Com mais de duas décadas de protagonismo, a Rainha soma recordes, títulos e um legado que ultrapassa gerações dentro e fora de campo
Foto: arquivo
Início da Marta na Seleção Brasileira foi em 2003
Maior jogadora da história do futebol feminino, Marta completa 40 anos nesta quinta-feira (19) acumulando recordes, títulos e um legado que ultrapassa as quatro linhas. Da infância em Dois Riachos (AL) ao estrelato mundial, a Rainha construiu uma carreira de mais de duas décadas marcada por protagonismo em clubes, na Seleção Brasileira e na luta pelo crescimento da modalidade.
De Dois Riachos para o mundo
A história de Marta começou longe dos grandes centros. Aos 14 anos, deixou sua cidade natal, em Alagoas, e percorreu mais de dois mil quilômetros para tentar a vida no futebol. Aprovada no Vasco da Gama em 2000, deu os primeiros passos profissionais antes de passar pelo Santa Cruz-MG e, posteriormente, iniciar a trajetória internacional.
Foi na Suécia, defendendo o Umeå, entre 2004 e 2008, que Marta se consolidou como referência mundial. No período, conquistou a Liga dos Campeões da Europa, títulos nacionais e chamou a atenção do planeta com atuações decisivas.
Melhor do mundo e colecionadora de títulos
O reconhecimento internacional veio em sequência. Entre 2006 e 2010, Marta foi eleita cinco vezes consecutivas a melhor jogadora do mundo pela Fifa — feito que ampliaria em 2018, chegando a seis premiações, recorde na categoria.
Ao longo da carreira, a brasileira acumulou conquistas em diferentes países. Foi campeã da Libertadores e da Copa do Brasil com o Santos, venceu ligas nos Estados Unidos e na Suécia e, desde 2017, é a principal referência do Orlando Pride, onde disputa sua décima temporada.
No total, soma mais de 130 partidas e dezenas de gols pelo clube norte-americano, além de 22 títulos na carreira.
Protagonismo eterno com a camisa da Seleção
Se nos clubes Marta construiu uma trajetória vencedora, com a Seleção Brasileira seu impacto é histórico. A estreia na equipe principal aconteceu em 2003, aos 17 anos. Desde então, a camisa 10 disputou seis Copas do Mundo e seis Olimpíadas.
Com mais de 120 gols — número que chega a 132 em levantamentos mais recentes —, Marta é a maior artilheira da história da Seleção Brasileira, entre homens e mulheres. Também detém o recorde de gols em Copas do Mundo, com 17.
Entre os principais resultados estão o vice-campeonato mundial em 2007, três medalhas de prata olímpicas (2004, 2008 e 2024) e quatro títulos da Copa América.
Mais que uma jogadora: um símbolo
Além dos números, Marta se tornou um ícone global. Ao longo da carreira, atuou como embaixadora da ONU, levantou debates sobre igualdade de gênero no esporte e inspirou gerações com discursos marcantes — como o apelo, em 2019, por mais investimento e dedicação ao futebol feminino.

Em 2024, a Fifa eternizou seu nome ao criar o “Prêmio Marta”, destinado ao gol mais bonito do futebol feminino. Na primeira edição, a própria brasileira foi a vencedora.
Fora de campo, a vida também seguiu em novos capítulos: em janeiro de 2026, a jogadora se casou, nos Estados Unidos, com a ex-atleta Carrie Lawrence.
O legado continua
Em 2026, Marta inicia sua 26ª temporada como profissional e segue em atividade no Orlando Pride, ainda como liderança técnica e símbolo da modalidade. Aos 40 anos, a Rainha prova que sua história não se resume ao passado — ela continua sendo escrita, jogo após jogo.
Mais do que títulos e recordes, Marta deixou um legado de transformação. E, para o futebol feminino mundial, sua maior conquista talvez seja essa: abrir caminhos para que outras meninas possam sonhar — e chegar ainda mais longe.
