Operação VAR apura possível esquema para provocar cartões amarelos com objetivo de beneficiar apostas esportivas; dois jogadores são investigados
Foto: reproduçãoJogador da Portuguesa no Cariocão 2026 é investigado por beneficiar terceiros após receber um cartão amarelo
A Polícia Civil do Rio de Janeiro deu continuidade, nesta segunda-feira, à terceira fase da Operação VAR, que investiga possíveis casos de manipulação de resultados ligados ao mercado de apostas esportivas. Entre as partidas analisadas está o confronto entre Portuguesa-RJ e Nova Iguaçu, válido pelo Campeonato Carioca de 2026.
As investigações têm como foco a conduta do zagueiro Luis Gustavo Lopes dos Santos, que defendia a Portuguesa-RJ, e do volante Sidney de Freitas Pages, então atleta do Nova Iguaçu. A suspeita é de que ambos tenham forçado cartões amarelos para favorecer apostas realizadas nesse mercado específico.
Jogadores foram suspensos pelo TJD-RJ
Antes mesmo do avanço das investigações policiais, o caso foi julgado pelo Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro (TJD-RJ).
Os dois atletas receberam suspensão de 365 dias e multa de R$ 1 mil cada, após análise de relatórios apresentados por empresas especializadas no monitoramento de apostas esportivas.
Segundo o tribunal, aproximadamente 80% das apostas registradas para o mercado de cartões amarelos da partida estavam concentradas justamente nos dois jogadores investigados. O volume financeiro movimentado nesse tipo de aposta foi estimado em cerca de R$ 253 mil.
Partida terminou com oito advertências
O jogo foi disputado no Estádio Luso-Brasileiro e terminou com vitória da Portuguesa-RJ por 1 a 0.
De acordo com a súmula do árbitro Bruno Arleu de Araújo, Sidney recebeu cartão amarelo aos 35 minutos do primeiro tempo, enquanto Luis Gustavo foi advertido logo no início da segunda etapa. Em ambos os casos, as punições foram aplicadas por faltas classificadas como temerárias.
Ao todo, a partida registrou seis cartões amarelos para jogadores — três para cada equipe —, além de uma advertência a um integrante da comissão técnica do Nova Iguaçu e da expulsão do auxiliar Ronaldo de Oliveira Lima por reclamação.
Apesar do elevado número de cartões, o árbitro informou na súmula que o confronto transcorreu normalmente, sem qualquer ocorrência extraordinária além das infrações disciplinares registradas.
Operação VAR segue em andamento
As investigações tiveram início após comunicação encaminhada pela Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), ainda em 2024.
Na terceira fase da Operação VAR, agentes da Polícia Civil cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços localizados no bairro de Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
Luis Gustavo foi localizado e prestou depoimento aos investigadores. Já Sidney de Freitas Pages não foi encontrado durante o cumprimento das diligências e segue sendo procurado para prestar esclarecimentos no inquérito.
Até o momento, a investigação continua em andamento, e os fatos seguem sob apuração pelas autoridades competentes.

