terça-feira, 19 de maio de 2020

Herói da final, Andrey relembra Mundial Sub-17 de 1997

Com informações da CBF
Foto: arquivo pessoal

Andrey, nas pirâmides do Egito, após a conquista do Mundial Sub-17 de 1997

O sucesso do Brasil em Campeonatos Mundiais não é uma exclusividade da categoria profissional. A Seleção Brasileira também acumula ótimos resultados no futebol de base. Na Sub-17, por exemplo, a Canarinho é tetracampeã mundial. O último título foi no ano passado, conquistado em território nacional. Mas você lembra como foi a primeira destas conquistas? Aconteceu há quase 23 anos, no ano de 1997, no Mundial do Egito. A geração que contava com ninguém menos que Ronaldinho Gaúcho garantiu a primeira glória intercontinental da categoria em uma final emocionante, que teve Andrey como protagonista. 

Autor do gol do título, o lateral-direito daquela Seleção Brasileira Sub-17 conversou com a equipe do site da CBF e abriu o baú de lembranças do Mundial Sub-17 de 1997 para reviver a conquista. Andrey compartilhou uma imagem da medalha de campeão, guardada com carinho até hoje, fotos inéditas do grupo e passagens muito especiais vividas no Egito. O ex-atleta, que hoje atua como auxiliar-técnico da equipe Sub-20 do Audax-SP, revela que ainda se impressiona com a dimensão do gol que marcou.

"É surreal, nunca imaginei que fosse acontecer. Você sonha, mas quando acontece... É diferente. Eu me pergunto até hoje sobre o fato de ter sido tão marcante. Houve outras Seleções que conquistaram a competição, tivemos outros três títulos depois, e eu não sei se foi porque o jogo foi num domingo, às 12h no Brasil, e foi a primeira conquista... Mas muita gente acompanhou a partida. Até hoje, em vários lugares em que eu vou, as pessoas falam: - Ah, é o Andrey da Sub-17. É um lance que marcou muito a minha carreira, todos os clubes em que passei lembraram disso e me abriu portas. Mas é muito louco. Tem mais de 20 anos e as pessoas ainda lembram com detalhes, como se fosse uma Copa profissional", declarou.

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Já campeões, os jovens da Seleção Brasileira tiveram a oportunidade de ficar mais um dia no Egito para um passeio pelas famosas Pirâmides. Mesmo a muitos de quilômetros de distância de casa, a garotada mostrou ao mundo como é uma verdadeira comemoração brasileira. Com pandeiro, cavaco e tudo que tem direito, o grupo escolheu a canção "Louca Paixão", sucesso do grupo Exaltasamba nos anos 1990, para deixar a visita ainda mais animada. No cenário de mais de cinco mil anos de existência e entre os cartões postais mais famosos do planeta, o futebol brasileiro alcançava o topo do mundo. 

"A gente jogou num dia 21, se não me engano, e ninguém dormiu depois da final, né? No dia seguinte fomos conhecer as Pirâmides. O Marcos Uchôa (repórter da TV Globo que estava fazendo a cobertura da competição) acompanhou a gente na visita e registrou o que foi uma verdadeira festa. Tocamos um samba lá nas pirâmides. Foi uma visita muito divertida e inesquecível. Não tinha internet, redes sociais e tudo o que temos hoje. Então, ainda não tínhamos a real dimensão da repercussão da conquista. Me lembro que fazíamos fila no único celular que tinha com o grupo para ligar para a família depois dos jogos. Mas quando chegamos ao Brasil, a festa continuou", destacou.

Dentro de campo a Seleção "jogava por música", como se diz na gíria do futebol. Até chegar a final, onde derrotou a forte seleção de Gana, de virada, por 2 a 1, o Brasil teve ótimo aproveitamento na fase de grupos, com três vitórias tranquilas: 7 a 0 sobre a Áustria na estreia, 3 a 0 nos Estados Unidos e 3 a 1 diante de Omã. O show continuou no mata-mata, com 2 a 0 sobre a Argentina nas quartas e 4 a 0 diante da Alemanha na semifinal. Andrey acredita que a campanha tão sólida seja fruto de uma preparação forte. Ele revela ter percebido neste período de testes um fato que seria importantíssimo para a conquista: o surgimento de um dos grandes craques da história do futebol.


"A comissão técnica, através do nosso treinador Carlos César, que foi fantástico no comando, passava para nós a importância da preparação para enfrentar equipes da Europa e da África. Então, nós fizemos várias viagens para enfrentar diferentes adversários. E o Ronaldo... É fácil falar dele. Fomos convocados pela primeira vez juntos. O primeiro jogo foi em Glasgow, na Escócia, diante do time da casa. Um frio tremendo, nós com apenas 14 anos, e acabamos perdendo por 1 a 0. Na partida seguinte, contra a Inglaterra, em Wembley, o clima estava mais ameno e o Ronaldinho foi absurdo. Ele abusou da habilidade! Deu caneta, chapéu, tocava virando a cara... Tudo isso com apenas 14 anos. E já vimos o talento que ele tinha. Depois, quando fomos treinar na Granja Comary, tivemos a certeza do dom nato que ele tinha. Como defensor, me lembro que ninguém queria marcá-lo nos treinos (risos). É um cara super gente boa e foi muito importante na conquista, o nosso melhor jogador. A gente sabia que era questão de tempo para ele chegar na Seleção principal", acrescenta Andrey ao lembrar do parceiro Ronaldinho Gaúcho.

Uma campanha invicta e tão marcante, com 21 gols marcados e apenas dois sofridos em seis partidas, só seria possível para uma equipe formada por grandes jogadores. Andrey destaca que a conquista abriu os caminhos de carreiras vitoriosas, pois muitos dos atletas tiveram destaque na sequência atuando em grandes clubes do futebol brasileiro, como o próprio lateral, que defendeu times como São Paulo e Flamengo, e no exterior. O ex-atleta revelou ainda que o entrosamento entre o grupo é o mesmo 23 anos depois da conquista. 

"Muita gente teve carreira sólida e jogou em time grande. Giovanni jogou no Benfica, Barcelona. O Fábio, que está há tanto tempo no Cruzeiro, era o nosso goleiro. Flavinho, Fernandão, Ferrugem, Gavião... Jorginho Paulista ganhou muitos títulos no Brasil, depois jogou no Boca (Juniors-ARG). O Matuzalém jogou anos na Itália... Enfim, era uma Seleção muito forte e tinha uma turma muito boa. Era um ambiente espetacular, tanto que temos contato até hoje, através de um grupo de Whatsapp, e estamos sempre falando por ali. Temos duas pessoas que não estão mais com a gente, infelizmente, que são o Jorginho, que era massagista do Flamengo e faleceu recentemente, e o professor Alexandre Revoredo, que era o nosso preparador de goleiros. Mas lembramos deles com alegria. Essa é a nossa primeira grande conquista, por isso é tão marcante", finalizou.
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