"Briosa sempre entra em um campeonato para ser campeã", diz presidente do clube

Por Lucas Paes
Foto: Divulgação/AA Portuguesa

Antônio Carlos de Abreu Ribeiro assumiu a presidência rubro-verde em 2019

A pandemia do Coronavírus afetou diretamente basicamente todo o mundo do futebol. Não foi diferente com a Portuguesa Santista. A Briosa vinha bem no Paulistão da Série A2 de 2020 até o campeonato ser paralisado devido a COVID-19. Agora, já começa a se vislumbrar um retorno do futebol no Brasil e isso inclui a Série A2. O presidente da Portuguesa Santista, Antônio Carlos de Abreu Ribeiro, respondeu perguntas sobre o presente e passado do futebol rubro-verde para O Curioso do Futebol

Primeiro sobre a paralisação, o presidente rubro-verde comentou que a pandemia, que “atingiu o mundo inteiro, também afetou a Portuguesa Santista”: “Em havendo a paralisação, a maioria dos contratos terminavam em 30 de abril, logo após o termino da data prevista para o campeonato, também não houve o pagamento da última parcela da cota de televisão da Rede Globo”. Com o cenário de incerteza, segundo ele, “alguns patrocinadores também se assustaram a princípio”.

Quando questionado sobre sua opinião em relação a paralisação do futebol, Ribeiro disse que naquele momento foi contrário a pausa da Série A2, numa reunião onde segundo ele “não houve uma unanimidade sobre a decisão. “Eu entendia que naquele momento, como havia pouquíssimos casos no Brasil confirmados, eu entendia que era melhor e mais inteligente jogarmos os últimos três jogos da primeira fase”. Segundo ele, sua opinião se relacionava a diversos fatores, desde a questão dos atletas que vinham de diversos locais e teriam um deslocamento em meio a crescente de casos: “Eu entendia que era mais perigoso eles irem para as suas casas do que permanecerem aqui nos últimos três jogos”. 


Ele completa que os atletas “estariam mais seguros no clube, onde há médicos, nutricionistas e outros profissionais a disposição, além da possibilidade do isolamento.” Para ele, seria mais prudente realizar os últimos três jogos, obviamente sem a presença de público, completando que com isso, a discussão sobre a volta dos jogos seria com 8 clubes e com rebaixamentos já definidos e não mais com 16 equipes. Defendeu também que a partir das quartas de final se tenha um “mata-mata”, com apenas um jogo entre as duas equipes e não com ida e volta. Segundo ele, agora com maior conhecimento da doença e dos protocolos de segurança que a covid-19 demanda, o “retorno dos campeonatos é natural”, porém ele reiterou o pedido para uma fase final mais curta, para, além de tudo, “resolver o campeonato rapidamente e evitar piores riscos”. Reiterando que temos que “enfrentar os riscos tomando os devidos cuidados”.

Para contornar o problema das cotas e dos patrocinadores, o clube abriu conversas diretas com cada um dos jogadores do elenco, propondo parcelamento das rescisões e dos valores a serem recebidos: “estamos efetuando o pagamento de forma parcelada e honrando dentro das datas combinadas esse parcelamento, com muitas dificuldades, mas estamos conseguindo.”. Com isso, o presidente rubro-verde espera conseguir trazer boa parte do elenco de volta ao clube e fazer apenas contratações pontuais para o resto do campeonato, segundo ele: “16 devem retornar, essa é a nossa expectativa e depois fazer algumas contratações pontuais para o término do campeonato.”. 

A remontagem do elenco, segundo Ribeiro, é pensada para fazer com que a Portuguesa não só suba, como acabe campeã da série A2 do Paulistão: “Quem pratica esporte, tanto atleta, quanto instituição desportiva tem sempre que visar o título, tem sempre que visar os melhores resultados possíveis, e a Portuguesa não é diferente disso”. A missão do clube, segundo ele é sempre lutar para vencer. “Vencer ou perder é consequência do jogo”. Mas, novamente, afirma que a Portuguesa "sempre entra em campo para vencer e ser campeã." Ele completa dizendo que o objetivo do time “segue sendo o acesso e o título”.


Ainda sobre esse assunto, completou que apesar de ponderar que “outros times podem ser mais capacitados ou terem feito investimentos maiores” ele diz que é preciso “fazer sempre o melhor possível com o que se tem” e considera que o trabalho feito até a pandemia era bom e que por isso a intenção do clube é manter a base do elenco: “A gente entende que o trabalho foi bom e entende que essa base deva permanecer para o retorno”. Ele reiterou, porém que o “futebol é muito dinâmico”, citando como exemplo a negociação de Gabriel Terra com o Juventude: “Nós entendemos que isso (a negociação) para monetizar o clube para os próximos anos é importante. Ele reitera também que “essa peça já foi reposta.”. 

Uma crítica feita pelo atual mandatário do clube de Ulrico Mursa é que a instituição não vinha conseguindo montar uma “coluna vertebral” no elenco e atualmente ele busca mudar isso: “Hoje nós estamos mirando nesse campeonato e como já está muito próximo do ano que vem, fazer um contrato mais longo, pra gente começar o ano que vem sem ter que fazer um time do zero como tem sido feito nos últimos anos”. Ele reitera que “houve bons resultados nos últimos anos”, mas que montar uma base para a equipe facilitará muito o planejamento para os próximos campeonatos. 

