Decisão inédita da ANRESF retira a Macaca do programa de apoio financeiro da Série B e exige devolução dos valores custeados pela CBF desde o início da competição
Foto: Marcos Riboli / PontePress
Ponte Preta terá de ressarcir despesas
A Ponte Preta recebeu uma punição inédita da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF). Em decisão publicada nesta terça-feira (16), o órgão determinou a exclusão do clube do Programa de Apoio à Reestruturação Financeira de Clubes da Série B (PARF-B), mantido pela CBF, em razão de atrasos salariais e pendências trabalhistas acumuladas nos últimos meses.
Além da retirada dos benefícios, a Macaca também terá de devolver todos os valores relacionados às despesas de logística e arbitragem que foram custeadas pelo programa desde o início da competição.
ANRESF aponta atrasos salariais e débitos trabalhistas
De acordo com a decisão, a exclusão foi motivada pelo acúmulo de pendências superiores a 60 dias com atletas, membros da comissão técnica e funcionários do clube.
O órgão também apontou débitos relacionados ao FGTS e ao INSS, considerados incompatíveis com as exigências estabelecidas para participação no programa de apoio financeiro.
A decisão foi aprovada por unanimidade pela Turma 02 de Julgamento da ANRESF durante sessão realizada na última segunda-feira.
Ponte perde benefícios de logística da Série B
O PARF-B foi criado por meio de um acordo entre a CBF e os clubes da Série B para auxiliar nos custos operacionais da competição, especialmente relacionados às viagens das delegações.
Como contrapartida, as equipes participantes precisavam manter suas obrigações financeiras em dia.
Com a exclusão, a Ponte Preta perde o direito aos benefícios oferecidos pelo programa e passa a assumir integralmente os custos que anteriormente eram subsidiados.
Clube terá de ressarcir valores pagos pela CBF
Outro ponto importante da decisão determina que a Ponte Preta devolva os recursos investidos pela CBF em logística desde o início da Série B.
Na prática, a entidade continuará organizando as viagens do clube por meio de sua agência parceira, mas os custos passarão a ser cobrados mensalmente.
Segundo o documento, as despesas deverão ser quitadas em até dez dias após o envio da cobrança.
Caso os pagamentos não sejam efetuados, o clube poderá sofrer novas sanções.
“O não pagamento sujeita o clube à retenção de quotas de transmissão ou premiação e às demais sanções previstas na regulamentação aplicável”, destaca a decisão.
Clube ainda pode retornar ao programa
Apesar da punição, a ANRESF informou que a exclusão não impede uma futura reintegração ao programa.
Para isso, a Ponte Preta precisará comprovar a regularização das pendências financeiras apontadas durante a investigação.
O órgão acompanha a situação do clube desde abril, quando solicitou relatórios e documentos relacionados ao pagamento de salários e encargos trabalhistas.
Crise financeira se agrava no Moisés Lucarelli
A decisão ocorre em meio a um cenário de forte instabilidade financeira vivido pela Ponte Preta.
O clube enfrenta atrasos salariais desde 2025 e busca alternativas para reorganizar suas finanças. Na próxima quarta-feira, o Conselho Deliberativo da Macaca irá votar a proposta de constituição da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), considerada uma possível solução para os problemas econômicos da instituição.
Recentemente, após o empate contra o Botafogo-SP, o goleiro Diogo Silva revelou que o elenco havia recebido apenas o salário referente ao mês de janeiro, mesmo já estando em junho.
Outro caso que evidenciou a crise foi a saída do ex-lateral e auxiliar técnico Edson Boaro, que deixou o clube após acumular 15 meses de salários atrasados.
Ponte busca reverter a decisão
Internamente, a diretoria trabalha na reunião de comprovantes de pagamentos recentes realizados ao elenco e tenta apresentar documentação que possa sustentar um recurso contra a punição.
Embora parte das pendências tenha sido quitada nos últimos meses, o clube ainda enfrenta dificuldades para regularizar integralmente sua situação financeira.
Enquanto busca uma reversão administrativa, a Ponte Preta segue pressionada dentro e fora de campo, vivendo um dos momentos mais delicados de sua história recente.

