Sete pessoas foram condenadas por estelionato e lavagem de dinheiro em esquema que desviou recursos do Internacional
Foto: arquivo
Ex-atacante Christian está entre os condenados
A Justiça do Rio Grande do Sul condenou sete pessoas envolvidas em um esquema de fraudes, lavagem de dinheiro e embaraço à investigação que causou prejuízo superior a R$ 260 mil ao Sport Club Internacional.
A decisão foi proferida nesta quinta-feira pela 2ª Vara Estadual de Processo e Julgamento dos Crimes de Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro de Porto Alegre, após denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul.
Entre os condenados estão o ex-vice-presidente jurídico do clube, Marcelo Freitas e Castro, e o ex-atacante Christian Correa Dionísio, que teve duas passagens pelo Inter, entre 1996 e 1999 e novamente entre 2007 e 2008.
A decisão ainda cabe recurso.
Como funcionava o esquema
Segundo o Ministério Público, Marcelo Freitas e Castro utilizou o cargo no clube para inserir cláusulas irregulares em acordos trabalhistas e contratos de prestação de serviços.
Essas alterações induziam o clube ao erro e permitiam o desvio de valores em benefício próprio e de terceiros.
A sentença descreve fraudes em negociações trabalhistas com jogadores e também na contratação de serviços jurídicos externos.
Em um dos casos, a inclusão de uma cláusula indevida em um acordo resultou no desvio de R$ 138 mil. Em outro, um acerto com um ex-atleta gerou prejuízo de R$ 70 mil ao clube.
Também foram identificadas irregularidades em um contrato de serviços advocatícios, no qual parte dos honorários foi desviada, causando dano de R$ 52 mil.
Após as fraudes, segundo a decisão, os valores foram transferidos para empresas e contas de terceiros, caracterizando lavagem de dinheiro.
A Justiça também apontou tentativa de interferência na investigação, com orientação de depoimentos e elaboração de um documento falso para confundir o Ministério Público.
Além das penas, a sentença determinou a restituição ao Internacional do valor total do prejuízo, com juros e correção.
Quem são os condenados
Marcelo Castro (ex-vice-presidente jurídico): 14 anos e três meses de prisão em regime fechado por estelionato, lavagem de dinheiro e embaraço à investigação.
Leonardo Laporta Costa (advogado): 10 anos e seis meses de prisão em regime fechado.
Henrique Gershenson (administrador): nove anos de prisão em regime fechado.
Christian Correa Dionísio (ex-jogador): seis anos de prisão em regime semiaberto por estelionato e lavagem de dinheiro.
Georgio Chies (gerente de empresas): nove anos de prisão em regime fechado por lavagem de dinheiro.
Sinara Farias Lorenz (advogada): seis anos de prisão em regime semiaberto.
Kelly Cristina Fonseca Andrade (advogada): seis anos de prisão em regime semiaberto.
Relembre o caso
As suspeitas de irregularidades na gestão do Internacional começaram a ser investigadas em 2017, um ano após o rebaixamento do clube para a Série B.
Na época, o Conselho Fiscal recomendou a reprovação das contas da gestão do então presidente Vitorio Piffero, após auditoria externa apontar falhas de controle interno.
Em setembro daquele ano, um relatório indicou uma inconsistência de cerca de R$ 9 milhões em contratos não executados com empresas da construção civil, apontando pagamentos por obras que não foram realizadas.
Em dezembro de 2018, o Ministério Público deflagrou a Operação Rebote, com mandados de busca e apreensão contra ex-dirigentes da gestão Piffero.

Manifestação do ex-jogador Christian
Após a condenação, Christian se manifestou em uma rede social e afirmou discordar da decisão judicial.
"Eu respeito a decisão proferida pelo Poder Judiciário. Contudo, discordo do seu conteúdo e reafirmo a minha inocência. O recurso cabível será apresentado dentro do prazo legal pelos meus advogados."
O ex-atacante afirmou ainda que pretende recorrer da sentença e que acredita na revisão da decisão nas instâncias superiores.
