Fifa retira árbitro da Somália da Copa do Mundo após entrada ser negada nos Estados Unidos

Primeiro árbitro da Somália selecionado para um Mundial teve entrada negada nos EUA e está fora do torneio organizado por EUA, México e Canadá

Foto: divulgação / CAF

O árbitro somali Omar Artan
Omar Artan teve o visto de entrada nos Estados Unidos negado

A Fifa confirmou nesta segunda-feira (8) a retirada do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan do quadro de oficiais da Copa do Mundo de 2026. A decisão ocorreu após o profissional ter sua entrada nos Estados Unidos negada pelas autoridades norte-americanas, impossibilitando sua participação na competição.

Segundo comunicado oficial da entidade máxima do futebol, Artan não poderá atuar nem participar dos treinamentos destinados aos árbitros do Mundial, que será disputado em conjunto por Estados Unidos, México e Canadá.

Fifa confirma exclusão do árbitro da Copa

Em nota, a Fifa informou que foi comunicada pelas autoridades dos Estados Unidos sobre a impossibilidade de alteração da situação migratória do árbitro.

“A Fifa pode confirmar que o oficial de arbitragem Omar Abdulkadir Artan não poderá treinar nem atuar na Copa do Mundo 2026 após ter sua entrada nos Estados Unidos negada. A Fifa não se envolve nos processos de imigração dos países-sede, incluindo concessões de vistos”, destacou a entidade.

A federação também ressaltou que não possui ingerência sobre decisões migratórias adotadas pelos países anfitriões.

Árbitro tinha visto válido e foi enviado à Turquia

De acordo com informações divulgadas pela agência AFP, Omar Artan foi impedido de permanecer em território norte-americano logo após desembarcar nos Estados Unidos.

Segundo Ciise Aden Abshir, assessor do Ministério da Juventude e Esportes da Somália, o árbitro possuía visto válido para entrar no país. Após a negativa das autoridades migratórias, ele seguiu viagem para a Turquia.

Até o momento, os motivos específicos que levaram à decisão das autoridades norte-americanas não foram divulgados oficialmente.

Omar Artan faria história pela arbitragem da Somália

Aos 34 anos, Artan estava prestes a alcançar um marco histórico para o futebol de seu país. Integrante do quadro internacional da Fifa desde 2018, ele seria o primeiro árbitro somali a trabalhar em partidas de uma Copa do Mundo.

Reconhecido no continente africano, o profissional atua na liga nacional da Somália e foi eleito Árbitro do Ano pela Confederação Africana de Futebol (CAF) em 2025. Seu nome figurava entre os 52 árbitros selecionados pela Fifa para atuar no Mundial de 2026.

Autoridades somalis lamentam decisão

A exclusão do árbitro gerou forte repercussão na Somália. Ciise Aden Abshir criticou a decisão e destacou a relevância de Artan para o desenvolvimento da arbitragem africana.


Segundo o dirigente, impedir sua participação no torneio representa um prejuízo não apenas para o profissional, mas também para os princípios de mérito esportivo e igualdade de oportunidades defendidos pelo futebol.

Somália está entre países afetados por restrições migratórias

O caso ocorre em meio às restrições migratórias impostas pelo governo dos Estados Unidos a cidadãos de determinados países.

A Somália está entre as nações afetadas pelas medidas adotadas pela administração do presidente Donald Trump. Nos últimos meses, o governo norte-americano endureceu o discurso em relação ao país africano e discutiu mudanças em programas especiais de proteção para cidadãos somalis residentes nos EUA.

Até a publicação desta reportagem, o governo norte-americano não havia se pronunciado oficialmente sobre a situação envolvendo Omar Artan.
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