quarta-feira, 24 de junho de 2015

Japão 1 x 4 Colômbia - Atropelamento colombiano para cima dos nipônicos

Colômbia não tomou conhecimento da equipe japonesa

* por Pedro Gilio

Em 2007, quando a Copa foi anunciada para o Brasil, eu era um jovem terminando o Ensino Médio. Sempre fui apaixonado por esportes, principalmente futebol, apesar de anos dedicados ao basquete, como praticante. Foi uma emoção muito grande saber que eu ia ter a chance de ver uma Copa dentro de casa, algo único. Eu tinha certeza que ia trabalhar de alguma forma no evento. Sempre foi meu sonho ser jornalista, mas eu estava me preparando para a faculdade de História. Comecei a imaginar os estádios, a festa, os turistas de todo o mundo. Eu tinha convicção que iríamos proporcionar algo único e grandioso.

A história de como fui de Niterói e para Cuiabá e ainda conseguir um ingresso para esse jogo é bem interessante. Em 2014, eu já havia desistido do curso de História e estava no início da faculdade de Jornalismo, finalmente realizando meu grande sonho. E a Copa do Mundo estava ali, se aproximando. Cacei alguma vaga, mas eu não tinha experiência alguma, o que complicava muito para mim.

Porém, minha tia Renata, tão querida, é jornalista. Ela trabalhou por muitos anos com assessoria de imprensa e foi contratada por uma empresa do Rio, a In Press, para trabalhar em Cuiabá durante a Copa, no Centro Aberto de Mídia. A menos de um mês do início do evento, ela comentou com o chefe que tinha um sobrinho começando no jornalismo e que poderia dar apoio à equipe na cidade e por um custo baixo. Ele me chamou para conversar e fui contratado para passar um mês lá, trabalhando todos os dias no Centro Aberto de Mídia. Foi uma experiência fantástica, pois, inclusive, fomos com jornalistas estrangeiros visitar o Pantanal.

Visita com jornalistas no Pantanal

Foi quando no dia de Japão e Colômbia, 24 de junho, último jogo da Copa na cidade, mais ou menos duas horas antes da partida, uma das meninas que trabalhavam lá contou para mim que havia comprado um ingresso a mais para uma amiga. Ela me ofereceu e aceitei na hora. Foi assim que eu iria para o meu primeiro jogo em Copa do Mundo. De supetão. Como tudo estava acontecendo na minha vida naquele momento.

Então saí correndo para o estádio. Arrumei uma carona, pegamos um pouco de trânsito e ficamos um pouco distante do estádio. Tive que dar a volta na Arena Pantanal para encontrar a minha fila. Faltava pouco mais de meia hora para a partida e a fila estava gigantesca. Passei o tempo conversando com dois amigos colombianos que foram de ônibus para Cuiabá e contaram as dificuldades da viagem. Falamos sobre futebol, cultura dos estádios no mundo e, é claro, a Copa. Foi muito divertido, mas tive que acompanhar a cerimônia de abertura da partida pelo lado de fora

Consegui correr e entrei no momento exato que a partida começava. Achei meu lugar, era exatamente ao lado da amiga da menina que me passou o ingresso. Atrás de mim, tinham dois japoneses. De resto, para onde eu olhava, via colombianos. O clima era inacreditável. Foi muito melhor do que eu imaginava. Todas as pessoas estavam incrivelmente felizes. Sorrisos, palavras de alegria e saudações eram trocados por todos na arquibancada. A torcida colombiana lotou a Arena Pantanal. A cada "ola" que se aproximava, eles batiam o pé em um ritmo alucinante, algo marcante que eu nunca tinha visto.

Como fui de última hora para a partida, não consegui levar nada para trocar com outros torcedores. O único souvenir que consegui foi o copo de cerveja dourado da Budweiser. Eu ainda estava com a camisa que usávamos no trabalho. Mesmo assim, foi realmente um dos momentos mais emocionantes da minha vida. A todo momento eu pensava em como queria ter ido a esse jogo com meu pai, que ficou no Rio de Janeiro. Ele que me passou todo o amor ao esporte que eu tenho, ele que sempre me levou ao Maracanã, Laranjeiras ou Caio Martins.

Mondragon bate o recorde

A festa feita pela torcida me encantou mais que o futebol das duas equipes. A Seleção Colombiana entrou com algumas modificações, como Quintero no lugar de James Rodríguez e Teo Gutierrez no lugar de Jackson Martínez. O primeiro tempo foi bem fraco tecnicamente, mas terminou 1 a 1. Cuadrado fez de pênalti para os colombianos, me dando a oportunidade de gravar nos últimos suspiros da bateria do meu celular, e Okazaki, já no apagar das luzes, empatou de cabeça na única chegada dos japoneses.

No segundo tempo, Jose Perkerman, técnico argentino da Seleção Colombiana, colocou James e Jackson na partida e a Colômbia atropelou. Martínez fez dois e James, já aos 43, fez um golaço. Para mim, o mais bonito dele na Copa. Ele recebeu dentro da área e com um drible espetacular, deixou o zagueiro japonês caído. Na sequência, com muita tranqulidade, deu um toque por cima do goleiro. Um espetáculo.

Antes disso, aos 39, Pekerman gastou a sua última substituição com um momento histórico: trocou o goleiro Ospina pelo experiente Mondragón, de 43 anos, que se tornou o jogador mais velho a atuar em uma partida de Copa do Mundo. Confesso que fui as lágrimas com a reverência que a torcida prestou a ele, além de entender que estava ali, presenciando a história sendo feita. Acho que a entrada do Mondragón e o gol do James foram as cerejas de um bolo muito especial. Pouca gente fala dessa partida, mas foi uma das mais legais e marcantes da Copa do Mundo. E que eu tive a honra de fazer parte.


* Pedro Gilio Guzzo Martins, 25 anos, é jornalista, mora em Niterói e torce para o Fluminense. Acompanhe os comentários futebolísticos de Pedro no Twitter, que é o @pedrogilio.
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