quarta-feira, 29 de abril de 2015

1993: o Jabaquara é campeão!

Os campeões na entrega das faixas

Nascido em 15 de novembro de 1914 como Hespanha Foot Ball Clube, o Jabaquara Atlético Clube, de Santos, é uma das agremiações de futebol mais tradicionais do estado de São Paulo, sendo, inclusive, um dos fundadores da Federação Paulista de Futebol. Sua história é cheia de fatos curiosos e de grandes jogadores formados na base do clube, como o goleiro Gylmar dos Santos Neves.

Tendo jogado a primeira divisão estadual até 1963, inclusive se mantendo por vezes através de virada de mesa, o clube que foi fundado no bairro do Jabaquara, mas que hoje está estabelecido no pé do morro da Caneleira, conseguiu seu maior triunfo 30 anos após o rebaixamento mais doloroso da história. O título de Campeão Paulista da Segunda Divisão, equivalente à terceira série do certame (a real segunda divisão era chamada de Intermediária).

Antes do início da competição, a diretoria do clube buscou o treinador Gilberto Pereira, grande conhecedor do futebol local, inclusive da várzea. Gilberto começou montando o elenco verificando os talentos da base do rubro-amarelo, como o zagueiro Otacílio (que em 1996 faria o gol do acesso da Portuguesa Santista para a primeira divisão), com os grandes jogadores da várzea santista, como Marcio Maçarico e Wilzon, que tinham inclusive outros empregos, como o treinador, e jogadores rodados no futebol profissional, como o atacante Osni. E assim, o time da colônia espanhola estava pronto para a disputa do certame.

O gol do título, em imagem retirada do arquivo da TV Tribuna

O início foi difícil, pois a equipe tropeçava em alguns jogos. Alguns reforços foram inscritos, como o zagueiro Cerezo, emprestado pelo Santos Futebol Clube e que depois esteve no elenco vice-campeão brasileiro em 1995. Com isto, a equipe rubro-amarela começou a se recuperar na competição, conseguiu uma série histórica de 13 jogos de invencibilidade.

No dia 10 de outubro, o Jabaquara viajou para Presidente Prudente, para enfrentar o Corinthians local. Em um jogo truncado e com muita catimba, a equipe arrancou um empate em 0 a 0 que garantiria a passagem para a divisão intermediária de São Paulo.

Os torcedores da equipe fizeram festa, mas ainda faltava a fase final, que poderia garantir também o título da competição. A partir dali, iniciava-se o quadrangular final para apurar o campeão e que reuniria, além do rubro-amarelo, São Bernardo, Internacional de Bebedouro e Estrela de Porto Feliz.

Com uma boa campanha, o Jabaquara chegou à última rodada precisando apenas de uma vitória simples contra o Estrela. Devido a sua pequena capacidade na época, a Federação Paulista não liberou o Estádio Espanha para a partida e o jogo acabou sendo realizado em Ulrico Mursa, casa da Portuguesa Santista.

E a equipe rubro-amarela, comandada por Gilberto Pereira, foi a campo no dia 28 de outubro de 1993 com Joel; Magal, Cerezo, Otacílio e Vado; Marcio, Índio e Valdir; Neizinho, Osni e Wilzon. O jogo estava difícil para o mandante, mas até que Wilzon invadiu a grande área e fuzilou de três dedos, abrindo o marcador.

Wilzon, autor do gol do título, visitando Ulrico Mursa 20 anos depois

“Lembro bem, foi em um lance onde roubei a bola no meio campo, tabelei com o Osni que passou para o Josimar, que me viu passando em velocidade e lançou na entrada da grande área, bati com efeito e bastante força na bola, que fez uma curva muito grande e entrou no canto direito do goleiro”, recordou Wilzon em reportagem feita pela TV Tribuna em 2013, na comemoração dos 20 anos do título.

Depois disso, o Jabaquara segurou o resultado e pôde comemorar o título, que foi festejado por todos na cidade. O rubro amarelo era campeão, iria jogar a Intermediária em 1994 e o clássico contra a Portuguesa Santista estaria de volta.

O Jabaquara começou a correr contra o tempo para adequar o Estádio Espanha para a Intermediária, fazendo obras para aumento da capacidade do local. Porém, a Federação Paulista jogou um balde de água fria. A entidade regulamentadora do futebol do estado resolveu reorganizar as divisões e, por incrível que possa parecer, de campeão da terceira divisão e com acesso garantido para a intermediária, o Jabaquara jogou o campeonato da Quarta Divisão Paulista em 1994.

Alguns, bem poucos na verdade, disseram que era castigo do destino, já que nos anos 50 o Jabuca só se manteve na primeira divisão graças às viradas de mesa. Porém, não considerar o título com importância foi, no mínimo, uma má ação da Federação Paulista. Nem manter o time na A-3, nova denominação da terceira, foi feito.

O experiente Osni levantando o troféu em solenidade no clube

O cancelamento do acesso, que foi conseguido dentro de campo, foi um duro golpe no Jabuca. Nos outros campeonatos da década de 90, o rubro-amarelo não repetiu nem de perto o desempenho de 1993. Em 2000, o clube pediu novamente licença para a FPF, voltando dois anos depois e, com uma parceria com o Santos, o Jabaquara foi o campeão da B-3, equivalente a sexta divisão.

Atualmente, o Jabaquara joga a Segunda Divisão Paulista, o que equivale a quarta, mas o time de 1993 está na história do centenário clube da colônia espanhola. Vale ressaltar que este foi o único título profissional que o dramaturgo Plínio Marcos, torcedor do Jabaquara, viu em vida. Ele faleceu em 1999.

* Imagens 1 e 4 retiradas do livro Jabuca dos Nossos Corações. Já as imagens 2 e 3 foram retiradas de vídeos do arquivo da TV Tribuna.
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Um comentário:

  1. Os dois gols que o Tininho fez contra o ADGuarulhos foram os mais importantes,onde está esse menino

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