Família ligada ao Ibrachina já foi alvo de acusações em CPI da Pirataria em São Paulo

Foto: divulgação / Total Grass

A Ibrachina Arena

A família Law, responsável pelo Ibrachina FC — clube que ganhou destaque na Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2026 — já foi apontada oficialmente como protagonista do comércio de produtos piratas na capital paulista. A informação consta no relatório final da CPI da Pirataria da Câmara Municipal de São Paulo, concluído em 2023, e foi revelada pelo jornalista Demétrio Vecchioli, no portal Metrópoles.

“A máfia da pirataria no Município de São Paulo é comandada pela família Law Kin Chong. Esse fato é público e notório”, afirma o documento da comissão parlamentar, que ao longo de um ano e meio tentou, sem sucesso efetivo, ouvir integrantes da família proprietária do clube da Mooca, zona leste da capital.

Fundado em setembro de 2020, em meio à pandemia da Covid-19, o Ibrachina aproveitou a paralisação e as restrições impostas a outros clubes para atrair jovens promessas do futebol paulistano. Em apenas dois anos, já disputava a Copinha em seu próprio estádio, com gramado sintético e arquibancada de pequeno porte.

Enquanto o clube crescia no futebol de base, a CPI buscava depoimentos de Henrique Law e Thomas Law — irmãos que dividem igualmente o controle do Ibrachina e são apontados como proprietários do Shopping Pari — além dos pais deles: Law Kin Chong e Hwu Su Chiu Law, conhecida como Miriam. Segundo o relatório, o casal seria dono de ao menos 27 centros comerciais onde a venda de produtos piratas ocorreria de forma recorrente, incluindo o conhecido Shopping 25 de Março.

Durante as investigações, Law Kin Chong e Miriam adotaram uma estratégia de silêncio. Chegaram a comparecer sem aviso prévio à Câmara Municipal em um dia em que não estavam convocados, alegando cumprir a intimação, mas se recusaram a prestar esclarecimentos. Posteriormente, foram conduzidos coercitivamente à CPI e, novamente, optaram por não responder às perguntas. Já Henrique e Thomas Law foram convidados a depor, mas não compareceram.

Os irmãos, cada um detentor de 50% do Ibrachina FC, buscam desvincular a imagem do clube e de suas carreiras profissionais das atividades empresariais atribuídas aos pais. Ambos conquistaram espaço como representantes do empresariado chinês no Brasil, mantendo interlocução com esferas do poder público municipal, estadual e federal.

Thomas Law, advogado e figura mais conhecida da dupla, é conselheiro da OAB-SP, presidente da Coordenação Nacional das Relações Brasil–China da OAB Nacional e dirigente de entidades como o Centro de Estudos de Direito Econômico e Social, além de presidir uma ONG que também leva o nome Ibrachina. Em agosto do ano passado, ele recebeu a Medalha Anchieta, honraria concedida pela Câmara Municipal de São Paulo. No clube de futebol, entretanto, quem figura oficialmente como presidente é Henrique Law.

Em posicionamento publicado na coluna de Demétrio Vecchioli, os responsáveis pelo clube afirmaram que “a gestão do Ibrachina FC é profissional, autônoma e independente”, e que referências a CPIs e fatos passados “não resultaram em indiciamento, condenação ou qualquer responsabilização, tendo sido encerradas sem sanções”.

O clube também destacou seu caráter social. “O Ibrachina FC integra um projeto de base vinculado ao Instituto Sociocultural Brasil–China (Ibrachina), com forte compromisso social e educacional, oferecendo acompanhamento esportivo, médico e educacional aos jovens atletas”, informou a nota, reforçando o compromisso com a transparência e a formação cidadã.

Quem é a família Law - De acordo com o relatório final da CPI da Pirataria, Law Kin Chong e Miriam Law detêm imóveis utilizados como shoppings, galerias, estacionamentos e prédios comerciais em regiões estratégicas de São Paulo, como Brás, Pari, Mooca, Liberdade, Jardins, Morumbi e Avenida Paulista. O documento foi encaminhado ao Ministério Público de São Paulo, que posteriormente arquivou o caso.

Conhecido como o “Rei da 25 de Março”, Law Kin Chong, hoje com 61 anos, construiu um vasto patrimônio imobiliário no centro da capital. Parte das empresas passou, ao longo dos anos, para o nome de sua esposa. Entre 2012 e 2019, apenas em shoppings administrados pela empresa Maxim, ligada à família, a Receita Federal apreendeu mais de R$ 600 milhões em mercadorias ilegais.

Segundo o fisco, a estratégia utilizada seria alegar que a família apenas alugava os imóveis, transferindo a responsabilidade pelos produtos aos lojistas. Fiscalizações, no entanto, identificaram contratos com indícios de falsidade, assinaturas divergentes e ausência de registros em cartório, além de casos em que um único microempreendedor figurava como responsável por vários boxes de alto valor.


A Receita também apontou que grande parte dos comerciantes era composta por estrangeiros, muitos sem registro regular no Brasil, concentrados em cidades específicas da China.

Law Kin Chong foi preso duas vezes nos anos 2000 por suspeita de contrabando. Em uma dessas ocasiões, passou cerca de quatro meses no presídio de Tremembé. Outra CPI, no início da mesma década, resultou em sua condenação na Justiça Federal a seis anos de prisão, por tentativa de suborno a um deputado federal para interferir no relatório final das investigações sobre pirataria.

Segundo a acusação, um intermediário foi flagrado com US$ 75 mil em dinheiro, supostamente parte da propina. O objetivo seria evitar que Miriam Law fosse alvo de uma investigação mais aprofundada da Receita Federal. Gravado em conversas com o parlamentar, Law chegou a negociar valores parcelados. A pena, inicialmente fixada em quatro anos, foi posteriormente ampliada para seis anos em regime fechado. O empresário ainda recorre ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a condenação.
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