terça-feira, 17 de março de 2020

Trapattoni e o fim do jejum do Benfica - A passagem do gênio italiano pelos Encarnados

Por Lucas Paes
Foto: Fernando Ferreira/Record

Trapattoni, comandando atividade, foi treinador do Benfica por uma temporada 

Giovanni Trapattoni é um dos maiores treinadores da história do futebol italiano. Ex-zagueiro que atuou pelo Milan em sua carreira profissional, teve como técnico sucesso enorme com as cores preta e brancas da Juventus e com o azul e preto da Internazionale, onde conquistou seus principais títulos como treinador. Completando 81 anos neste dia 17 de março, o italiano teve também uma passagem marcante em Portugal, quando foi responsável por tirar o Benfica de um incômodo jejum.

Trapattoni era o treinador da Seleção Italiana até 2004, quando foi demitido por resultados ruins, dando lugar a Marcelo Lippi. Após deixar o comando da Azzurra, foi contratado pelos benfiquistas no dia 5 de julho de 2004. Naqueles anos, o Benfica vivia talvez os piores anos de sua história, quando estavam a onze longos anos sem conquistar a Liga Portuguesa e haviam acabado de encerrar um longo jejum de conquistas da Copa de Portugal. Trapattoni foi contratado com a missão de retornar os encarnados a glória.

A temporada não começou bem para o italiano, que viu o time perder a Supercopa para o Porto e falhar na classificação para a fase de grupos da Liga dos Campeões, após uma dura eliminação para o Anderlecht. Aos poucos, os Encarnados foram se recuperando e começaram uma boa corrida na Liga com cinco vitórias e um empate nos seis primeiros jogos, que deixaram o Benfica na liderança. A primeira derrota veio em clássico com o Porto, por 1 a 0, em jogo onde o Benfica teve um gol não marcado onde a bola claramente entrou.


Depois do clássico, o time caiu de rendimento e chegou a ficar na quarta posição, enquanto conseguia resultados relativamentes bons na Copa da UEFA. O campeonato porém, era bem parelho e a volta as vitórias na partida contra o Estoril garantiu a volta do time vermelho e branco a liderança. A temporada, porém, continuou complicada, com a equipe sofrendo para passar pelo Oliveirense na Copa de Portugal e sofrendo uma goleada por 4 a 1 para o Belenenses e caindo para o quinto lugar após uma derrota no derby com o Sporting.

Curiosamente, o jogo seguinte a dura derrota para o Sport foi uma vitória diante do Boavista por 4 a 0 que voltou o Benfica ao caminho da liderança. Depois de um empate com o Braga e uma vitória contra a Academica, o time seguia na liderança junto ao Porto. Na Copa da UEFA, porém, veio uma surpreendente eliminação para o CSKA. No mês seguinte, após outra boa sequência de resultados, os Encarnados conseguiram uma vantagem de três pontos sobre o Porto na liderança. Na vitória por 2 a 0 sobre o Gil Vicente, Trapattoni chegou a discutir com um torcedor.

Em abril, já no final da temporada, o jogo contra o Marítimo em casa foi descrito pelo próprio Trapattoni como o jogo mais excitante dos seus 30 anos de carreira. Depois de um 3 a 2 para o Benfica nos primeiros 20 minutos, Van der Gaag empatou o jogo e já no finalzinho Mantorra fez o gol da vitória benfiquista. Enquanto isso, o time avançou para a final da Copa de Portugal ao bater o Estrela da Amadora por 3 a 0. Mas a parte final da liga ainda reservava emoções. 

A vitória decisiva diante do Sporting na Luz

Uma derrota para o Penafiel fora de casa custou a liderança aos benfiquistas, que tiveram o clássico que era quase uma final contra o Sporting no dia 14 de maio. Um gol de cabeça de Luisão deu a vitória ao Benfica no Estádio da Luz completamente abarrotado. O título veio com um empate contra o Boavista fora de casa, suficiente para a conquista da taça. Na última partida da teporada, porém, o Benfica perdeu a final da Copa de Portugal para o Vitória de Setúbal. Trapattoni, que já havia indicado em entrevista a Gazzetta Dello Sport que deixaria Lisboa, acabou encerrando sua passagem ao final da temporada por razões pessoais.

Ainda que tenha durado apenas uma temporada, a passagem de Trapattoni pelo Benfica serviu para tirar os encarnados de um longo jejum sem títulos portugueses, garantindo a volta das Águias a tempos mais condizentes com sua história. Seriam outros cinco anos antes que os Encarnados ganhassem a liga novamente, com o clube voltando a tempos mais gloriosos nos últimos anos. Ainda assim, Trapattoni é o responsável por encerrar o mais incômodo jejum de títulos portugueses do Benfica, mais uma das várias glórias de sua carreira.
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