MPF cobra Santos e Prefeitura por leilão da área do CT Rei Pelé

Órgão investiga possível favorecimento ao clube em processo de alienação de área da União

Foto: arquivo / Pedro Ernesto Guerra Azevedo / Santos FC

O Centro de Treinamento do Peixe
O CT Rei Pelé

O Ministério Público Federal intensificou a apuração sobre o processo de alienação da área do CT Rei Pelé, ocupada pelo Santos desde 1996. O órgão solicitou novas informações ao clube, à Prefeitura de Santos e a entidades federais para esclarecer possíveis irregularidades no leilão do terreno, que pertence à União.

A investigação teve início em agosto de 2025, após suspeitas de direcionamento do processo para favorecer o clube. A informação foi dada em primeira mão por A Tribuna.

Indícios e contradições

De acordo com o MPF, há “notórias inconsistências” nas informações apresentadas pelos envolvidos. Um dos pontos analisados envolve a possibilidade de acesso prévio a detalhes do edital por parte de representantes do clube, hipótese levantada após declarações de Júnior Bozzella.

Outro ponto de divergência está na relação com a Caixa Econômica Federal. Enquanto o clube admitiu tratativas para viabilizar crédito para aquisição do imóvel, a instituição afirmou não haver solicitação formal.

Pedidos de esclarecimento

O MPF solicitou, entre outros pontos, agendas de reuniões do presidente Marcelo Teixeira em Brasília e esclarecimentos sobre o papel de Bozzella nas negociações. A investigação também analisa possíveis manobras administrativas para postergar o leilão.

“Coincidência temporal” e impacto urbano

Outro foco da apuração envolve a criação do Nide 11, proposta urbanística da Prefeitura que inclui a área do CT. O MPF apontou uma “coincidência temporal” entre o avanço do leilão e a tramitação do projeto, levantando dúvidas sobre possível valorização imobiliária do terreno.

A administração municipal foi questionada sobre os critérios técnicos e eventuais reuniões com representantes do clube antes do envio da proposta à Câmara.

Posicionamentos

O Santos negou qualquer irregularidade e afirmou que atua oficialmente por meio de seu departamento jurídico, sem acesso prévio a documentos do edital. O clube declarou ainda que aguarda com tranquilidade o desfecho do processo, visando a aquisição definitiva da área.


A Prefeitura de Santos informou que a criação do Nide 11 faz parte da revisão da Lei de Uso e Ocupação do Solo, com foco no desenvolvimento urbano e na preservação de atividades esportivas na região.

Já o Ministério da Gestão e da Inovação afirmou que reuniões com representantes do clube ocorreram apenas para orientação sobre instrumentos legais de aquisição de imóveis da União.

Apuração em andamento

O MPF informou que segue analisando as respostas enviadas pelos órgãos envolvidos. A investigação continua em curso e pode trazer novos desdobramentos sobre o futuro da área do CT Rei Pelé.
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