Marinho foi o craque do último grande time do Bangu
Rápido, habilidoso e com faro de gol. Mário José dos Reis
Emiliano, o Marinho, era o craque da última grande fase da história do Bangu. Atacante
considerado por muitos o melhor jogador do Brasil em 1985, por muito pouco, não
esteve entre os 22 jogadores que defenderam o escrete canarinho na Copa do
Mundo do México em 1986.
Marinho nasceu em Belo Horizonte no dia 23 de maio de
1957. De origem muito pobre, o ponta direita fez testes no Atlético Mineiro e
foi aprovado. Com 12 anos, ele perdeu sua irmã, Irene, atropelada, quando o
levava para um treinamento das divisões de base do Galo. Este seria seu
primeiro drama familiar.
Marinho esbanjando na época de sua melhor fase
Vendo a habilidade do garoto, o treinador Barbatana o
lançou na equipe principal do Galo em 1976, quando o jogador tinha apenas 19
anos. Marinho já se destacava, dois anos antes, nas categorias de base da Seleção Brasileira. Ainda em 1976, foi
convocado para disputar as Olimpíadas
de Montreal, no Canadá.
Em 1979, Marinho foi para o América de São José do Rio Preto.
Foram três anos de boas partidas pelo time do interior paulista. Em 1983, o
patrono do Bangu, o bicheiro Castor de Andrade, resolveu contratar o ponta
direita, reforçando a equipe que lutava para ganhar novamente um título, que
não vinha desde 1966. O negócio para a contratação do ponta direita envolveu uma
troca por Dreyfuss, Vilmar e mais 40 mil cruzeiros, moeda da época.
Manchete da Revista Placar. Ganhou a Bola de Ouro de 1985
Por ser bom de bola e irreverente nas comemorações dos
gols, Marinho logo caiu nas graças da torcida da equipe do subúrbio carioca.
Nos seus primeiros anos de clube, já mostrava que iria marcar época com a
camisa listrada vermelha e branca. Também se transformou no grande xodó de
Castor de Andrade.
No time de Moça
Bonita, Marinho era um dos principais destaques daquele elenco que conquistou o vice-campeonato brasileiro de 1985,
perdendo a polêmica e discutida final para o Coritiba
nos pênaltis, no Maracanã. Além de Marinho, o Bangu contava com grandes
jogadores como Mauro Galvão e Paulinho Criciúma.
O Bangu terminou aquela competição como o time de melhor
ataque e o que fez mais pontos. Por isso, a equipe do subúrbio virou a sensação
daquela época. O Maracanã ficou lotado e torcedores de outros times foram dar
seu apoio ao Bangu. Mas como o regulamento não previa vantagem para o time de
melhor campanha, o título foi para o Paraná após as cobranças de penalidades.
Bandeira que homenageia o jogador
As boas atuações de Marinho renderam o prêmio de Bola de
Ouro da Revista Placar, dado ao jogador que tem a melhor média de notas em
todos os jogos do campeonato. Além disso, a maioria dos comentaristas
esportivos do País apontou o ponta-direita como o melhor jogador da competição.
Com isso, o técnico da Seleção Brasileira, Telê Santana, passou a convoca-lo
constantemente.
No mesmo ano, Marinho sagrou-se vice-campeão carioca em
outra contestada decisão. A equipe foi derrotada na final pelo Fluminense por 2
a 1. Porém, o árbitro José Roberto Wright deixou de marcar um pênalti claro de
Vica em Cláudio Adão, que havia chegado ao clube do Castor para o estadual. O
empate dava o título ao Bangu,
que acabou ficando com mais um vice-campeonato. Muitos consideraram Marinho
como o melhor jogador da competição.
Em 1986, Marinho estava presente na primeira lista de
convocados para a Copa do Mundo daquele ano, que foi realizada no México. Telê
Santana chamou mais do que os 22 jogadores que seriam inscritos e, nos
amistosos, decidiria quem estaria no Mundial. Porém, ficou marcado como o último jogador do Bangu a defender o escrete canarinho.
Seleção Brasileira pré Copa de 1986. Marinho é o primeiro jogador abaixado
Marinho fez toda a preparação com o grupo, inclusive foi
titular no amistoso contra a Finlândia, realizado em 17 de abril daquele ano,
no antigo estádio Mané Garrincha, em Brasília. A seleção ganhou o jogo por 3 a
0, com o ponta marcando o primeiro tento. Porém, ele ficou de fora da lista
final com os 22 jogadores.
Em 1988, o
ponta foi negociado junto com Paulinho
Criciúma e Mauro Galvão para o Botafogo, mas a sua carreira já
entrava em declínio por conta de inúmeros problemas pessoais, entre os quais,
uma tragédia familiar. O jogador viveu derradeiro episódio a 12 de fevereiro de 1988,
quando seu filho Marlon Brando, de um ano e sete meses, morreu afogado na
piscina de sua mansão, enquanto ele concedia uma entrevista a uma emissora de televisão
a poucos metros dali. Além de Marlon Brando, Marinho tem mais dois filhos: Stevie Wonder e Laís de Andrade. O nome da mãe deles é Liza Minelli. Do segundo casamento, mais dois filhos: Mikail e Mikaela.
Marinho atualmente, apontando para a formação da Seleção na qual ele fazia parte
Após a passagem pelo Botafogo, Marinho voltou ao Bangu,
mas nem de longe lembrou o grande jogador da metade da década de 80. Ainda
jogaria pelo clube e mais duas vezes, encerrando a carreira na equipe de 1996.
Além disso, o ponta direita teve ainda uma outra passagem pelo América e também
jogou no Pavunense, Entrerriense e Americano.
Após encerrar a carreira de jogador, passou a se dedicar
a de treinador, nos períodos quando não teve problemas com o álcool. Treinou a
equipe juvenil do Ceres,
trabalhou como auxiliar-técnico do Bangu
e passou pelo Juventus Futebol
Clube, da Terceira Divisão do Estado do Rio de Janeiro. Marinho vive hoje na Zona Oeste do Rio de Janeiro, está magro devido a doenças ocasionadas pelos problemas com o alcoolismo. Porém, a torcida do Bangu o tem com muito respeito, inclusive é fácil ver nas arquibancadas de Moça Bonita uma bandeira exaltando a sua importância.
* Estava para fazer este artigo há muito tempo, pois eu
tenho uma grande simpatia pelo Bangu por causa deste grande jogador. Em 1985 eu
tinha 6 anos e acompanhei, pela televisão, a grande campanha que o clube fez
naquela temporada e Marinho era o grande expoente do time. Virei fã do jogador
e lembro que não gostei quando ele ficou de fora da Copa de 1986. Então aqui
fica a minha singela homenagem para um dos ‘culpados’ por eu gostar tanto de
futebol.





