O título do Gama na Série B de 1998

Por Lucas Paes
Foto: Reprodução/Site do Gama

O Gama foi campeão brasileiro da Série B em 1998

Recentemente, escrevemos aqui no site sobre o imbróglio do descenso do Brasileirão de 1999, quando a CBF tentou de maneira falha implementar o promédio. Um dos clubes protagonistas dessa situação foi o Gama. Agora vamos entender como o Verdão chegou lá para começo de conversa. Em 1998, o alviverde de Brasília fez grande campanha e ganhou o maior título de sua história, o Campeonato Brasileiro da Série B de 1998.

Se engana quem pensa que o Gama foi avassalador do início ao fim da competição. O Esquadrão Verde, que vinha montando o time que daria o título da série B desde 1994 e vivia grande fase em cenário estadual, teve diversos treinadores durante a conquista do estadual de 1998 e Orlando Lelê, que começou comandando na Série B, após a garantia da taça brasiliense, caiu após um começo com quatro jogos sem vencer, incluindo um empate sofrido no finalzinho do jogo na estréia contra a Tuno Luso e três derrotas seguidas. Quem assumiu o comando do alviverde foi Vagner Benazzi.

Numa fase de grupos maluca, o Gama, que era lanterna, primeiro precisava pensar em escapar do rebaixamento, para depois pensar na classificação. Porém, as duas situações eram relativamente próximas. Logo na estreia de Benazzi, vitória por 3 a 0 para cima do Americano, com dois gols de Rodrigo Beckham, sim, aquele. Ele era o grande destaque daquela equipe, trazido por Lelê, que havia trabalhado com o meia na Briosa, e um de Humberto. Na rodada seguinte, porém, derrota para o Ceará, em Fortaleza. Ai vieram vitórias contra XV de Piracicaba e Bahia e outra derrota, desta vez para a Tuna. O alviverde passou no quarto lugar, na bacia das almas, deixando para trás o Bahia e o rebaixado Americano.


Os gols de Remo 1 x 4 Gama

A partir daí, o campeonato mudou de figura, já que a competição entrou numa fase de mata-mata em três jogos. O Gama enfrentou o Remo e começou batendo os paraenses no Bezerrão, por 1 a 0, gol de pênalti de Renato Martins. Foi no jogo da volta, porém, num Mangueirão abarrotado, que o Gama mostrou que poderia sonhar alto. O Verdão abriu o placar com Humberto, mas os remistas empataram. Na etapa final, atuação espetacular alviverde e mais três gols, fechando  o placar em 4 a 1. Humberto, de novo, Nei Bala e Willian fecharam o marcador. Não foi nem necessário o terceiro jogo.

No quadrangular semifinal, o Periquito caiu num grupo com Desportiva Ferroviária, XV de Piracicaba e Criciúma. No primeiro turno, o Gama mostrou novamente muito brio. Abriu a terceira fase batendo a Desportiva por 1 a 0, no Bezerrão, antes de acabar derrotado pelo XV de Piracicaba, no Barão de Serra Negra, por 1 a 0. Depois, outra vitória em casa, por 2 a 1, contra o Criciúma. Ai veio um duelo importantíssimo contra o Tricolor Carvoeiro, no Heriberto Hulse, onde os catarinenses não perdiam e nem levavam gol a três meses. O que não significou nada para Rodrigo Beckham, que marcou o primeiro gol do jogo. O Criciúma até empatou, mas o gol não adiantou muito. 

Depois desse empate, bastava uma vitória contra o XV de Piracicaba para classificar. E ela veio, por 1 a 0, com gol de Nei Júnior, logo aos quatro minutos do jogo. O Nhô Quim, que havia ido tão bem até ali, acabaria eliminado graças ao próprio Verdão na última rodada, já que os candangos perderam para a Desportiva Ferroviária e o resultado jogou os paulistas para o quarto lugar e para a eliminação. 

A partir daí veio a quarta e última fase. Botafogo de Ribeirão Preto, Gama, Desportiva Ferroviária e Londrina disputavam duas vagas na Série A de 1999. O Gama começou empatando com o Londrina por 0 a 0 no Estádio do Café. Depois, outro empate com a Desportiva, em casa, por 2 a 2, que só veio no finalzinho do jogo. Precisando da vitória, os alviverdes foram ao Santa Cruz e calaram os 20 mil torcedores do Botafogo. William e Rodrigo Beckham fizeram os dois gols e o placar terminou em 2 a 1. De volta a disputa, o Gama teve de novo dois empates, na volta do duelo contra o Botafogo (1 a 1) e contra a Desportiva, em Cariacica, num jogo cercado de dramas e que só teve a igualdade garantida graças a um gol de Paulo Henrique no finalzinho do jogo (2 a 2).

Na última rodada, que ocorreria no dia 20 de dezembro daquele ano, contra o Londrina, a situação era a seguinte: um empate e o Gama subia, dependendo do resultado do Botafogo para ser campeão, uma vitória e o acesso viria com título. Diante de um Mané Garrincha abarrotado, o Verdão abriu o placar aos 6, com Renato Martins, aproveitando cobrança de falta de Rodrigo Beckham, William Fabro fez o segundo. No segundo tempo, já diante da festa da torcida, Nei Bala cruzou e o goleirão falhou e deu o terceiro gol. Final de jogo, vitória e festa da torcida alviverde, pois o título era do Gama.

O jogo do título diante do Londrina

Além do Esquadrão Alviverde, quem também subiu naquele ano foi o Botafogo de Ribeirão Preto, que terminou o campeonato goleando a Desportiva, em Ribeirão Preto. A campanha final do Periquito foi de 11 vitórias, seis empates e sete derrotas em 24 jogos, com 33 gols feitos e 24 sofridos. O artilheiro e grande destaque foi o meia Rodrigo Beckham. Além dele, também foram bem nomes como Nei Bala, Nei Júnior, Humberto, Paulo Henrique e o goleiro Marcelo Cruz. A equipe do Distrito Federal ficaria na Série A até 2002, quando caiu. Hoje, o Gama disputa, quando consegue vaga pelo estadual, a Série D, torneio que o alviverde disputará em 2020, tentando voltar a ser forte no cenário nacional.
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