dão esperança de que um dia teremos um setor organizado, mas ainda tem muita bola pra rolar até que os padrões de governança e gestão dos clubes brasileiros cheguem perto dos padrões europeus. Aliás, falta muito treino para que a qualidade do futebol também se equipare.

*Estevão Seccatto Rocha é professor de Turnaround na FIA Business School. Engenheiro naval (Poli/USP), extensão em economia (Harvard), finanças e marketing (FEA/USP), tecnologia (Singularty University), mestrando (University of Liverpool). Foi head global de M&A da Atento (NYSE), reestruturador de empresas pela KPMG e IVIX, diretor da G4S (LSE) e associado no private equity Artesia. Conselheiro de administração pelo IBGC. Assessorou mais de uma centena de empresas.

AD São Caetano tem nova gestão no futebol

Com informações do AD São Caetano e Agência Futebol Interior
Foto: Leonardo Lima / AD São Caetano

Paulo Campos fala com os atletas do Azulão

Uma nova gestão esportiva assumiu o AD São Caetano para a sequência do Paulistão, no início deste mês de abril. O empresário Márcio Granada, está à frente do projeto, com Paulo Campos, como coordenador de futebol, sendo assim oficializada a saída do ex-atleta Fabinho Félix.

Ambos já foram apresentados ao elenco na última quinta feira, dia 1º. Segundo a nota publicada no site oficial do Azulão, a partir da próxima segunda feira, dia 5, serão divulgas as primeiras novidades. O presidente do clube continua sendo Nairo Ferreira.

Paulo Campos - Paulo Campos tem 64 anos e trabalhou como auxiliar técnico de Vanderlei Luxemburgo no Real Madrid. Como treinador, passou por inúmeros clubes estrangeiros, além de Paraná, Londrina, Paysandu, Fluminense, Vila Nova, Náutico, Criciúma, Resende, Iraty e Duque de Caxias, entre outros. Em 2020, estava no Tupynambás. O novo coordenador técnico do clube deu palavras de incentivo aos atletas.

"Agradeço ao presidente, pois é um honra estar no São Caetano. Sempre levo como meu amuleto a bola, em todos os clubes que trabalhei em minha carreira e vocês tem que ter essa bola de amuleto também. Estou há 42 anos no futebol e venho para ajudar vocês e o clube a voltar às glórias", disse Paulo Campos.

Fabinho Félix - O antigo coordenador, Fabinho Félix, divulgou nota em suas mídias sociais na última quarta-feira, dia 31, comunicando a saída do clube. "Nesta quarta-feira (31/03), se encerrou meu ciclo junto a Associação Desportiva São Caetano. Foram oito meses de muita dedicação ao clube que me tirou das ruas, e me deu a oportunidade de me tornar um atleta honrado . Tive o privilegio de acumular inúmeras funções aprendi e cresci em cada área", disse.


"Juntos tivemos a oportunidade de vencer o Campeonato Paulista da série - A2, que veio graças à entrega de muitos profissionais e funcionários . Passamos por momentos difíceis e delicados porém, sempre com a cabeça erguida. Agradeço a cada um que fez parte desta passagem e, ao clube, deixo meu eterno agradecimento. Missão cumprida", finalizou.

Paulistão - Com os novos contratados, o São Caetano buscará reabilitação no Paulistão. Após quatro rodadas, o Azulão tem um empate e três derrotas. Com apenas um ponto, é lanterna (4º) do Grupo D e vice-lanterna geral (15º), abrindo o Z2.
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