Clube foi punido pela Comissão Disciplinar do TJD-SP após torcedor chamar zagueiro da Santacruzense de "macaco" durante partida da Segunda Divisão Paulista
Foto: reprodução / Paulistão
Momento em que o árbitro acionou o protocolo
A Comissão Disciplinar da Federação Paulista de Futebol (FPF) aplicou multas que somam R$ 30 mil ao Independente em razão do caso de racismo registrado na derrota por 1 a 0 para a Santacruzense, no dia 7 de junho, no Estádio Comendador Agostinho Prada (Pradão), pela fase de classificação do Campeonato Paulista da Segunda Divisão.
Durante a partida, um torcedor do clube limeirense ofendeu o zagueiro Weslen, da Santacruzense, chamando o atleta de "macaco". O episódio levou o árbitro Vinícius Pinto Tonollo a acionar o protocolo antirracismo da CBF, interrompendo o jogo por alguns minutos.
Clube recebe duas punições
O Independente foi condenado a pagar R$ 20 mil por infringir o artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata da prática de atos discriminatórios relacionados à raça, cor, etnia, origem, sexo, idade ou deficiência.
A defesa do clube foi realizada pelo advogado Ademilson Evaristo, mas a Comissão Disciplinar decidiu, por unanimidade, aplicar a penalidade financeira.
Além disso, o clube recebeu outra multa, de R$ 10 mil, com base no artigo 213 do CBJD, por não adotar medidas suficientes para prevenir e reprimir desordens em sua praça esportiva. Pela legislação desportiva, o clube responde objetivamente pelos atos de sua torcida.
Torcedor foi identificado
Segundo a súmula da partida, o zagueiro Weslen comunicou à arbitragem que havia sido alvo de injúria racial ao deixar o campo para atendimento médico.
Após o relato do jogador, o árbitro interrompeu imediatamente a partida e acionou o protocolo antirracismo. A Polícia Militar, com apoio do diretor da partida, identificou o autor das ofensas.
A paralisação durou cerca de quatro minutos, até que a situação fosse controlada e o jogo pudesse ser reiniciado.
Identificação evitou punição mais severa
A rápida identificação do torcedor foi determinante para que o Independente não sofresse sanções esportivas mais rigorosas.
De acordo com informações do historiador Kina Mercuri, caso o responsável não tivesse sido identificado e a Santacruzense registrasse um boletim de ocorrência contra o autor da injúria racial, o clube de Limeira poderia ser punido com a perda do mando de campo e disputar, pelo menos, três partidas com portões fechados.
A decisão da Comissão Disciplinar reforça a aplicação das medidas previstas pelo CBJD no combate ao racismo no futebol.

