quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Mesmo com o título de 2012, Corinthians segue colecionando algozes na Libertadores

Foto: Marcos Ribolli/Globoesporte.com

A Libertadores segue sendo um pesadelo corintiano

Nem a bonita história da primeira conquista da Libertadores pelo Corinthians, de maneira invicta, lá no já distante ano de 2012, parece mudar a terrível sina alvinegra com a competição continental. A Copa Libertadores da América em todos os seus percalços segue sendo um pesadelo particular na vida do torcedor corintiano. Um filme de terror de algozes conhecidos onde recentemente outro vilão se fez presente como um Freddie Krueger, como um Voldemort, como um vilão que parece morto e reaparece para matar o personagem principal. A competição libertadora segue sendo uma prisão torturante para o Corinthians, mesmo depois do fim da sina e o Guarani é apenas mais um dos vários algozes desse sofrimento.

A partir do momento em que a competição continental passou a ter um peso maior para o torcedor brasileiro, o que ocorreu em meados da década de 1990, ela foi um pesadelo para o Corinthians. Já em 1991, numa era onde só Santos, Flamengo, Grêmio e Cruzeiro haviam conquistado a competição no Brasil, o Timão conheceu um time que consegue trazer lembranças maravilhosas e terríveis ao mesmo tempo, um time que para outros brasileiros é um bicho papão impiedoso e voraz, o Boca Juniors. Os argentinos impuseram a primeira eliminação no mata-mata continental ao Corinthians, já que em 1977, em sua primeira participação, os tempos eram outros e a competição era bem diferente. Ali começava a sina alvinegra com a Libertadores.

Em 1999, já com o São Paulo tendo dois títulos continentais e com a Libertadores cada vez mais assumindo um papel importante para os times brasileiros, veio o primeiro de dois confrontos seguidos entre Corinthians e Palmeiras em “La Copa”. O clássico de opostos históricos já tinha ocorrido na primeira fase e voltou a acontecer no mata-mata. Com uma vitória para cada lado, a classificação alviverde veio nos pênaltis. A campanha do arquirrival corintiano terminaria com título e aí começou uma das “flautas” mais famosas do futebol brasileiro: Libertadores, o Corinthians nunca viu (e nem vai ver). Pelo menos assim versava a música.

No ano seguinte, depois de uma campanha muito boa na primeira fase o Timão chegou ao mata-mata com favoritismo e foi despachando seus adversários. Naquele ano, o Alvinegro do Parque São Jorge tinha um dos melhores times de sua história, que havia conquistado o primeiro Mundial de Clubes da FIFA em janeiro. Na semifinal, o velho rival veio na face do Palmeiras. Dois jogos que se tornaram um conto histórico, quase um marco Shakesperiano do futebol brasileiro. Depois de dois jogos espetaculares, com um futebol excelente apresentado tanto por corintianos como palmeirenses, a decisão foi para os pênaltis e neles a tragédia caiu sobre as costas de Marcelinho Carioca, ídolo absoluto do Timão, que teve seu pênalti decisivo defendido por Marcos. Vaga palmeirense.

De tanto serem zoados pela não conquista da Libertadores, a competição virou uma violenta obsessão corintiana. Em 2003 e 2006 surgiu o pesadelo River Plate, o nome que era o grande algoz e grande pesadelo corintiano em campos sul-americanos antes de 2012. Em 2003, a eliminação dolorosa foi até relativamente bem digerida pelo torcedor, mas em 2006, depois de um investimento absurdo da MSI e com um time muito forte que tinha entre outros nomes caras como Tevez e Nilmar, a torcida corintiana se revoltou e causou uma imensa confusão no Pacaembu, após a traumática derrota para os Millonarios nas oitavas de final. A sensação era que a Libertadores não viria nunca.

