Aos 28 anos, Raphinha treina no SAPESP enquanto aguarda solução burocrática financeira para poder atuar novamente no futebol paulista
Foto: divulgação
Raphinha vem treinando no SAPESP
Em um futebol marcado por cifras bilionárias no topo da pirâmide, a realidade das divisões menores revela outro obstáculo: as taxas federativas de registro e transferência. Para muitos atletas, esses custos se tornam barreiras que dificultam a continuidade da carreira.
É o caso do lateral-direito Raphael Alves Moreira de Oliveira, conhecido como Raphinha. Aos 28 anos, ele treina em São Paulo, mas enfrenta entraves burocráticos para voltar oficialmente aos gramados. O jogador participa das atividades no centro de treinamento do Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo.
Registro em outro estado vira obstáculo
Apesar de residir e treinar em São Paulo e ter atuado no futebol paulista, em clubes como Atibaia, União Suzano AC e Jabaquara, o último registro federativo de Raphinha está ligado à Federação Paraibana de Futebol.
Isso significa que, para atuar por um clube paulista, é necessário cumprir todo o processo de transferência interestadual.
Na prática, o procedimento envolve taxas administrativas cobradas por entidades como a Confederação Brasileira de Futebol e pelas federações estaduais. Para clubes de menor orçamento, esses valores podem se tornar inviáveis. Dependendo, somando tudo, a taxa de transferência pode chegar perto dos R$ 4 mil por atleta.
Em muitos casos, o montante necessário para regularizar o atleta acaba comprometendo recursos que seriam destinados ao próprio salário do jogador. E os clubes acabam dando prioridade para quem tem o registro anterior dentro do estado.
Versatilidade como diferencial
Dentro de campo, Raphinha apresenta uma característica de atuar com qualidade nos dois lados do campo. Ambidestro, ele pode jogar tanto na lateral direita quanto na esquerda, oferecendo versatilidade tática aos treinadores.
Essa capacidade o transforma em uma opção valiosa para equipes que buscam equilíbrio entre defesa e apoio ofensivo, especialmente em elencos mais enxutos.
Treinando enquanto espera a liberação
Enquanto aguarda a solução burocrática, o lateral mantém a rotina de preparação física e técnica no centro de treinamento do sindicato. Entre treinos e atividades específicas, ele segue aprimorando cruzamentos com as duas pernas e mantendo o condicionamento.
A situação, segundo pessoas próximas ao jogador, levanta um debate maior sobre o sistema federativo do futebol brasileiro.
“O futebol precisa discutir o direito ao trabalho. Um atleta profissional, em plena forma e residente em São Paulo, não pode ser impedido de exercer sua profissão por causa de uma barreira financeira administrativa”, afirma a família do atleta.
Enquanto isso, Raphinha segue pronto para quando surgir a oportunidade. No futebol, como em um cruzamento na área, é preciso estar no lugar certo e na hora certa — e ele garante que está preparado para quando o jogo finalmente for liberado.

