Futebol perde Paulo Angioni, dirigente que ajudou a transformar o mercado da bola

Aos 80 anos, executivo do Fluminense encerra trajetória marcada pela montagem de grandes elencos, negociações e pioneirismo na gestão do futebol

Foto: Lucas Merçon/Fluminense FC

Paulo Angioni tinha 80 anos
Paulo Angioni estava trabalhando no Fluminense

A morte de Paulo Angioni, aos 80 anos, encerra a trajetória de um dos personagens mais experientes e importantes do futebol brasileiro nas últimas décadas. Dirigente de perfil discreto e longe dos holofotes, Angioni construiu uma carreira marcada pela capacidade de montar elencos, negociar jogadores e compreender o futebol para além das quatro linhas. Ele tratava um câncer no pâncreas.

Educado e sempre disposto a ouvir e orientar, Angioni passou por alguns dos principais clubes do país e participou de projetos que marcaram diferentes gerações. Sua trajetória também foi importante para a consolidação da figura do executivo de futebol no Brasil.

Início no Vasco e passagem pela Seleção Brasileira

A carreira de Angioni começou no Vasco, em 1979, clube onde permaneceu por 14 anos. Ao longo dos anos, também trabalhou no Flamengo, Corinthians e Fluminense, além de ter exercido a função de supervisor da Seleção Brasileira no fim da década de 1980, durante o ciclo que levou à Copa do Mundo de 1990.

Essa experiência em diferentes estruturas fez com que o dirigente acumulasse conhecimento sobre jogadores, treinadores, mercado e modelos de gestão. Foi justamente essa visão ampla que ajudou a consolidar seu espaço em uma época de transformação no futebol brasileiro.

Palmeiras e o período da Parmalat

Foi no Palmeiras, durante a parceria com a Parmalat, que seu nome ganhou ainda mais projeção nacional. Angioni chegou à empresa em 1998 para coordenar o trabalho junto ao clube paulista e permaneceu até 2000.

A parceria trouxe uma nova lógica ao futebol brasileiro, com investimentos, planejamento, contratação de jogadores de alto nível e uma estrutura empresarial cada vez mais presente nos clubes. Angioni esteve no centro desse processo, fazendo a ligação entre dirigentes, investidores, treinadores e atletas.

No Palmeiras, participou da montagem de um elenco que reunia nomes como Marcos, Arce, Roque Júnior, César Sampaio, Zinho, Paulo Nunes, Oséas e Alex. Em 1998, o clube conquistou a Copa do Brasil e a Copa Mercosul. No ano seguinte, veio a Libertadores, uma das maiores conquistas da história alviverde.

Corinthians, Fluminense e o legado como executivo

Mais tarde, Angioni levou sua experiência para outros projetos. No Corinthians, participou da estruturação da parceria com a MSI e do elenco que conquistou o Campeonato Brasileiro de 2005.

No Fluminense, teve quatro passagens e construiu uma relação especialmente forte com o clube. Em 2018, retornou para assumir novamente a direção executiva de futebol e permaneceu na função até sua morte.

Durante sua quarta passagem pelo Tricolor, iniciada em 2018, Angioni esteve entre os responsáveis por conquistas importantes, como as Taças Guanabara de 2022, 2023 e 2026, as Taças Rio de 2020, o Campeonato Carioca de 2022 e 2023, além da Conmebol Libertadores e da Recopa.

Talvez uma das maiores contribuições de Paulo Angioni tenha sido justamente ajudar a consolidar a figura do executivo de futebol no Brasil. Em uma época na qual presidentes e conselheiros concentravam grande parte das decisões, ele representava um novo perfil profissional: alguém que precisava conhecer jogadores, mercado, treinadores, contratos e o ambiente dos clubes para tomar decisões.

Angioni deixa uma história que atravessa diferentes gerações do futebol brasileiro. Passou por Vasco, Flamengo, Palmeiras, Corinthians e Fluminense, trabalhou com grandes jogadores e treinadores e participou de projetos que marcaram épocas.

Seu nome pode não aparecer entre os personagens mais lembrados pelos torcedores daqueles grandes times, mas sua contribuição foi fundamental. Afinal, muitos dos elencos que entram para a história também são construídos por profissionais que trabalham longe dos refletores. Paulo Angioni foi um deles.


Nota oficial do Fluminense

Em nota, o Fluminense comunicou o falecimento do dirigente e destacou sua longeva carreira, além de classificá-lo como pioneiro na função de diretor executivo de futebol no Brasil.

O clube também ressaltou a passagem de Angioni pela Seleção Brasileira e por outros grandes clubes, além das conquistas obtidas durante sua trajetória no Tricolor. O Fluminense destacou ainda sua contribuição para a formação de jovens jogadores e as lições deixadas ao longo de sua carreira.

“O Fluminense FC comunica o falecimento do tricolor e diretor executivo de futebol, Paulo Sérgio Scudiere Angioni, aos 80 anos, na madrugada de hoje, no Rio de Janeiro”, informou o clube.

Ao lamentar a perda, o Fluminense também ressaltou a quantidade de amigos que Angioni acumulou durante sua trajetória e enviou sentimentos à família e aos amigos do dirigente.
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