sexta-feira, 15 de maio de 2020

Darío "Cabañas" Coronel - O amigo de Tévez que sucumbiu à violência do Forte Apache

Por Lucas Paes

Dario Cabañas era amigo de Tevez em sua época no Fuerte Apache

Carlitos Tévez, ídolo do Boca e do Corinthians, tem uma das histórias de vida mais inspiradoras do futebol argentino. Nascido na pobre comunidade de Fuerte Apache, uma favela de Buenos Aires que convive diariamente com a violência e com as dificuldades da vida nas comunidades, conseguiu viver o sonho e ascender de vida no futebol, virando uma referência para os moradores de seu bairro, raiz que nunca esqueceu. Quando criança e adolescente, porém, Tévez tinha um amigo que era até melhor que ele: Darío Cabañas Coronel, que infelizmente teve um final mais triste.

O menino era o melhor amigo de Tévez e ganhou o apelido de Cabañas devido a semelhança com o atacante paraguaio Roberto Cabañas que jogou no Boca nos anos 1990. O garoto sempre estava junto com Carlitos e ganhava destaque pois, segundo relatos, jogava melhor que o futuro jogador Xeneizie. Durante a juventude, ambos chegaram a jogar juntos no All Boys, onde fizeram parte do foi uma das melhores equipes da categoria "baby" do clube até os dias de hoje.

Sua vida começa a degringolar quando a mãe o abandona aos 11 anos, voltando ao Paraguai, local de origem de sua família e segundo algumas fontes do próprio garoto, deixando-o com um familiar que pouco ligava para Dario. Perdido, entrou para uma gangue local chamada BSB e começou a praticar delitos. Dividia seu tempo entre causar problemas e tentar continuar com o futebol, justamente no Velez, onde foi junto a Tévez e outros amigos do bairro tentar uma peneira. O amigo do futuro atacante do Boca foi o único que passou. Ao mesmo tempo que jogava, seguia uma vida complicada fora dos campos.

Dario e Tévez em foto de infância

Segundo contam relatos de treinadores, Dario era extremamente técnico e tinha muita liderança, além de ser muito aguerrido. Ascendia para uma carreira brilhante, mas infelizmente sua história não teve um final tão feliz. Ao mesmo tempo em que jogava bem, causava problemas por indisciplina e até por acusações de roubos de roupas e outras coisas do Fortín. Sumiu durante um tempo das categorias de base dos fortineros. Voltou, mas a continuidade dos problemas fez com o que fosse dispensado aos 15 anos. 

Não precisaria necessariamente ser o fim do sonho. Coronel era pretendido por times como o próprio Boca, onde já jogava Tevez e o River Plate. Chegou a jogar no Comunicaciones, clube pequeno de Buenos Aires. Parecia ter perdido a motivação pelo esporte bretão, numa época onde Carlitos já ia ao mundial sub-17 com a Argentina. "Cabañas" já estava muito mal naquele momento. O próprio futuro craque do Boca declarou em entrevista que sentiu que quando viu o amigo antes de ir ao mundial sub-17 de Trinidad e Tobago estava se despedindo.

Imagem

Em meio ao surgimento de rumores de antigos treinadores sobre sua vida, Coronel se afundou na vida violenta de Forte Apache. Começando a se envolver mais com o crime, teve um trágico fim quando foi perseguido por policiais após um roubo a um cassino. Ele sabia que se chegasse ao Fuerte Apache estaria salvo. Ajudou todos os outros garotos envolvidos a pular um muro, mas se viu cercado pela polícia, que já tinha "carta branca" para matá-lo, após suspeitas de que havia matado um policial. Então, aos 17 anos, deu um fim na própria vida com um tiro no nariz.

Recentemente, a Netflix fez uma excelente série sobre a vida de Carlitos Tevez chamada Fuerte Apache. Nela, Dario é retratado como "Danilo Uruguaio". Obviamente, a mudança de identidade se trata de uma tentativa de preservar a família e a própria privacidade de um garoto vítima da violência e das circunstâncias. Mais uma entre várias possíveis histórias que acaba precocemente devido a escolhas erradas.
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