Há 46 anos, Inter conquistava seu primeiro título brasileiro

Por Lucas Paes
Foto: Agência RBS

Literalmente iluminado, Figueroa marca o gol do título brasileiro

No dia 14 de dezembro de 1975, o Internacional viveu um dos episódios mais marcantes e felizes de sua grande história. Naquele dia, diante do Cruzeiro, no Beira Rio, o Colorado conquistou seu primeiro título do Brasileirão. Aquele timaço do Colorado é até hoje considerado um dos maiores da história do clube, se não o maior e, por que não, um dos melhores times que o Brasil já teve em seu território. Hoje, o clube gaúcho segue sofrendo com um incômodo jejum que quase acabou em 2020.

Aquele time do Inter foi em boa parte construído em suas categorias de base, que foram valorizadas na década anterior. O clube começava a consolidar o crescimento após deixar o Estádio de Eucaliptos e se mudar para o Beira Rio. Com jogadores como Claudiomiro, Carpegiani, Escurinho e, é claro, um tal de Falcão, o time chegou como um dos candidatos ao título em 1972, após se consolidar entre os times fortes do país nos anos anteriores. Em 1972, outro nome importante chegou: Figueroa.

Naquele Brasileirão, o time de Rubens Minelli chegou consolidado após uma excursão europeia e estava azeitado taticamente como poucas vezes um time esteve. O meio do time parecia coisa de outro planeta, com Falcão, Carpegiani e Escurinho. O grande time Colorado, que fora comparado ao Ajax quando jogou no Velho Continente, fez uma primeira fase primorosa e passou na primeira colocação de seu grupo. Fez também uma segunda fase espetacular e na terceira fase, curiosamente, ficou atrás de um surpreendente e ótimo Santa Cruz, numa classificação que tomou contornos de drama no final.

Nas semifinais, passou pelo Fluminense em pleno Maracanã para chegar a final. Mas, aquele não era qualquer time do Flu, era a Máquina Tricolor de Félix, Carlos Alberto Torres e Rivellino. Diante de um Maraca lotado, o time do Inter anulou o jogo da equipe carioca, Caçapava simplesmente não deixou Riva jogar e um golaço de Lula somou-se a um gol de Carpegiani para dar a vitória por 2 a 0.

A decisão, ocorrida em jogo único, foi na casa do Inter, o Beira-Rio, já que o time gaúcho tinha a melhor campanha. A partida, apesar de ser entre dois times marcantes por um futebol bem ofensivo, foi muito estudada, com nenhum dos times pensando em ceder espaços ao outro. Curiosamente, apesar de duas boas defesas de Raul Plasmann, a melhor oportunidade do jogo foi desperdiçada por Roberto Batata, que perdeu o domínio da redonda num lance na pequena área e deu tempo de um certo Figueroa chegar.


Quando parecia que terminaria no zero, o jogo foi definido pelo zagueiraço chileno. Valdomiro sofreu falta que foi cobrada na cabeça de Figueroa, que iluminado por um raro raio de sol na nublada tarde porto-alegrense, cabeceou com perfeição e colocou o Colorado em vantagem aos 11 minutos do segundo tempo. O Cruzeiro até tentou pressionar e criou chances, mas parou em atuação iluminada de Manga, que garantiu o título ao Inter.

Aquele foi o primeiro título nacional do time alvirrubro, que se seguiria a um bicampeonato em 1976, com basicamente o mesmo time do ano anterior e um terceiro título, conquistado de maneira invicta em 1979. Desde então, o time do Beira-Rio segue sofrendo com um incômodo jejum de títulos nacionais.   
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