Foto: Júlio César Costa/Especial PontePress

Marcelo Fernandes dirige a Ponte Preta
A crise da Ponte Preta ganhou novos contornos públicos após a terceira derrota consecutiva no Campeonato Paulista. Depois do revés por 2 a 0 para o Capivariano, fora de casa, o técnico Marcelo Fernandes desabafou em entrevista coletiva, contestou uma declaração recente da diretoria e afirmou que, nas condições atuais, a continuidade do trabalho se tornou inviável.
Visivelmente abatido, o treinador foi direto ao analisar o momento vivido pelo clube. “Do jeito que está, não tem condição”, afirmou, em tom firme.
A fala foi uma resposta indireta — e clara — à declaração do vice-presidente Marco Antonio Eberlin, que, em entrevista à Rádio Bandeirantes de Campinas, disse que “fica na Ponte quem quer”, ao comentar as saídas de jogadores e a dificuldade para manter o elenco em meio à crise financeira. Marcelo discordou publicamente e ressaltou que a realidade enfrentada no dia a dia afasta profissionais.
“Todo mundo quer estar na Ponte Preta, mas ninguém quer conviver com salário atrasado. As pessoas querem jogar na Ponte como ela sempre foi. Não é sobre ficar do jeito que está”, destacou o treinador.
Dentro de campo, o cenário segue preocupante. A derrota em Capivari manteve a Macaca na lanterna do estadual, sem pontos após três rodadas e sem marcar gols. Mais uma vez, Marcelo precisou montar a equipe com limitações severas, já que os reforços contratados para a temporada seguem impedidos de atuar por conta do transfer ban imposto ao clube.
O técnico revelou, inclusive, que estabeleceu um prazo para os jogadores recém-contratados aguardarem uma definição da diretoria. “Eu pedi para os reforços esperarem até terça-feira. Se não acontecer nada até lá, vai ser muito difícil”, admitiu.
Marcelo também saiu em defesa de Rodrigo Souza, improvisado na zaga e apontado por parte da torcida como responsável pelo primeiro gol do Capivariano. Segundo ele, o erro é reflexo do desgaste geral do elenco. “O Rodrigo se esforçou muito para estar em campo. O Saimon saiu com o tornozelo totalmente inchado. Estamos jogando no limite físico e emocional. É desgaste, falta de confiança e o extracampo pesando. É juntar os cacos”, explicou.

No vestiário, o clima foi descrito como pesado. O treinador relatou cenas de abatimento após mais um resultado negativo e falou sobre o impacto emocional do momento. “Tem menino chorando. A gente viveu um título inédito aqui, criou um vínculo. Eu sou culpado também, a responsabilidade é do clube e minha. Me sinto frustrado, porque não tenho como lutar assim”, desabafou.
A Ponte Preta volta a campo pressionada não apenas por resultados, mas também por uma solução fora das quatro linhas para tentar estancar a crise logo no início do Paulistão. O próximo compromisso será diante do São Bernardo, em Campinas, na quarta-feira, em meio a um ambiente cada vez mais instável nos bastidores.



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