Presidente da entidade recua após críticas de confederações e afirma que projeto gerou divisões no futebol internacional
Foto: Fifa.com
Fifa abandona proposta após pressão de confederações
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, desistiu do plano de criar uma empresa para administrar as principais competições da entidade e vender participações minoritárias a investidores privados. O recuo foi anunciado na noite desta sexta-feira (31), apenas três dias após a divulgação do projeto.
Em nota oficial, Infantino afirmou que a proposta só avançaria caso tivesse amplo apoio das associações filiadas, mas reconheceu que a iniciativa provocou divisões no futebol internacional.
"Como dissemos desde o início, isso só seria feito se a maioria das Associações Membro da FIFA apoiasse a proposta e sempre após um processo de consulta com elas, com o Conselho da FIFA, as Confederações e as partes interessadas."
O dirigente completou:
"Depois de ouvir atentamente todas as opiniões, ficou claro que o projeto criou divisões que, independentemente do nível de apoio, deixaram de atender ao objetivo para o qual foi concebido."
Projeto previa arrecadação bilionária
A proposta previa a criação de uma empresa responsável pela gestão comercial de competições como a Copa do Mundo e a Copa do Mundo de Clubes. A ideia era vender participações minoritárias da nova companhia para investidores privados, com expectativa de arrecadar cerca de US$ 4,2 bilhões (aproximadamente R$ 21,5 bilhões).
O projeto ainda precisaria ser aprovado pelas 211 associações nacionais filiadas à Fifa, que teriam até o dia 19 de setembro para se manifestar.
Uefa liderou oposição ao projeto
A iniciativa encontrou forte resistência logo após ser apresentada. A Uefa foi a primeira entidade a se posicionar publicamente, afirmando que seus 55 membros boicotariam futuras competições organizadas pela Fifa caso a proposta fosse mantida.
Na sequência, a Concacaf e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) também divulgaram notas contrárias ao projeto. Diante da pressão das principais confederações e da possibilidade de derrota na votação, a Fifa optou por retirar a proposta.
As demais confederações continentais, entre elas a Conmebol, chegaram a discutir o tema internamente, mas o recuo de Infantino encerrou o debate antes da realização da votação.

