Primeira seleção campeã do mundo pelo Brasil eternizou Pelé, Garrincha e Didi; hoje, apenas quatro jogadores daquele elenco histórico seguem vivos
Por Tiago Cardoso*
Fotos: arquivo
Pepe, Mazzola, Dino Sani e Moacyr ainda estão vivos
A Copa do Mundo de 1958, disputada na Suécia, mudou para sempre a história do futebol brasileiro. Foi naquele torneio que o Brasil conquistou seu primeiro título mundial, apresentou Pelé ao planeta e formou uma das equipes mais lendárias de todos os tempos.
Mais do que uma conquista esportiva, o Mundial de 1958 simbolizou uma transformação cultural para o país. A seleção comandada por Vicente Feola derrotou a Suécia por 5 a 2 na final e ajudou a consolidar a identidade do futebol brasileiro perante o mundo.
Décadas depois, o tempo reduziu drasticamente os sobreviventes daquele elenco histórico. Dos 22 jogadores convocados para a campanha do título, apenas quatro ainda estão vivos.
A seleção que apresentou o Brasil ao mundo
A campanha brasileira na Suécia entrou para a eternidade por reunir talentos considerados até hoje entre os maiores da história do esporte.
Foi o torneio que eternizou Pelé como Rei do Futebol ainda adolescente, consagrou Garrincha como símbolo da genialidade brasileira e transformou Didi em referência mundial de elegância dentro de campo.
Na final, após a Suécia abrir o placar, Didi pegou a bola debaixo do braço e caminhou calmamente até o meio-campo, tranquilizando os companheiros antes da virada histórica. O gesto se tornou uma das cenas mais emblemáticas da história das Copas.
Bellini também entrou para a eternidade ao levantar a taça acima da cabeça para facilitar o trabalho dos fotógrafos — movimento que se transformaria em tradição mundial nas comemorações esportivas.
A equipe ainda contava com Nilton Santos, pioneiro da lateral ofensiva, Zito, líder histórico do Santos, Vavá, decisivo em finais, e Zagallo, que iniciava ali a trajetória que o transformaria no maior vencedor da história das Copas do Mundo.
Nenhum titular da final segue vivo
Com a morte de Zagallo, em 2024, todos os titulares da final contra a Suécia passaram a integrar definitivamente a história.
O primeiro campeão mundial daquele elenco a falecer foi Garrincha, em 1983. Ao longo das décadas seguintes, o tempo levou praticamente todos os integrantes da geração que revolucionou o futebol brasileiro.
Hoje, apenas quatro jogadores da Seleção Brasileira campeã de 1958 seguem vivos.
Quem são os campeões mundiais de 1958 ainda vivos?
Mazzola
José Altafini, conhecido no Brasil como Mazzola, foi um dos atacantes do elenco campeão. Posteriormente, naturalizou-se italiano e disputou a Copa do Mundo de 1962 pela Itália, país de origem de sua família.
Na Europa, ficou eternizado como Altafini e construiu carreira histórica no futebol italiano.
Dino Sani
Meio-campista de enorme qualidade técnica, Dino Sani atuou como titular durante a primeira fase da Copa de 1958. Posteriormente, teve carreira marcante também no futebol europeu, especialmente no Milan.
É lembrado como um dos grandes volantes brasileiros de sua geração.
Moacyr
Reserva no Mundial da Suécia, Moacyr teve carreira extensa no futebol sul-americano e vive atualmente no Equador, país onde encerrou a trajetória como jogador.
Seu nome permanece ligado à primeira conquista mundial da Seleção Brasileira.
Pepe
Ídolo histórico do Santos, Pepe é considerado o segundo maior artilheiro da história do clube paulista — atrás apenas de Pelé.
Dono de um dos chutes mais fortes do futebol brasileiro, o ex-ponta costuma brincar que é “o maior artilheiro humano” da história santista, já que considera Pelé um fenômeno acima de qualquer comparação.
O legado eterno da geração de 1958
A Seleção Brasileira de 1958 transcendeu o futebol. Em um período de transformações culturais e sociais no país, aquele elenco ajudou a moldar a imagem do Brasil moderno para o mundo.
Enquanto Brasília surgia no Cerrado, a Bossa Nova conquistava os Estados Unidos e o Cinema Novo revolucionava as telas nacionais, a seleção canarinho colocava definitivamente o futebol brasileiro no centro do planeta.
Mais de seis décadas depois, os remanescentes daquele elenco carregam a memória viva da geração que inaugurou a história vencedora do Brasil em Copas do Mundo.
* Tiago Cardoso é escrivão de Polícia e professor de Geografia.

