Após encerrar a trajetória como jogador, profissional concluiu Educação Física, trabalha com consultorias de treinamento e cursa Fisioterapia em Jaú
Foto: Ygor Morales / REF Club
Caíque agora é consultor de treinamento, após carreira como jogador
A carreira de um jogador de futebol é marcada por sonhos, desafios e oportunidades, mas também pela necessidade de construir um futuro para além dos gramados. Para Caíque, ex-volante com passagens pelo XV de Jaú e pelas categorias de base do Cruzeiro, essa transição representa uma nova etapa profissional, construída a partir das experiências vividas no esporte.
Natural de Igaraçu do Tietê (SP), Caíque saiu de casa aos 14 anos para perseguir o sonho de se tornar jogador profissional. Anos depois, as experiências adquiridas durante a formação esportiva continuam presentes em sua rotina, agora na atuação com treinamento físico e na preparação para uma nova profissão.
“Costumo brincar com os amigos que o futebol me educou, tanto pessoal quanto profissionalmente. Recebi uma excelente educação da minha família, mas saí de casa aos 14 anos e passei boa parte da adolescência longe dela. Convivi com regras de alojamento, de clube e de convivência que fazem parte de quem eu sou e que levo para o meu trabalho até hoje”, conta.
Trajetória no XV de Jaú e no Cruzeiro
Caíque defendeu o XV de Jaú entre 2019 e 2023, período em que passou pelas categorias Sub-20 e profissional. Em 2021, foi emprestado ao Sub-20 do Cruzeiro. Já em 2024, atuou pelo Mauá, último clube de sua carreira como jogador.
O encerramento da trajetória nos gramados trouxe desafios emocionais. A mudança ficou ainda mais evidente quando ele começou a acompanhar antigos companheiros atuando por outras equipes e disputando competições.
“Foi muito difícil emocionalmente. A ficha de que minha carreira tinha terminado só caiu de verdade quando comecei a ver colegas e amigos que fiz no futebol atuando em outros clubes e disputando competições. Sempre fui muito ligado a esse meio, então lidar com essa mudança foi um processo difícil”, relata.
Educação Física: preparação para o futuro
A construção de uma nova carreira, no entanto, começou antes de deixar o futebol. Enquanto ainda atuava, Caíque cursou Educação Física, área pela qual já tinha interesse desde a infância. A formação também foi uma maneira de se preparar para o futuro diante da duração imprevisível da carreira de atleta.
“Ao mesmo tempo, mesmo vivendo a carreira de jogador, eu sabia que ela era curta. Cursar a faculdade enquanto ainda atuava foi uma forma de me preparar para o futuro, mesmo sem perceber completamente isso naquele momento”, explica.
Com a graduação concluída e o registro no Conselho Regional de Educação Física (CREF), Caíque passou a trabalhar com consultorias de treinamento on-line e presencial. A vivência como atleta tornou-se uma ferramenta para compreender as dificuldades e as exigências enfrentadas por quem busca melhorar o condicionamento físico e o desempenho.
“Vivi as exigências da performance e dos treinos de alta intensidade na pele durante muitos anos. Essa experiência me ajuda a compreender o que o aluno sente durante o treinamento, como o cansaço, a dificuldade e o desânimo. Também contribui para a minha forma de incentivar e entender quando posso exigir um pouco mais, respeitando os limites de cada pessoa”, afirma.
Lesão no joelho despertou interesse pela Fisioterapia
Outro momento importante da trajetória de Caíque foi a cirurgia de reconstrução do ligamento cruzado anterior do joelho. O procedimento o afastou dos gramados por oito meses e despertou um interesse mais profundo pelo funcionamento do corpo humano e pelos processos de recuperação física.
“Esse período despertou minha curiosidade sobre o funcionamento do corpo e me mostrou, na prática, a importância da Fisioterapia. Foi a reabilitação que possibilitou meu retorno ao futebol”, relembra.
A experiência contribuiu para que ele passasse a enxergar de outra maneira a prevenção de lesões e a recuperação de atletas. Após encerrar a carreira como jogador, iniciou a graduação em Fisioterapia na Unoeste, em Jaú (SP).
A intenção é ampliar seus conhecimentos e, no futuro, integrar as duas áreas de formação, respeitando as competências e atribuições de cada profissão.
Planos para o futuro e vínculo com o futebol
Caíque projeta os próximos anos com o objetivo de consolidar sua atuação profissional e ajudar pessoas com diferentes necessidades, desde a melhora do desempenho físico até os processos de reabilitação.
“Daqui a cinco anos, me vejo como um profissional reconhecido pelo meu trabalho, ajudando centenas de pessoas, da performance à reabilitação. Acredito que a Educação Física e a Fisioterapia se complementam muito, e pretendo unir essas duas formações para oferecer um acompanhamento mais completo”, projeta.
Mesmo longe dos gramados, o ex-volante não considera o futebol apenas uma etapa encerrada. A modalidade segue como parte de sua identidade e da formação pessoal que leva para os novos desafios.
“O futebol me deu vivência, disciplina e amor ao esporte. Dizer que um dia vivi da bola me traz muita alegria e satisfação, porque realizei objetivos pessoais por meio dela. Tive a oportunidade de viver o esporte intensamente, do acordar ao dormir, com tudo o que fazia parte daquela rotina. São experiências que nenhuma faculdade conseguiria ensinar da mesma maneira”, afirma.
Ele resume a influência do esporte em sua vida com uma frase que representa essa transição: “Costumo dizer aos meus amigos que o futebol me deu tudo o que sou hoje, porque ele teve um papel enorme na construção da pessoa e do profissional que me tornei”.

