2002 - O título brasileiro que lavou a alma dos torcedores do Santos

Por Gabriel Santana / Centro de Memória do Santos FC
Foto: Ari Ferreira

Diego, Robinho e outros jogadores comemorando o título

A ofensividade e a capacidade de revelar grandes jogadores são duas das principais características históricas do Santos. Em 2002 elas foram responsáveis pelo desempenho do time no Campeonato Brasileiro. No inesquecível 15 de dezembro daquele ano esses dois atributos, aliados à garra, ousadia e determinação, fizeram daquela final uma das mais marcantes da história do Alvinegro.

O Corinthians foi o grande adversário do Peixe na final, após passar pelo Fluminense nas semifinais. O time do Parque São Jorge tinha a vantagem de jogar pelo empate na soma dos pontos e no saldo de gols, já que havia feito melhor campanha que o Santos na primeira fase.

O primeiro jogo era mando do time santista, mas as duas partidas foram realizadas no Morumbi, com os ingressos divididos igualmente entre as duas torcidas. Destemidos, os Meninos não se intimidaram. Logo aos 15 minutos Diego fez um lançamento preciso para Alberto, que correu por trás da zaga e bateu entre as pernas do goleiro Doni, abrindo o marcador para o Peixe.

No segundo tempo, os corintianos tentaram empatar a todo custo, mas sem sucesso. Já no fim do jogo, aos 43 minutos, em uma saída de bola errada da zaga do Corinthians, Robinho interceptou o passe de Fabrício e lançou Renato, que tocou por cima de Doni, fazendo 2 a 0. Com a vitória por 2 gols de diferença, o Santos foi para a partida derradeira podendo perder por um gol de diferença.

Diante de 74.592 pagantes o Santos se apresentou com Fábio Costa, Maurinho, Alex, André Luis e Léo; Paulo Almeida, Renato, Elano e Diego (Robert)(Michel); Robinho e William (Alexandre). O Corinthians, treinado por Carlos Alberto Parreira, jogou com Doni, Rogério, Anderson, Fábio Luciano e Kleber; Fabinho (Fabrício), Vampeta, Renato (Marcinho) e Deivid; Guilherme (Leandro) e Gil. Na arbitragem, o gaúcho Carlos Eugênio Simon.

A partida começou preocupante para o time santista. O jovem camisa 10 Diego sentiu uma distensão na coxa no primeiro minuto de jogo. Robinho foi até o amigo, que saia de do campo de maca, e disse que iria ganhar a final para ele. O experiente Robert, vice-campeão brasileiro em 1995. Entrou no lugar de Diego.

Segundos depois, o Corinthians quase abriu o placar em uma cabeçada do atacante Guilherme. Fábio Costa realizou sua primeira grande defesa naquela tarde. Aos 10 minutos, foi a vez do zagueiro André Luís cabecear e Doni fazer boa defesa.

Aos 35 minutos, Léo tocou para Robinho, na esquerda do ataque santista. O camisa 7 pegou a bola e foi avançando, enquanto o lateral Rogério, que estava na sua marcação, foi recuando. Robinho passou os pés sobre a bola oito vezes, e eternizando o lance com essas inesquecíveis pedaladas. Sem saber o que fazer, Rogério cometeu o pênalti. O Menino da Vila foi para a cobrança, sem medo da responsabilidade, e abriu o placar da decisão. O primeiro tempo terminou com a euforia do time santista e a preocupação do lado corintiano.

O Corinthians retornou decidido a empatar nos primeiros minutos da segunda etapa, e aos 13 e 14 minutos só não conseguiu devido às monumentais defesas de Fábio Costa. A primeira, em cobrança de falta de Rogério, que desviou em Paulo Almeida e obrigou o arqueiro a uma defesa de puro reflexo. Um minuto depois, em cabeçada de Fábio Luciano, o camisa 1 do Peixe mais uma vez foi extraordinário, colocando a bola para escanteio.


De tanto tentar, aos 30 minutos, Deivid, de cabeça, conseguiu empatar. Nove minutos depois, o zagueiro Anderson virou a partida, em nova cabeçada. De repente a torcida santista ficou quieta e tensa. Um filme passou pela cabeça. No ano anterior, com um gol nos segundos finais, o Corinthians havia eliminado o Santos nas semifinais do Campeonato Paulista. Agora faltavam seis minutos, mais os acréscimos. Era uma eternidade. Mas, não esqueçamos, Robinho havia feito uma promessa para Diego…

Aos 43 minutos, após deixar Anderson para trás, Robinho invadiu a área pela direita, ergueu a cabeça e achou Elano livre para empurrar para as redes e aliviar o coração do torcedor santista. O empate já estava de bom tamanho, mas Robinho queria a vitória. Três minutos depois, após lançamento de Léo, ele correu pela esquerda da área adversária, deu um breque que deixou Kléber e Vampeta batendo cabeça e devolveu para Léo, que, de perna direita, no último lance do jogo e do campeonato, colocou no ângulo de Doni e decretou a vitória santista.

A Carlos Eugênio Simon restou pedir a bola a Doni, consolar o goleiro corintiano e apitar o final de uma das decisões mais emocionantes do Campeonato Brasileiro. O alívio havia chegado para o Santos e para aqueles torcedores carentes de grandes alegrias e grandes momentos. O título era uma dádiva dos Meninos da Vila de 2002 ao Glorioso Alvinegro Praiano. A conquista fez o Santos ressurgir. O amor do santista por seu time estava renovado e mais forte do que nunca.
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