O San Siro foi mais um palco para a festa do Bodo Glimt
Por Lucas PaesFoto: Reuters
O novo formato da Liga dos Campeões da Europa parecia criado com o intuito de privilegiar as equipes grandes, mas no fim acabou e segue sendo permissivo também com grandes histórias alternativas. A edição atual tem uma das mais incríveis do futebol: o Bodo/Glimt, que não se intimidou com a Internazionale, venceu por 2 a 1 no San Siro e deixou a Beneamata pelo caminho nos playoffs.
A já histórica trajetória do "Bodão
A campanha do Bodo/Glimt nessa Liga dos Campeões já possuia alguns jogos interessantes. Antes de emplacar os dois triunfos em sequência que o classificaram (3 a 1 sobre o Manchester City e 2 a 1 sobre o Atlético de Madri, em Madri), a equipe norueguesa havia empatado com o Borussia Dortmund na casa dos alemães e com o Tottenham em casa.As duas derrotas na primeira fase foram durissimos resultados para a Juventus de Turim (3 a 2) e Mônaco (1 a 0), ambos dentro do Amyra Stadium. Mesmo com os resultados históricos diante de City e Atlético, ninguém esperava que o time norueguês aprontasse em cima da Internazionale, atual vice da competição.
O azarão vira sua sorte e "mata" a cobra
O Bodo entrou para o confronto com a Inter nos playoffs como azarão, mas começou a mudar essa chave quando fez uma partidaça em seus domínios, encurralou a Inter e a vitória por 3 a 1 ficou pequena diante do que jogou o time norueguês. Nisso, a chave do confronto começava a mudar um pouco.
Na volta, a Inter de fato pressionou e encurralou o "Bodão" diante dos seus no San Siro. Foram várias finalizações, bolas que não entravam e um roteiro que parecia óbvio para quem conhece o Esporte Bretão se desenhava. O único ataque do Glimt no primeiro tempo só não entrou por intervenção quase divina de Sommer. O gol da Inter teimava em não sair.
No segundo tempo, a Inter seguiu pressionando, seguiu não deixando o time visitante jogar, mas, aos 13 minutos, Akanji aprontou um erro bizarro, deu um passe que virou quase uma assistência para Berg e Sommer até salvou sua pele na primeira finalização, mas o rebote de Hauge decretou o destino do jogo e da eliminatória.
A partir do "tardio" gol noruguês na Itália, no mesmo estádio onde a Azzurra outrora foi humilhada por Haaland e seus colegas nas eliminatórias, a Beneamata se perdeu completamente, deixou espaços e viu uma bela jogada dos visitantes terminar no gol de Evjen, que piorou ainda mais a situação. Bastoni até diminuiu, num gol em que a bola não quis nem entrar direito, que no fim não serviu para muita coisa.
A partir do "tardio" gol noruguês na Itália, no mesmo estádio onde a Azzurra outrora foi humilhada por Haaland e seus colegas nas eliminatórias, a Beneamata se perdeu completamente, deixou espaços e viu uma bela jogada dos visitantes terminar no gol de Evjen, que piorou ainda mais a situação. Bastoni até diminuiu, num gol em que a bola não quis nem entrar direito, que no fim não serviu para muita coisa.
Vexame de um, história de outro
Para a Inter, é um dos maiores, se não o maior vexame de sua história europeia e não há meias-palavras e desculpas do treinador Chivu que mudem isso. A pressão sobe e o caldeirão esquentam pois a Inter não poderia ser eliminada dessa forma da competição que melhor paga na Europa.
Tal qual a vexatória queda diante do Elfsborg em 2002, este espisódio ficará marcado e encrustado por eras na lembrança dos nerazzurri, que provavelmente serão campeões da Série A. Este que vos escreve não sabe se isto será o suficiente para segurar o novato romeno na casamata azul e preta.
Para o lado noruguês fica a festa e o sonho vivo. O próximo adversário será a depender do sorteio ou o City, que já provou dos perigos do Amyra Stadium e saiu com um gosto amarguíssimo de lá ou o Sporting, num confronto que seria francamente glorioso no sentido de colocar algum time inesperado nas quartas da Liga dos Campeões.
É preciso encerrar esta crônica com a pergunta: quem poderá parar o sonho norueguês? Bom, certamente não mais a Internazionale, que sucumbiu diante do gelado time do Bodo. Aos festejantes noruegueses resta a comemoração e o sonho, que não pode ser ignorado, de uma epopéia ainda maior.
Já estamos diante de algo histórico, mas numa noite de vitórias diantes de gigantes, de um finalista ficando pelo caminho, nem o mais maluco dos sonhos, que terminaria com uma noite histórica em Budapeste, local da final desse ano, pode ser descartado para o torcedor do Bodo/Glimt.
