sábado, 2 de maio de 2020

O Santos campeão paulista de 2010

Com informações do Centro de Memória e Estatística do Santos FC
Foto: arquivo Santos FC

O capitão Robinho levanta a taça: 10 anos do título paulista de 2010

No primeiro semestre de 2010, repetindo um encantamento que ocorre de tempos em tempos, os deuses do futebol presentearam o Santos com um time formado por meninos, jogadores veteranos em recuperação e anônimos que se tornou o grande espetáculo dos campos brasileiros. E em um dia 2 de maio, como hoje, esse time entrava em campo para conquistar o seu primeiro título, o Campeonato Paulista.

As exibições da equipe na competição davam uma nova vida ao futebol paulista. Fazendo jus à vocação atávica do Alvinegro Praiano, seus jogos eram um festival de gols. O Ituano perdeu de 9 a 1; Monte Azul e Grêmio Barueri (que depois se chamaria Grêmio Prudente), de 5 a 0; Bragantino, de 6 a 3; Rio Branco, de 4 a 0. Mesmo o São Paulo, na semifinal, não deixou de sofrer um 3 a 0, fora o show, na Vila Belmiro.

Parecia impossível parar um ataque com Neymar, Robinho, André, Wesley, Madson, apoiados por Paulo Henrique Ganso, Marquinhos, Arouca. Até os zagueiros Durval e Edu Dracena iam para a área adversária fazer gols, sem contar o lateral-esquerdo Léo. Enfim, cada jogo do Santos era um espetáculo.

Até quando perdeu para o Palmeiras, na Vila Belmiro, por 4 a 3, o confronto mereceu elogios. Era como se o grande Santos, aquele que tomava três e fazia seis, houvesse voltado. Por isso, quando chegou à final, contra o aguerrido Santo André, ninguém duvidava de que seria o campeão.

Na fase de classificação o Santos derrotara o Santo André, no Bruno José Daniel, por 2 a 1. A campanha do Alvinegro também era mais firme, pois além das muitas goleadas, vencera os clássicos contra Corinthians, na Vila, e São Paulo, em Barueri – este, com um momento mágico, em que Robinho, na sua reestreia no clube, marcou um gol de letra para definir a partida.


Enquanto o Santos passou pelo São Paulo, na semifinal, com duas vitórias – 3 a 12 no Morumbi e 3 a 0 na Vila –, o Santo André penou para superar o Grêmio Prudente (ex Grêmio Barueri). O time do ABC ganhou o primeiro jogo, em Presidente Prudente, por 2 a 1, mas perdeu o segundo, em casa, pelo mesmo placar, conseguindo a vaga para a final por ter melhor campanha do que o adversário.

Uma decisão cardíaca - No primeiro jogo da final, dia 25 de abril, o Santos já poderia ter deixado o título bem encaminhado. Um Pacaembu tomado por 33 354 torcedores, quase todos santistas, viu o time sair perdendo por 1 a 0 no primeiro tempo, mas fazer três gols dos 13 aos 24 minutos do segundo e deixar a taça bem mais perto.

A vitória por 3 a 1 daria ao Santos a vantagem de poder perder até por dois gols de diferença no domingo seguinte e ainda assim ser campeão. Para complicar para o Santo André, o zagueiro Toninho foi expulso. Assim, nos últimos minutos do jogo, o Alvinegro tentava fazer o tempo passar e o adversário buscava, desesperadamente, ao menos mais um gol.

Nesses momentos o torcedor santista teme pela falta de atenção, ou fragilidade mesmo, de seu sistema defensivo. Apaixonado pelo ataque, o Alvinegro às vezes bobeia lá atrás, e foi isso que ocorreu a dois minutos para o final. O Santo André apertava. O chute veio de fora da área, a bola ricocheteou no pé da trave, na volta bateu em Rodriguinho e morreu no fundo do gol.

Com a vitória de 3 a 2, o Santos seria campeão, dia 2 de maio, mesmo perdendo por um gol de diferença. Mas não havia ninguém no mundo que pensasse em outro resultado que não outra vitória santista, e de goleada. No dia da final, já demonstrando o estilo irreverente que o caracterizaria, Neymar saiu do túnel de óculos escuros e já ensaiando os passos de uma dancinha para comemorar os gols.


