Promotor pede investigação do MPF sobre Corinthians por supostas irregularidades financeiras

Representação aponta possível maquiagem contábil, falta de transparência no financiamento da Neo Química Arena e gestão temerária. Documento solicita que o Ministério Público Federal apure o caso

Foto: divulgação / Neo Química

Neo Química Arena é a 'casa' do Corinthians
MP questona falta de transparência no financiamento da Neo Química Arena

O promotor Cássio Conserino, do Ministério Público de São Paulo, protocolou uma representação solicitando que o Ministério Público Federal (MPF) investigue supostas irregularidades financeiras envolvendo o Corinthians. A informação foi divulgada inicialmente pelo UOL, e o documento também foi obtido pelo Estadão.

Na representação, o promotor sustenta que o caso extrapola a esfera estadual por envolver a proteção de um patrimônio cultural e social brasileiro, além da utilização de recursos e benefícios vinculados à União.

Documento cita maquiagem contábil e falta de transparência

Entre os principais pontos apresentados, Conserino aponta suposta maquiagem contábil nas demonstrações financeiras do clube e falta de transparência em relação ao financiamento da Neo Química Arena junto à Caixa Econômica Federal.

Segundo o documento, a diretoria teria adotado práticas de gestão temerária ao descumprir normas ligadas a programas federais, como o PROFUT e a Timemania, colocando em risco benefícios fiscais concedidos pela União.

O promotor também argumenta que o Corinthians caminha para ser reconhecido como patrimônio imaterial da cidade de São Paulo, o que reforçaria o interesse público na fiscalização da administração do clube.

Auditoria apontou irregularidades nas demonstrações financeiras

A representação cita conclusões da auditoria independente da Parker Russell, que teria identificado uma suposta "pedalada contábil". De acordo com o documento, o Corinthians registrou nas demonstrações financeiras de 2025 um desconto de R$ 593,3 milhões referente a um acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional assinado apenas em 2 de fevereiro de 2026.

Outro ponto destacado envolve a Neo Química Arena. O promotor afirma que o clube não apresentou demonstrações financeiras consolidadas dos fundos imobiliários e de participações ligados ao estádio.

Também é questionado o registro de aproximadamente R$ 96 milhões classificados como investimento em um fundo imobiliário, valor que, segundo a representação, não refletiria a realidade econômica da operação.


Consultorias apontaram dúvidas sobre a situação financeira

Além da Parker Russell, o documento menciona uma consultoria realizada pela Ernst & Young, que teria identificado pagamentos a terceiros sem relação comprovada com os contratos firmados, além de notas fiscais emitidas em sequência e sem comprovação dos serviços prestados em contratos ligados à Arena.

A auditoria também teria apontado uma incerteza relevante sobre a capacidade de continuidade das operações do Corinthians em razão da delicada situação financeira do clube.

MPF poderá analisar a representação

Com o protocolo da representação, caberá ao Ministério Público Federal analisar os argumentos apresentados e decidir se abrirá ou não uma investigação sobre o caso. Até o momento, não há decisão do MPF sobre a instauração de procedimento investigatório.
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