PF investiga Fictor, ex-patrocinadora do Palmeiras, em caso envolvendo o Banco Master

Foto: Agência Palmeiras

Camisa do Palmeiras com o patrocínio da Fictor
Grupo estampava sua marca na camisa do Verdão

A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar o Grupo Fictor, ex-patrocinadora do Palmeiras, por suspeitas ligadas à tentativa de compra do Banco Master, anunciada em novembro do ano passado e posteriormente barrada pelo Banco Central.

A empresa entrou com pedido de recuperação judicial no dia 1º de fevereiro e, poucos dias depois, o Palmeiras rescindiu o contrato de patrocínio, conforme cláusula prevista no acordo firmado entre as partes.

Suspeitas e investigação

A Fictor é investigada por gestão fraudulenta, apropriação indébita, emissão de títulos falsos e operação irregular de instituição financeira. No próprio pedido de recuperação judicial, o grupo reconhece a existência de “eventuais ilícitos”.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou à PF que tentou viabilizar a venda da instituição à Fictor com apoio de investidores dos Emirados Árabes Unidos. A operação, no entanto, foi barrada pelo Banco Central, que decretou a liquidação extrajudicial do banco diante de suspeitas de fraudes envolvendo R$ 12,2 bilhões em títulos.

Segundo o BC, a tentativa de compra teria sido uma forma de ocultar a crise financeira enfrentada pelo Master, que já não conseguia honrar compromissos com credores.

Recuperação judicial e impacto financeiro

No pedido de recuperação judicial, a Fictor afirma buscar meios para pagar cerca de R$ 4 bilhões em dívidas. A empresa sustenta que a decisão do Banco Central afetou sua imagem e provocou uma grave crise de liquidez.

De acordo com a defesa do grupo, clientes solicitaram o resgate de aproximadamente 70% dos recursos investidos, o que representa quase R$ 2 bilhões.

Rescisão com o Palmeiras

O Palmeiras rescindiu o contrato de patrocínio com a Fictor no dia 2 de fevereiro, citando inadimplemento contratual e o pedido de recuperação judicial. O acordo, iniciado em março de 2025, previa duração de três anos e rendimentos de R$ 30 milhões por temporada, incluindo bônus por metas esportivas.


A dívida mencionada pela Fictor envolve a parcela mais recente do patrocínio e bonificações por resultados, que deveriam ter sido pagas em janeiro. Com isso, o Palmeiras passou a figurar como credor do grupo no processo judicial.

Crise de confiança

A Fictor ganhou protagonismo no caso após liderar a proposta de compra do Banco Master. O anúncio ocorreu em 18 de novembro, um dia antes de o Banco Central decretar a liquidação da instituição, fato que, segundo o grupo, intensificou a crise de confiança e ampliou os impactos financeiros.

Em nota, a empresa afirmou que a recuperação judicial busca reorganizar a operação e garantir o pagamento dos compromissos, apesar da repercussão negativa envolvendo seu nome no mercado financeiro.

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