Pouca gente deu bola para aquele Santo André, um time bem montado pelo técnico Sérgio Soares, equilibrado em seus setores, também com um bom ataque – formado por Nunes e Rodriguinho, apoiado por Branquinho e Bruno César – que também já tinha conseguido bons resultados fora de casa. Era o dono da segunda melhor campanha do campeonato, mas, para os santistas, a consciência do perigo só veio quando a bola rolou.

Os 36 mil torcedores, responsáveis pela renda recorde de dois milhões e 349 mil reais ainda cantavam no Pacaembu quando o Santo André avançou e Nunes apareceu livre, embaixo das traves, para fazer 1 a 0. O jogo continuou aberto e aos sete minutos, após jogada sensacional, Neymar empatou. Mas a alegria não durou muito.

Em uma discussão após falta em Neymar, o veterano Léo, 34 anos, bateu boca com Nunes e ambos foram expulsos. Mas o pior estava por vir. Aos 19 minutos Alê apareceu na área para cabecear antes de Durval e colocar o time do ABC de novo na frente.

A aflição só se desvaneceu 11 minutos depois, quando um passe de ourivesaria do maestro Ganso deixou Neymar livre para empatar. Antes do final do primeiro tempo, porém, Marquinhos foi expulso ao dar uma tesoura em Branquinho e pouco depois o mesmo Branquinho fez 3 a 2 para o Santo André, transferindo a agonia santista para o segundo tempo.

Sofresse mais um gol e o Santos, com um jogador a menos, dificilmente seria campeão. Quase sem força para atacar, o time se fechou na defesa, ou ao menos tentou. O adversário fechava o cerco, Arouca salvou uma bola que ia entrando no gol de Felipe. Cansado, Robinho foi substituído por André, que por sua vez seria substituído por Bruno Aguiar.


Até Neymar foi tirado de campo pelo técnico Dorival Junior, que colocou o experiente volante Roberto Brum, 31 anos, no lugar do garoto santista. Mas Brum cometeu falta feia para parar um contra-ataque e foi expulso minutos depois. Quando Dorival quis tirar também o meia Ganso, este se recusou, balançando o indicador da mão direita para o mundo ver. Sua permanência em campo se revelaria decisiva.

Como sabia que o árbitro Sálvio Spínola poderia compensar, expulsando também algum jogador do Santo André, Ganso passou a prender a bola e chamar a falta. Na busca por ganhar tempo, chegou a cobrar um escanteio para ninguém, empurrando a bola por apenas alguns centímetros, e saiu displicentemente do lugar, voltando apenas para cercar o adversário que, instantes preciosos depois, percebeu a manobra.

Poucas vezes o apito final de um árbitro foi recebido com tamanha sensação de alívio. Pelo jogo, o Santo André mereceu a vitória, mas pela campanha, seria uma colossal injustiça o Santos ficar sem o título, o primeiro do tricampeonato de 2010/11/12, o terceiro do clube no Paulista. Justificando a fama de maior time goleador do mundo, o Alvinegro marcou 72 gols, com média de 3,13 por jogo, a maior dos campeões paulistas da década.

O time campeão jogou com Felipe, Pará, Edu Dracena, Durval e Léo; Rodrigo Mancha, Arouca, Marquinhos e Paulo Henrique Ganso; Neymar (depois Roberto Brum) e Robinho (André, depois Bruno Aguiar). O Santo André apresentou Júlio César, Cicinho (depois Rômulo), Halisson, Cesinha e Carlinhos; Alê (pio), Gil, Branquinho (Rodrigão) e Bruno César; Nunes e Rodriguinho.

Aquele Santos conquistaria dois títulos por ano até 2012, entre eles a terceira Copa Libertadores, em 2011, e a Recopa Sul-americana, o seu sexto título oficial no continente, em 2012. Quatro meses após a final com o Santo André, ganharia também a sua primeira Copa do Brasil. Mesmo não convocados pelo técnico Dunga para a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, a partir dali Neymar e Ganso seriam respeitados como os melhores jogadores da nova geração do futebol brasileiro.
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