Caso no Dutrinha interrompe partida e ativa protocolo antirracismo após ofensas contra atleta do Fluminense
Foto: reprodução
A partida entre Mixto e Fluminense, válida pelo Campeonato Brasileiro Feminino A1, foi marcada por um grave episódio de racismo na tarde deste domingo (26), no Estádio Presidente Dutra, em Cuiabá.
O jogo precisou ser paralisado após a atacante Keké, do time carioca, denunciar ofensas racistas e homofóbicas vindas de um torcedor presente na arquibancada.
Protocolo foi acionado em campo
Após o alerta das jogadoras, a arbitragem seguiu o protocolo oficial e interrompeu a partida. A árbitra Adriana Costa Farias realizou o gesto em “X” com os braços, indicando a ativação do procedimento antirracista.
Durante a paralisação, atletas do Fluminense apontaram o local de onde partiram as ofensas, facilitando a identificação do suspeito.
Torcedor foi detido no estádio
De acordo com o boletim de ocorrência, o homem de 66 anos utilizou termos racistas para se referir às jogadoras. Ele foi identificado com auxílio de outros torcedores, recebeu voz de prisão ainda no estádio e foi encaminhado ao CISC Verdão.
O suspeito foi enquadrado por injúria racial, e o caso seguirá sob investigação das autoridades competentes.
Clubes se manifestam contra o episódio
O Mixto repudiou publicamente o ocorrido, informou que o torcedor foi retirado imediatamente do estádio e reforçou o compromisso no combate a qualquer forma de discriminação.
O Fluminense também se posicionou, classificando o caso como lamentável e destacando a importância da ação coletiva das atletas para a ativação do protocolo. O clube ainda reiterou apoio à jogadora atingida e cobrou punição ao responsável.
Torcedores presentes no local também demonstraram apoio à retirada do agressor e reprovaram o comportamento.
Entenda o protocolo antirracismo
O protocolo adotado na partida segue diretrizes da FIFA, implementadas em 2024. O procedimento prevê três etapas em casos de discriminação, incluindo a interrupção da partida, avisos ao público e, em situações mais graves, a suspensão ou encerramento do jogo.
A sinalização com os braços em “X” permite que atletas, comissão técnica ou arbitragem denunciem episódios de racismo de forma imediata dentro de campo.
Notas dos clubes
Nota do Mixto:
O Mixto Esporte Clube vem a público manifestar seu veemente repúdio aos atos de racismo e homofobia ocorridos durante a partida contra o Fluminense, válida pela 8ª rodada do Brasileirão Feminino A1, realizada neste domingo (26), no Estádio Dutrinha.
Por volta dos 22 minutos do primeiro tempo, a árbitra Adriana Costa Farias acionou o Protocolo Antirracismo após serem identificadas ofensas de cunho racista e homofóbico direcionadas a atletas da equipe do Fluminense. O torcedor responsável pelas ofensas foi imediatamente identificado pelo policiamento presente no estádio e prontamente retirado do local.
O Mixto Esporte Clube reafirma seu compromisso com o combate a qualquer forma de discriminação e preconceito. Atos como esse não cabem no futebol, nem na sociedade. Solidarizamo-nos integralmente com as atletas, comissão técnica e demais profissionais da equipe visitante, que foram desrespeitados de forma injustificável.
O clube seguirá à disposição das autoridades para colaborar com as apurações cabíveis e tomará as medidas administrativas internas necessárias para que episódios como este não voltem a ocorrer.
Futebol é diversão, paixão e respeito. Sempre.
Nota do Fluminense:
Na tarde deste domingo (26/04), o Fluminense se deparou com uma situação lamentável no estádio Eurico Gaspar Dutra, em Cuiabá, no Mato Grosso, na vitória sobre o Mixto (MT) pelo Brasileirão Feminino.
Durante o primeiro tempo, um torcedor proferiu ofensas racistas e homofóbicas à atleta Keké. Um episódio que nunca deveria acontecer.
Após reclamações e uma ação coletiva de nossas jogadoras, o protocolo antirracista foi ativado pela árbitra Adriana Costa Farias. O torcedor foi identificado pela Polícia presente no estádio e encaminhado para a delegacia no local.
O Fluminense presta solidariedade e apoio à atleta, reforçando sua responsabilidade com a proteção e o respeito de todas as suas jogadoras. O clube seguirá atento aos desdobramentos do caso e espera que o responsável pelas ofensas seja devidamente punido, nos termos da lei.
O clube reafirma seu compromisso em combater qualquer tipo de preconceito. Atitudes como essa são inaceitáveis no futebol e na sociedade.