Recentemente, a Federação Paulista de Futebol fez uma reunião por videoconferência com os clubes da Série A2 para definir arestas sobre o retorno dos campeonatos, segundo Ribeiro, na reunião apenas se definiram “as datas que serão propostas ao governo do estado de São Paulo”. “No dia 20 de julho o retorno para os testes dos jogadores, no dia 27 o retorno dos treinamentos e no dia 19 de agosto o retorno do jogos.”. A partir da aprovação do governo estadual é que seria dado andamento em relação ao planejamento da própria Portuguesa. No dia primeiro de agosto, haveriam os testes coletivos da Federação Paulista de Futebol, que ocorrerão em parceria com o Hospital Albert Einstein. 


Ele revelou que a partir disso “a equipe fará uma nova pré-temporada”, que dessa vez deve ocorrer em cidades do Litoral Sul, como Peruíbe ou Itanhaém, onde houveram poucos casos de coronavirus. Só depois haveria uma definição se a delegação rubro-verde “sairia direto para o jogo contra o Juventus ou passaria alguns dias isolada em Santos antes de ir ao jogo.”. Segundo o dirigente, a Portuguesa Santista fez as reformas necessárias e também a limpeza para que o Estádio Ulrico Mursa pudesse ser uma alternativa e, é claro, pudesse receber os jogos. 

Sobre a parceria com o empresário Marcelo Galáctico, ele explicou que o empresário foi apresentado ao clube através de Sérgio Guedes, com a proposta de um “contrato de cogestão e parceria”, como feito na gestão anterior. Mas, Ribeiro reiterou que não queria um contrato naqueles moldes, onde segundo ele poderia ocorrer até da “parceria controlar a verba vinda da federação”. Então foi desenhado um outro modelo de contratação: “Hoje nós temos um contrato de parceria de marketing”. Ele completa que “o objetivo de Galáctico é fazer marketing de alguns jogadores”: “Ele tem alguns jogadores e esses jogadores são apresentados a Portuguesa.”. A partir do momento que um atleta de Marcelo é apresentado, ele passará por avalição da comissão técnica, da gerência de futebol e depois de passar por esses dois crivos, chegara à negociação com a presidência, envolvendo contrato, salário e etc. Só a partir disso então poderia ocorrer a contratação. Ele termina afirmando que nenhuma parceria, nenhum patrocinador e nenhum empresário “escalam jogador” ou “administram verbas e negociações sem a autorização da Portuguesa”: “Hoje aqui na Portuguesa para um jogador ser negociado tem que vir uma proposta do clube interessado com a assinatura do seu presidente, eu faço contato com o presidente e a gente negocia o jogador”. Ainda sobre o assunto, ele completa dizendo que o contrato vai até o final do ano e só será renovado se a parceria vier a ser positiva. 

Sobre a saída de Sérgio Guedes, o presidente disse que não houve em nenhum momento a demissão do treinador: “Eu não demiti o Sérgio Guedes, o contrato terminou no dia 30 de abril, nós cumprimos o contrato na íntegra e fizemos, como com todos os profissionais, um parcelamento dos valores do término do contrato.”. Ele completa que o técnico “tinha seu salário pago dentro do próprio mês, enquanto todos os funcionários recebiam no mês subsequente.” E reitera que a Briosa honrou todos os pagamentos. Ribeiro diz não ter nenhum problema com Sérgio Guedes e acha natural que ele possa voltar para o clube no futuro.


O mandatário rubro-verde mais uma vez reiterou que a pandemia “mudou o mundo”, comentando que alguns especialistas em economia dizem que podem "demorar dois anos para que a economia volte ao padrão pré-pandemia". Com isso, o clube “precisava procurar uma opção que coubesse dentro da realidade de pagamento do clube”. A Portuguesa Santista só tem agora mais uma parte da verba da federação para cobrir os custos do final do campeonato. Ele também diz que “por sorte, nós temos uma MP aprovada pela presidência da república que nos permite contratar por 30 ou 40 dias.” Com isso, a opção pela saída do antigo treinador foi “natural”, pois “ele por sí só e seu currículo já falam o valor que um trabalhador tem de receber”, que configuram um “patamar elevado para o padrão da Portuguesa.” 

A contratação de Elder Campos, segundo Ribeiro, tem relação com esses fatores, mas também com uma palestra, que segundo o presidente rubro-verde, Sérgio Guedes fez para os treinadores da base, com o objetivo de fazer com que a longo prazo os times de base e os profissionais rubro-verdes trabalhem com o mesmo estilo de jogo. Com essa visão e devido tanto ao currículo, quanto a seu conhecimento e, é claro, o encaixe na questão financeira, acabou acontecendo essa escolha. 

No domingo, publicaremos a segunda parte da entrevista com o presidente rubro-verde, falando sobre o futuro do clube pós coronavirus e sobre projetos nos quais o próprio Elder Campos pode vir a ser importante, relacionando equipes de base e a equipe profissional e, é claro, sobre o clube.
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