Depois disso, em anos negros, a Libertadores virou até devaneio para o corintiano, que viu o seu time cair para série B, ter de se recuperar e só voltou a competição em 2010. Naquela edição, o Timão fez boa campanha na primeira fase e acabou eliminado pelo Flamengo nas oitavas de final, num episódio que doeu mais pela derrota em si do que qualquer outra coisa. Naquele dia, os alvinegros lutaram até a última gota de suor, mas a vaga não veio.

Em 2011, a pior história até então está diretamente relacionada ao sucesso de 2012. Na primeira vez em que disputou a primeira fase da Libertadores, por nós conhecida como "Pré-Libertadores", o Corinthians enfrentou o Tolima, com Ronaldo, Roberto Carlos e outros nomes de qualidade no elenco, o alvinegro sucumbiu para os colombianos, num já distante 2 de fevereiro de 2011. No ano seguinte, de uma maneira quase anticlimática e surpreendente para quem viveu tudo o que o Timão viveu em Libertadores, o título veio, com o surgimento retubante de Cássio e classificação heróica contra o Vasco, com uma classificação incrível diante do Santos de Neymar e Ganso e com uma final que, por incrível que pareça, foi relativamente tranquila diante do Boca Juniors. Parecia o fim do pesadelo.

Porém, não foi. Se acabou a "neura" do torcedor corintiano com a competição, ela seguiu e segue sendo um drama. Em 2013, numa eliminatória onde, para dizer o mínimo, os corintianos foram absurdamente prejudicados pela arbitragem, veio uma eliminação para o mesmo Boca Juniors vencido em 2012. Dois anos depois, o Timão passou de maneira bonita pela pré-Libertadores e voou na primeira fase de 2015, com um time que parecia jogar por música, que venceu o rival São Paulo na primeira fase, parecia que o Guarani do Paraguai seria apenas uma vítima de outra linda história continental. Pois os aurinegros venceram o ótimo time de Tite duas vezes, por 2 a 0 e por 1 a 0 e se tornaram mais um pesadelo corintiano na competição.

Depois, o filme se repetiu nas oitavas de final em 2016, com o Nacional, do Uruguai. Dois anos depois, foi a vez do Colo-Colo. Uma escrita amarga seguia assombrando a Arena Corinthians, já que desde a conquista invicta de 2012, o Timão não vencia um mata-mata de Libertadores. Em 2020, um mata-mata, aliás, dois, seriam necessários para que o Alvinegro do Parque São Jorge chegasse a fase de grupos, onde se prenunciava um confronto com o Palmeiras. O adversário dessa primeira batalha? O velho conhecido Guarani, do Paraguai.


Pois os aurinegros seguem sendo um pesadelo, outro dos fantasmas que assombram a saga libertadora do Corinthians. Depois de vencer por 1 a 0 no Paraguai, o Guarani viu os comandados de Tiago Nunes abrirem 2 a 0, mesmo jogando parte do primeiro tempo com um jogador a menos, na Arena Corinthians e encaminharem a vaga. Porém, como um eterno pesadelo, uma cobrança de falta de Fernandez deixou mais do que vivo o pesadelo corintiano. Uma incômoda escrita: desde que venceu a Libertadores, o Timão se classificou apenas contra o Once Caldas, em 2015, em confrontos eliminatórios na competição.

Boca Júniors, River Plate, Guarani do Paraguai e Palmeiras. Todos eles foram por mais de uma vez parte protagonista das terríveis noites vividas pelo torcedor corintiano na Libertadores. Outros como o Tolima, apareceram apenas uma vez para assombrar por muito tempo o Parque São Jorge. Qualquer pessoa que goste de futebol hoje consegue imaginar a curiosidade que paira dentro da imaginação da fiel torcida: até quando o sofrimento do Corinthians na Libertadores vai continuar? Quantos mais serão os algozes das noites de quarta e quinta-feira? Os fantasmas seguirão, em diversos sotaques e diversas nacionalidades, assombrando as noites de Libertadores do Parque São Jorge. Até quando o time do Parque São Jorge seguirá fracassando na Libertadores?
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