Jogadora do Red Bull Bragantino, Kauane relatou ofensa racista, árbitro ativa protocolo e partida fica paralisada por cinco minutos
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Momento em que o árbitro acionou o protocolo antirracismo
Uma denúncia de racismo interrompeu a partida entre Tarumã Esporte Clube e Red Bull Bragantino, válida pela 5ª rodada do Brasileirão Feminino Sub-20, na quarta-feira (1º), no Estádio Carlos Zamith, em Manaus.
O confronto terminou com vitória da equipe paulista por 4 a 0, mas ficou marcado pelo episódio ocorrido nos acréscimos do primeiro tempo, que paralisou o jogo por cerca de cinco minutos.
Jogadora denuncia ofensa e protocolo é acionado
A denúncia partiu da atacante Kauane, que relatou à arbitragem ter sido alvo de uma ofensa de cunho racista vinda da arquibancada.
Diante da situação, o árbitro Leonardo Chaul Paixão acionou o protocolo antirracismo aos 49 minutos da etapa inicial, conforme previsto pelas diretrizes da competição.
De acordo com a súmula, a atleta informou ter sido chamada de “neguinha” por um torcedor não identificado. Após o registro, houve comunicado ao público presente e a partida foi retomada normalmente.
Confira o que foi registrado na súmula:
"Aos 45+4' do primeiro tempo de jogo, a atleta de número 20, sra. Kauane de Souza, da equipe do Red Bull Bragantino, informou a equipe de arbitragem que foi chamada de 'neguinha' por um torcedor não identificado. Após o ocorrido, foi realizado o protocolo anti-racismo e o delegado da partida procedeu com comunicado ao público presente em relação ao ocorrido. Informo que a partida ficou paralisada por 5 minutos e, após o comunicado, a partida transcorreu normalmente."
Posicionamento dos clubes
O Red Bull Bragantino afirmou que a jogadora relatou o caso ainda em campo e reforçou que a ofensa teria partido da torcida adversária. O clube manifestou solidariedade à atleta e declarou que acompanhará a apuração.
Já o Tarumã repudiou qualquer forma de racismo, mas apresentou uma versão distinta. Segundo o clube, a expressão teria sido utilizada por um familiar de uma atleta da equipe de forma “carinhosa”, dentro de um contexto cultural local, sem intenção ofensiva.
Ministério do Esporte repudia o caso
O Ministério do Esporte também se manifestou oficialmente, classificando o episódio como grave e inaceitável.
A entidade reforçou solidariedade à atleta e destacou a importância da aplicação rigorosa do protocolo antirracismo, além de reiterar que práticas discriminatórias não podem ter espaço no esporte.
Caso será analisado pelas autoridades
O episódio deve ser encaminhado às autoridades desportivas, que poderão adotar medidas conforme o andamento da investigação.
O caso reacende o debate sobre racismo no futebol e a necessidade de ações efetivas para garantir um ambiente seguro e respeitoso dentro e fora de campo.

