Foto: Rafael Góes / CBF

Profissionalização da Arbitragem foi anunciada pelo presidente da CBF, Samir Xaud
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou nesta terça-feira a criação de um programa de profissionalização da arbitragem nacional. A iniciativa terá início já na temporada de 2026 e será aplicada, inicialmente, aos jogos do Campeonato Brasileiro da Série A.
Neste primeiro ano do projeto, a CBF vai contratar 72 profissionais: 20 árbitros principais, 40 árbitros assistentes e 12 árbitros de vídeo (VAR). O grupo será responsável por atender todas as 380 partidas da Série A, podendo também ser escalado, de forma pontual, para jogos da Copa do Brasil e rodadas decisivas da Série B.
Os árbitros terão contratos de trabalho com duração de um ano, firmados a partir de fevereiro, com início oficial do programa em 1º de março de 2026. A contratação será feita no modelo de pessoa jurídica. Apesar de não exigir dedicação exclusiva, a CBF estabelece que a arbitragem seja a atividade prioritária dos profissionais envolvidos.
A escala dos árbitros será dinâmica. A lista dos profissionais aptos a atuar nos dez jogos de cada rodada será atualizada a cada semana, o que impactará diretamente as designações das partidas. Os árbitros poderão recusar a participação no programa, e a CBF contará com uma lista de suplentes para reposições.
Os salários fixos variam conforme a categoria do árbitro, como CBF ou Fifa. Além do valor mensal, os profissionais continuarão recebendo por partida apitada e terão direito a bônus por desempenho. A CBF não divulgou os valores oficiais, mas a média salarial do grupo ficará em torno de R$ 13 mil mensais, enquanto os árbitros principais terão vencimentos mais elevados, com valores fixos que podem ultrapassar R$ 30 mil.
A escolha dos 72 profissionais seguiu três critérios principais:
– ser árbitro do quadro CBF ou Fifa;
– número de escalas na Série A nas temporadas de 2024 e 2025;
– nota média nas avaliações de desempenho da CBF nesses dois anos.
O programa é resultado de um amplo estudo conduzido pela entidade, que analisou modelos adotados em países como Alemanha, Inglaterra, Espanha e México. Um grupo de trabalho foi criado em novembro do ano passado, com participação de clubes das Séries A e B, além de consultores internacionais e representantes da arbitragem.
A CBF estruturou o projeto em quatro pilares. O primeiro é a remuneração, com salários fixos, pagamentos variáveis por jogo, bônus por desempenho e benefícios como auxílio-academia. O segundo é a excelência física e de saúde, com rotina semanal de treinos, monitoramento por smartwatches fornecidos pela entidade e acompanhamento de nutricionistas, psicólogos e fisioterapeutas. Estão previstas quatro avaliações físicas e médicas anuais, que podem até afastar árbitros temporariamente das escalas.
O terceiro pilar é a capacitação técnica. Os árbitros participarão de imersões mensais com aulas teóricas, testes, treinamentos práticos e simulações de tomada de decisão, além de análises detalhadas de lances polêmicos e do desempenho individual em cada rodada. Já o quarto pilar é a tecnologia e inovação, com a previsão de implementação do VAR semiautomático — ainda sem data definida — e da chamada “refcam”, câmera acoplada ao árbitro para monitorar comportamentos e coibir reações excessivas de atletas.
A CBF também adotará um sistema interno de ranking de desempenho, que servirá para promoções e “rebaixamentos” dentro do quadro nacional de arbitragem. As avaliações levarão em conta o controle de jogo, a correta aplicação das regras e o desempenho físico. O ranking não será público, e estão previstos ao menos dois acessos e dois rebaixamentos por temporada.
Com o novo programa, a CBF espera elevar o nível técnico, físico e profissional da arbitragem brasileira, reduzindo erros, padronizando critérios e dando mais estabilidade aos profissionais responsáveis por conduzir as partidas do futebol nacional.




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