Arbitragem aciona protocolos antirracista e de diversidade em jogo do Paulista Sub-20 Série A

Árbitro registrou em súmula denúncias de injúria racial entre atletas e ofensas homofóbicas contra assistente; clube afirma que acompanhará a apuração dos fatos

Foto: reprodução

Momento em que a arbitragem aciona o protocolo
Árbitro acionando o protocolo antirracista durante o jogo

Os protocolos Antirracista e do Tratado da Diversidade e Contra a Intolerância no Futebol Paulista foram acionados durante a vitória do XV de Jaú sobre o Ituano por 2 a 1, na noite de sexta-feira (31), no Estádio Zezinho Magalhães, pela nona rodada do Campeonato Paulista Sub-20 Série A.

De acordo com a súmula do árbitro Nelson Marques da Silva, aos 93 minutos de jogo um atleta do Ituano informou à equipe de arbitragem que havia sido chamado de "macaco" por um jogador do XV de Jaú. O árbitro destacou que nenhum integrante da equipe de arbitragem ouviu a suposta ofensa, mas o atleta foi prontamente acolhido e optou por permanecer na partida.

Ainda segundo o relato oficial, durante a paralisação para a aplicação do protocolo antirracista, um torcedor localizado na arquibancada destinada ao XV de Jaú passou a dirigir ofensas homofóbicas ao assistente número 2, Marcelo Zamian de Barros, utilizando expressões como "viado, vai tomar no cu, viado mesmo". Diante da situação, também foi acionado o protocolo do Tratado da Diversidade e Contra a Intolerância no Futebol Paulista.

A súmula informa que o assistente foi acolhido pela equipe de arbitragem e decidiu seguir normalmente na partida. O torcedor não foi identificado, pois deixou o estádio antes que sua identificação pudesse ser realizada. O documento também registra que Marcelo Zamian de Barros optou por não registrar boletim de ocorrência.

XV de Jaú repudia qualquer ato de preconceito

Após a partida, o XV de Jaú publicou uma nota oficial informando que tomou conhecimento dos fatos registrados na súmula e reafirmando o repúdio a qualquer manifestação de preconceito ou intolerância.

O clube destacou que esse tipo de conduta é incompatível com os valores da instituição e ressaltou a participação histórica de atletas de diferentes origens na construção de sua trajetória.

Na nota, o XV de Jaú também informou que acompanhará atentamente a apuração dos fatos, realizará sua investigação interna, respeitando o direito ao contraditório e à ampla defesa, além de se colocar à disposição da Federação Paulista de Futebol e das autoridades para colaborar com os esclarecimentos necessários.

Por fim, o clube informou que o torcedor citado na súmula foi identificado e que seus dados foram encaminhados à Federação Paulista de Futebol.


Relato da súmula

Segundo o árbitro Nelson Marques da Silva:

"Aos 93 minutos de jogo foi aberto o Protocolo Antirracista do Futebol Paulista. Um jogador do Ituano comunicou a equipe de arbitragem que foi chamado de macaco por um atleta do XV de Jaú. Tal fato não foi escutado por nenhum membro da equipe de arbitragem, porém o atleta foi acolhido prontamente e quis continuar na partida."

O documento também registra:

"Durante a paralisação para o protocolo antirracista, um torcedor localizado na arquibancada destinada à equipe mandante começou a proferir atos homofóbicos contra o assistente número 2, Marcelo Zamian de Barros, sendo aberto o protocolo do Tratado da Diversidade e Contra a Intolerância no Futebol Paulista."
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